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100 anos da Ponte Pnsil de So Vicente


Desde 1936 o IPT oferece apoio tecnológico à manutenção e conservação da ponte, que completa 100 anos em 21 de maio de 2014
 

A Ponte Pênsil de São Vicente, localizada entre os Morros dos Barbosas e Japuí na cidade de São Vicente (SP), é responsável pela ligação da ilha ao continente e é considerada um marco na construção de pontes pênseis no Brasil: ela foi a terceira da nossa história e um marco do desenvolvimento do litoral paulista. A ponte foi inaugurada em 21 de maio de 1914.

A proposta da ponte foi idealizada pela Comissão de Saneamento de Santos em 1910 com o propósito de servir de suporte à instalação de uma tubulação para conduzir o esgoto coletado nas cidades de Santos e São Vicente para lançamento no Oceano Atlântico, na Ponta de Itaipu, localizada na cidade de Praia Grande. Boa parte da população da região no início do século XX era vítima de doenças ocasionadas pela ausência de saneamento básico, como febre amarela, cólera, leptospirose e peste bubônica, entre outras. O projeto do sistema de esgotamento sanitário foi criado pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito.

Em 1910, uma comissão sob o comando do engenheiro Miguel Presgrave contratou a empresa Trajano e Medeiros & Cia para elaboração do projeto em consórcio com uma empresa de Dortmund, da Alemanha. O engenheiro alemão August Kloenne criou o projeto da ponte, que previa um vão de 180 m entre torres, com 6,4 metros de largura e 5 metros de altura acima da maré máxima. A suspensão seria constituída por 16 cabos de aços, ancorados em quatro blocos de ancoragem e apoiados em quatro torres metálicas revestidas de concreto.

Desde a década de 1930 o IPT dá apoio tecnológico para manutenção e conservação da ponte. Em 1936, a então Seção de Estruturas e Fundações do IPT executou o primeiro trabalho na obra: uma prova de carga estática para avaliar a capacidade de resistência da ponte para passagem de veículos, sob a supervisão do engenheiro Telêmaco van Langendonck. Na década de 1940 foram realizados ensaios nos reforços de cabos danificados por corrosão.

Em 30 de abril de 1982, a ponte foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Artístico Nacional (Condephaat).

Na década de 1990 o IPT participou do processo de reforma da ponte, com o objetivo de habilitá-la para suportar o tráfego de veículos. O Instituto orientou a substituição do tabuleiro de madeira e verificou a condição dos cabos de aço no interior das presilhas, os quais estavam bastante danificados por corrosão.

Em 2013 teve início um novo projeto de recuperação da ponte, elaborado pela empresa Engeti e baseado nos dados, conclusões e recomendações apresentados pelo IPT ao DER – Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo, órgão responsável pela conservação da ponte. Foi recomendada a troca dos cabos de aço, por estarem com capacidade resistente reduzida. A troca de cabos de aço já foi realizada em pontes na China, na África e na Escócia, mas acontecerá pela primeira vez no Brasil: os cabos antigos serão substituídos por novos fabricados na Itália. O IPT acompanhou, junto com representantes do DER, da Engeti e da empresa Concrejato (responsável pela execução da obra) os ensaios em amostras dos cabos, realizados em laboratórios italianos.

Para a execução dos trabalhos, está prevista a instalação de um sistema de torres provisórias, dispostas ao lado das existentes. As torres servirão de apoio à implantação de cabos provisórios que sustentarão a ponte durante a troca dos cabos de aço, segundo o engenheiro Ivanisio de Lima Oliveira, da Seção de Engenharia de Estruturas do IPT.

É uma grande satisfação para o IPT saber que seu trabalho contribui há quase 80 anos para que a centenária Ponte Pênsil de São Vicente continue exercendo plenamente a sua função e garantindo a passagem segura de quem a atravessa.

 
  • Trabalhos do IPT na Ponte Pênsil de São Vicente