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  05.02.16

Didmio no Brasil


Projeto do IPT em parceria com a CBMM obtém pela primeira vez didímio metálico no país, base para os superímãs


Os primeiros 100 gramas de didímio metálico, constituído de praseodímio e neodímio, elementos das terras raras usados na fabricação de superímãs, foram produzidos no Brasil. Resultado de um convênio entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a obtenção do didímio em escala laboratorial atesta a possibilidade de domínio das rotas de produção do material, que tem nos ímãs sua principal aplicação, crescente principalmente pela demanda das turbinas eólicas.
Didímio metálico (Nd e Pr) produzido no IPT a partir do óxido da CBMM
 


De acordo com João Batista Ferreira Neto, pesquisador do Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais (CTMM) do IPT e coordenador do projeto, a conquista deve ser comemorada. “A obtenção do didímio mostra que é possível, num futuro breve, a sua produção em escala industrial, contribuição definitiva para completar a cadeia dos ímãs de alto desempenho, peças-chave nas turbinas eólicas e carros elétricos, mas também necessários em dispositivos eletrônicos. A ideia é que se tenha no País domínio tecnológico de toda a cadeia produtiva dos ímãs permanentes, desde a extração mineral das terras raras até a fabricação dos ímãs”, afirma.

A CBMM, parceira do IPT no projeto, possui um grande diferencial competitivo para a produção do didímio. A empresa é líder mundial na exportação de nióbio, metal que é extraído de sua reserva mineral situada em Araxá (MG), que possui também alto teor de terras raras. A CBMM desenvolveu então uma planta-piloto de concentração (separação) das terras raras e deu sequência ao trabalho em uma planta laboratorial, na qual está conseguindo separar os óxidos dos principais metais de terras raras contidos em seu minério, dentre eles o óxido de didímio. O elo que faltava para dar andamento à produção dos superímãs era justamente a redução do óxido de didímio em metal, gerando o didímio metálico, escopo do convênio da CBMM com o IPT. O didímio foi obtido a partir de um trabalho de desenvolvimento de reatores e de processos de redução, que estão sendo investigados no projeto.

Havendo, portanto, a concentração e produção do óxido a partir das terras raras e a tecnologia para a fabricação de superímãs, já dominada por algumas universidades e institutos no Brasil, incluindo o IPT, o projeto de P&D&I, que transcorre no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), preenche a lacuna que faltava para que o ciclo da cadeia produtiva se feche. Com duração de dois anos e previsão de término em junho de 2016, o projeto caminha agora para testes de rotas e processos, otimização de parâmetros de operação e controle do nível de pureza do didímio.

De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral, o Brasil é detentor da segunda maior reserva de terras raras do mundo. No entanto, o país ainda não explora comercialmente os elementos, mercado que é dominado pela China. “O projeto da CBMM é estratégico, pois abre portas para o país garantir internamente e também exportar um produto fundamental para indústrias de elevado conteúdo tecnológico, que têm demandas crescentes”, destaca Ferreira Neto.