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  02.03.17

Por dentro do lixo

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IPT inicia trabalho de campo no projeto de gestão dos resíduos sólidos da Baixada Santista com caracterização gravimétrica


Três semanas de trabalho quase ininterrupto deram início às visitas de campo das equipes técnicas do Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas do IPT na elaboração do Plano Regional de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos da Baixada Santista, que vai apontar soluções para a gestão adequada dos resíduos na região, considerando os aspectos ambientais, econômicos e sociais. A parceria com a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) para a execução do projeto foi assinada em outubro de 2016 e é financiada pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).

As equipes de pesquisadores e técnicos do laboratório realizaram entre os dias 6 e 23 de fevereiro um levantamento para saber a composição física e gravimétrica dos resíduos nos munícipios de Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente –
Projeto na Baixada Santista irá apontar soluções para a gestão adequada dos resíduos na região, considerando aspectos ambientais, econômicos e sociais
 
somente Bertioga não foi visitada, pois serão aproveitados os dados levantados na cidade em 2016 durante a execução do Projeto RSU Energia. Esse procedimento é usado para conhecer o percentual de cada componente presente em uma massa de resíduo e avaliar o potencial de reciclagem.

Para executar a caracterização gravimétrica na cidade de São Vicente, que foi concluída em 23 de fevereiro, a equipe chefiada pela pesquisadora-assistente Fernanda Peixoto Maneo aguardava no Parque Ambiental Sambaiatuba a chegada dos caminhões de coleta de lixo doméstico e, após a descarga, era solicitado ao operador da retroescavadeira uma homogeneização dos materiais. Em seguida, ele separava uma amostra em quatro pilhas.

Esse procedimento, denominado quarteamento, é indicado pela norma 10.007:2004, que é a Amostragem de resíduos sólidos, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Trata-se de um processo de divisão em quatro partes iguais de uma amostra pré-homogeneizada, sendo tomadas duas partes opostas entre si para constituir uma nova amostra e descartadas as partes restantes. As partes não descartadas são misturadas totalmente e o processo de quarteamento é repetido até que se obtenha o volume desejado.

“Duas das pilhas eram descartadas. Os outros dois montes eram homogeneizados novamente e separados em quatro pilhas, e o procedimento era repetido até que sobrassem aproximadamente mil litros”, explica Fernanda. Em seguida, a equipe abria todos os sacos maiores de lixo (os menores permaneciam fechados nesse momento) e, sobre uma lona, o conteúdo era misturado novamente para um novo quarteamento manual (com auxílio de pás e enxadas), até que sobrassem cerca de 200 litros. Este volume de material era colocado dentro de um tambor e submetido à pesagem para obtenção da densidade dos resíduos.

Finalmente, os resíduos eram despejados sobre outra lona e, nesse momento, os sacos menores eram abertos. Os resíduos eram então separados em recicláveis (como plásticos, separados ainda de acordo com o tipo; borracha; madeira e vidro), orgânicos (restos de alimentos) e rejeitos (material contaminado biologicamente, como resíduos de banheiro). Cada um dos grupos era pesado separadamente a fim de se atribuir uma porcentagem do material em relação ao total.

 
  • Etapas da caracterização gravimétrica
 


ENSAIOS LABORATORIAIS – Em cada uma das oito cidades visitadas, as equipes do IPT separaram amostras orgânicas para que sejam agora submetidas a ensaios que irão levantar informações como teor de umidade, matéria orgânica e voláteis. As amostras serão também submetidas a ensaios de poder calorífico no Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes do IPT.

“Com a elaboração do plano para a Baixada Santista, será possível indicar opções para a gestão dos resíduos da região. Esse trabalho permitirá elaborar projeções, tanto pelas porcentagens de recicláveis como de orgânicos, com previsões de como será a geração de cada tipo de material, por exemplo em 20 anos, podendo assim dimensionar cooperativas de separação de materiais recicláveis, assim como a infraestrutura necessária para a montagem de uma usina de compostagem”, afirma Fernanda.