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  26.07.17

Reservas de terras raras


Diretor-presidente do IPT fala na Rádio USP sobre o domínio do mercado pela China e como anda a exploração dos 17 elementos químicos pelo Brasil


Lantânio, cério, praseodímio e neodímio são quatro exemplos dos 17 elementos químicos presentes na tabela periódica que são classificados como terras raras. Mercado dominado pela China, as terras raras são um tema ainda pouco conhecido fora das universidades, dos ICTs e dos segmentos de alta tecnologia que ganhou um maior destaque após a ‘bolha’ de preços que foi provocada por conta das restrições nas cotas de exportação impostas pelos chineses ao Japão em 2011 – o preço do neodímio metálico, que era comercializado a U$ 15 o quilo em janeiro de 2009, saltou para US$ 200 o quilo em março daquele ano.

Terras raras foi o tema da entrevista dada pelo diretor-presidente do IPT, Fernando Landgraf, em 20 de julho ao programa Jornal da USP, exibido de segunda a sexta-feira pela Rádio USP. Não apenas o mercado chinês foi esmiuçado na conversa com a jornalista Roxane Ré, mas também o brasileiro: em 2010, lembrou Landgraf, o United States Geological Survey (USGS) publicou um ranking de países relativo às reservas de terras raras, no qual o Brasil figurava em primeiro lugar – posteriormente, no entanto, os números se revelaram superestimados.

As reservas brasileiras estão localizadas principalmente entre o estado de São Paulo e Brasília, nas cidades de Araxá (MG) e Catalão (GO), mas também são encontradas na Amazônia. “É um mercado mundial de 100 mil toneladas/ano, em torno de apenas US$ 5 bilhões anuais, mas é um negócio estratégico”, afirmou ele.

O diretor-presidente do IPT explicou que o neodímio pode ser considerado o mais importante entre os 17 elementos, sendo usado para a fabricação de superímãs que serão aplicados em discos rígidos de computadores, em geradores eólicos e em motores de veículos elétricos. As iniciativas brasileiras foram destacadas na entrevista de Landgraf: “A grande oportunidade que estamos vivendo hoje no Brasil está na mina de nióbio explorada pela CBMM na cidade de Araxá, que tem grandes quantidades de terras raras. Eles já investiram nas operações de concentração, mas o desafio atual é a comercialização por conta do domínio do mercado chinês que comercializa os elementos a preços baixos. Não temos escala no País para bancar a separação, que é um processo muito caro, para um consumo brasileiro ainda muito pequeno”.

Os investimentos da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) em um projeto integral da cadeia produtiva, desde a exploração das minas até os produtos finais, foram também lembrados na entrevista como uma oportunidade para a formação de um mercado nacional. O projeto será desenvolvido pela Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o IPT. Outro projeto lembrado por Landgraf em execução envolve uma parceria da CBMM com o Laboratório de Processos Metalúrgicos do IPT para a produção da liga didímio-ferro-boro, essência da constituição dos ímãs permanentes.

Ouça abaixo a entrevista na íntegra: