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Sobre o IPT


Palavra do Presidente


Discurso de Fernando José Gomes Landgraf, proferido em cerimônia de posse em 27 de agosto de 2012:

Senhoras e senhores,

Hoje assumo o lugar que já foi de Adriano Marchini, Ary Torres e Alberto Pereira de Castro, para falar dos antigos.

De Ary Plonski, Vahan Agopyan e João Fernando, para falar dos modernos.

É uma sorte poder estar no ombro desses gigantes.

Isaac Newton disse isso. Ele disse que enxergava mais longe, por poder apoiar-se no ombro de gigantes. Se ele, uma mente genial, fez questão de dizer isso, muito mais apropriadamente digo eu.
Fernando José Gomes Landgraf
 

É uma sorte poder apoiar-nos nos ombros do conjunto dos ipeteanos, essa equipe que foi capaz de obter uma receita de 88 milhões de reais em 2011. Juntos vamos ver muito mais longe.

Afinal, o governo do Estado investiu 150 milhões de reais nos últimos quatro anos, deveria dar para ver mais longe. Mas, se fosse para ver um pouco mais longe, era só comprar um telescópio, não precisava gastar tanto...

O Governador Alckmin foi muito claro, em reunião recente: o governo quer ver resultados desse investimento. Resultados mensuráveis. Essa demanda me orientou para a definição do objetivo desta gestão:


Nosso objetivo é aumentar o impacto e a relevância do IPT para a indústria e a sociedade paulista e brasileira, hoje e amanhã.

Temos de ser capazes de medir o impacto do IPT para a indústria e a sociedade. Hoje já sabemos que, para cada real de custeio alocado pelo governo, o IPT vende dois reais de serviços para a indústria e órgãos do governo. Sabemos que o impacto é maior que esse. Supomos que o resultado dos serviços que oferecemos gera mais valor do que meramente seu preço. É isso que temos que saber medir. Se o MIT consegue medir seu impacto na sociedade americana, nós temos que medir também.

Quase 50% das receitas do IPT vêm dos serviços de metrologia, ensaios, análises e calibrações que o IPT vende, anualmente, para quatro mil clientes. Que fração desses serviços alavanca a criação de valor nessas indústrias? Temos que buscar avaliar isso.

Como exemplo, estamos inaugurando hoje, no Centro de Tecnologia do Ambiente Construído, o investimento de três milhões de reais para avaliar a qualidade dos aquecedores solares fabricados no Brasil, por meio do Simulador Solar. Esperamos com isso apoiar a indústria brasileira a produzir coletores solares com maior eficiência energética.

Quinze por cento das receitas do IPT vêm de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento, dos quais se espera que gerem Inovação na indústria. Referimo-nos a projetos com a indústria. O Conselho de Orientação do IPT, formado por empresários, insiste muito para que aumentemos esse porcentual. Aumentar esse porcentual é uma das quatro metas de Inovação que acompanhamos mensalmente ao longo do ano. O aumento tem sido irritantemente “lento e gradual”. Apesar de toda a mobilização empresarial em torno do tema, a capacidade brasileira de gerar valor por meio de inovação ainda é limitada.

Relembrando, nosso objetivo é aumentar o impacto e a relevância do IPT para a indústria e a sociedade paulista e brasileira, hoje e amanhã.

Não basta medir o impacto. Temos de aumentar a relevância da contribuição do IPT para a indústria e a sociedade. É nosso dever contribuir para que a indústria e os órgãos governamentais inovem. Sempre foi nosso dever apoiar tecnicamente o Estado no planejamento e acompanhamento de suas obras e realizações. Agora, com as Parcerias Público-Privadas, novas formas de planejamento e acompanhamento técnico precisam ser desenvolvidas, e o IPT quer colaborar. Estamos participando do projeto conceitual do anel hidroviário, já apoiamos fortemente a ARTESP, Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo, e estamos fortalecendo o relacionamento com as Secretarias Estaduais de Energia, Transportes, Transportes Metropolitanos e outras, sempre buscando entender como contribuir para aumentar a eficácia da gestão pública. Hoje, 40% de nossas receitas vêm desse tipo de trabalho.

Aumentar o impacto e a relevância do IPT, para a indústria e a sociedade paulista e brasileira, hoje e amanhã. Paulista e brasileira. Temos que apoiar a indústria paulista. Temos apoiado iniciativas da agência Investe São Paulo, mas temos que ampliar esse esforço. Com o apoio da agência faremos reuniões com o setor automobilístico paulista, para discutir formas de viabilizar o aproveitamento do Programa Inovar Auto.

O maior projeto do IPT, hoje, está ligado a um importante segmento industrial onde a produção paulista é enorme: o projeto de gaseificação de biomassa, voltado ao melhor aproveitamento do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. O projeto está em negociação com um grupo de empresas há três anos, hoje muito próximo de ter seu financiamento de 80 milhões de reais aprovado pelo BNDES, FINEP e GESP.

Mas o IPT também apoia a indústria fora de São Paulo. Uma das nossas inaugurações de hoje refere-se ao forno de purificação de silício grau solar por solidificação direcional, com investimento de 1,4 milhão de reais. Caso o IPT consiga, até dezembro de 2013, produzir silício adequado para células solares, a nossa parceira industrial mineira poderá passar de exportadora de silício metalúrgico, a três dólares por quilo, para exportadora de silício grau solar, a 30 dólares por quilo. Em 12 anos o mercado mundial de silício grau solar cresceu cem vezes, de 5 mil toneladas por ano para 500 mil toneladas por ano.

Aumentar o impacto e a relevância do IPT para a indústria e a sociedade paulista e brasileira, hoje e amanhã. Hoje e amanhã. Nosso esforço de venda busca aumentar o impacto do IPT hoje, vendendo serviços. Está indo bem. Mas temos que pensar no amanhã.

No amanhã do Brasil, de São Paulo e do próprio IPT. Os investimentos do IPT na Bionanomanufatura são claramente uma aposta no amanhã do Brasil, uma aposta no crescimento da economia nessas direções. Mas apostar significa assumir riscos. Os futuros investimentos na gaseificação da Biomassa também são uma aposta no futuro de São Paulo, mas dependerão da evolução do preço internacional do petróleo. Se o projeto não for iniciado hoje, e o petróleo chegar a 120 dólares por barril em 2020, será tarde demais. É necessário investir hoje.

Mas e o futuro do IPT? Dependerá fortemente do aumento das parcerias com a academia, especialmente com a USP, com a Poli, pois só assim o IPT realizará seu papel de conector entre a universidade, a indústria e a sociedade. Richard Nelson, da Universidade de Columbia, demonstrou a importância disso para a inovação em países emergentes.

O futuro do IPT dependerá também do vigor de um Plano de Cargos e Salários. Precisamos dar um horizonte de crescimento profissional para as novas gerações de ipeteanos, contratadas nos últimos concursos. E o futuro do IPT dependerá também de um novo pacto com o Governo do Estado, um contrato plurianual que tenha interlocutores de peso do lado do Governo, interlocutores que possam discutir qualitativa e quantitativamente as metas do contrato. Nenhum dos congêneres internacionais do IPT, como o SP Sweden, da Suécia; o Kitech, da Coreia; o ITRI, de Taiwan; e os Institutos Fraunhofer da Alemanha operam com um índice de receitas próprias tão alto quanto o IPT hoje. Forçar tanto a receita ‘hoje’ prejudica o impacto e a relevância ‘amanhã’.

Aumentar o impacto e a relevância do IPT, para a indústria e a sociedade paulista e brasileira, hoje e amanhã. Esse objetivo será alcançado se todos nós, ipeteanos e diretoria, articularmos muito bem nossas ações com os parceiros empresariais, o governo e a academia. Contamos com todos vocês.

Obrigado.