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  06.11.17

Educao ambiental


IPT realiza projeto social sobre poder das plantas em centro educacional da zona leste da capital paulistana


Incentivar a percepção das pessoas do próprio potencial para melhorar a sua qualidade de vida, a partir do diagnóstico das plantas existentes em seus bairros, é um dos objetivos de um projeto que está sendo conduzido pelo Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Uma série de oficinas participativas foi ministrada desde o mês de agosto no CEU Três Pontes, localizado na zona leste da capital paulista, próximo ao município de Itaquaquecetuba, para capacitar alunos no conhecimento das plantas existentes na comunidade, em técnicas de jardinagem e no cultivo, bem como nas suas possibilidades de usos.

O projeto foi um dos quatro selecionados no primeiro edital da Fundação de Apoio ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (FIPT), que foi lançado em janeiro de 2017, para financiar projetos sociais de laboratórios e seções do IPT voltados à promoção da transformação social positiva e sustentável. Os projetos escolhidos cumprem as diretrizes e os conteúdos estabelecidos na Política de Investimento Social da FIPT, e seguem também as orientações da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, editada em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tendo como público direto populações em vulnerabilidade socioeconômica no Brasil.

O tema do projeto – O Poder das Plantas da Minha Comunidade – foi escolhido por conta da possibilidade de tratar diversas questões, explica Caroline Almeida Souza, pesquisadora da Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais do IPT: “Em geral, as plantas são associadas a coisas simples e triviais, e as pessoas não percebem a sua importância no dia a dia: elas podem ser comidas, fornecem a sombra em dias de calor e ajudam a manter o ar mais puro, ou seja, têm várias funções para melhorar a nossa qualidade de vida”.

A equipe do IPT apresentou o projeto aos responsáveis pela administração dos Centros Educacionais Unificados (CEU), que são equipamentos públicos voltados à educação infantil e fundamental criados pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e localizados em áreas periféricas da Grande São Paulo.
Equipes do IPT inseriram no escopo do projeto a criação, pelos próprios alunos, de uma proposta de trabalho a fim de melhorar os espaços de convivência no próprio CEU...
 
A capital paulista conta atualmente com 46 CEUs nos quais estudam cerca de 120 mil alunos. A unidade Três Pontes foi selecionada por conta de identificação com o projeto, pelo fato de eles já terem tido experiências anteriores com hortas e com projetos de contato com a natureza.

Os professores foram os responsáveis pela seleção das crianças para as oficinas. Cada uma das três turmas deveria comportar inicialmente 15 alunos, mas no final uma delas acabou por abrigar 30, todas do ensino fundamental na faixa de 10 a 14 anos. “Para que a proposta do projeto fosse naturalmente absorvida pelos alunos, optou-se pela abordagem participativa usando as oficinas para a capacitação deles”, afirma Caroline.
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CINCO ENCONTROS – O primeiro de cinco encontros semanais para cada turma era destinado ao diagnóstico das plantas da comunidade e seu uso para a melhoria da qualidade de vida local. “Explicou-se a amplitude do conceito de planta: ela pode ser o tempero da comida, a alface da salada, a flor que enfeita o jardim e a árvore que dá sombra e frutos”, explica a pesquisadora. “A ideia era fazer os alunos pensarem o que são as plantas e os seus benefícios”.

Mudas foram distribuídas sobre uma mesa para os alunos tocarem as folhas e sentirem o cheiro, ou seja, atividades interativas que finalizaram com o plantio dos vasos nas dependências do CEU. Foi ainda pedido a eles para tirarem fotos das plantas que tinham em suas casas: o fato de ser uma das zonas menos arborizadas na cidade de São Paulo se refletiu no feedback dado pelas crianças – segundo a pesquisadora, “eles diziam que o verde estava presente somente nas áreas internas das casas, e não nas ruas”.

O segundo encontro destinou-se à identificação das áreas para plantio no CEU, utilizando o potencial das plantas para o embelezamento das áreas, além de outros usos, como hortas e plantação de árvores. Foram discutidas, de maneira didática e prática, técnicas de jardinagem com o auxílio da bióloga e consultora do projeto, Assucena Tupiassú, com conteúdos possíveis de serem replicados nas casas dos alunos.

As equipes da Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais e do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do IPT também inseriram no escopo do projeto a criação, pelos próprios alunos, de uma proposta de trabalho a fim de melhorar os espaços de convivência no próprio CEU, que foi o tema do terceiro encontro.
...e o plantio de uma cerca viva, de árvores e o planejamento da paisagem foram os temas escolhidos.
 
A primeira turma decidiu realizar o plantio de uma cerca viva ao lado da piscina para garantir a privacidade dos usuários; a segunda optou por plantar árvores, e cinco mudas foram doadas pelo Viveiro Manequinho Lopes. O projeto da terceira turma envolveu o planejamento da paisagem, todos realizados nos dois últimos do cronograma.

Paralelamente à realização das oficinas, uma produtora audiovisual registrou os trabalhos para a elaboração de um vídeo sobre o projeto, que tem previsão de lançamento no mês de dezembro. Um guia está também sendo montado com os conteúdos fornecidos durante os encontros para disseminação em outras escolas, o qual deverá ser lançado em abril de 2018. Dez escolas públicas (ou privadas) e cinco CEUs serão visitadas para a divulgação das experiências e dos resultados do projeto.

“Foi desafiador elaborar o projeto porque as equipes técnicas pensam comumente em resolver – ou, pelo menos, ajudar a solucionar – problemas ambientais, com pesquisadores e técnicos como atores principais”, explica a pesquisadora. “Não bastava apenas olhar a comunidade e indicar locais para a realização dos plantios, mas sim pensar em transformação social a partir das competências das equipes do IPT. Ainda não sabemos o que essa experiência mudará na vida dos alunos, mas o fato de elas botarem a mão na massa é muito importante porque aumenta a autoestima”.