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  04.01.18

Contra gua e poeira


Fabricante de malas e cases realiza ensaios no IPT para adequação aos mercados nacional e internacional


Para atender às demandas dos mercados nacional e internacional quanto às exigências de proteção contra líquidos e partículas sólidas, a fabricante de malas e cases Maligan buscou auxílio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e da Associação Latino-Americana de Materiais Compósitos (Almaco) e se tornou a primeira empresa a se beneficiar do termo de cooperação firmado entre as duas instituições no mês de junho de 2017, que prevê o apoio tecnológico às micro e pequenas empresas que utilizam materiais compósitos em suas linhas de produtos.

A Maligan iniciou em 1978 a fabricação de malas em plástico reforçado com fibras de vidro (fiberglass) e hoje tem uma série de produtos em compósitos que representam 50% de seu portfólio. Até a procura pelo atendimento tecnológico no IPT, a empresa não havia buscado nenhuma ferramenta de apoio para adequação e execução de ensaios e tampouco realizado testes em outras instituições.

As novas exigências dos mercados, no entanto, provocaram uma mudança na estratégia da empresa: “Em participações nas feiras, percebemos a necessidade de oferecer produtos herméticos com graus de proteção IP-67, que já existem no mercado internacional”, explica Marcelo Sartore, diretor da Maligan, referindo-se à necessidade de verificação da conformidade dos produtos a exigências de proteção contra poeira e água de modo a garantir a integridade dos materiais transportados.

Após a participação na décima edição da LAAD Defence & Security 2015, que é a mais importante feira dos setores de defesa e segurança da América Latina, Sartore explica que a empresa consolidou a ideia de entrada em um novo nicho de mercado e decidiu investir em ferramentais para lançar uma linha de malas e cases herméticos que pudesse atender às solicitações tanto das Forças Armadas no Brasil quanto de clientes dedicados a operações offshore.

ENSAIOS – Cinco amostras de dimensões variadas foram usadas para a realização dos ensaios.
Ensaio para verificação da proteção contra a entrada de poeira foi realizado em uma câmara fechada durante oito horas
 
As malas possuem uma construção especial feita de material impermeável, dotadas de um flange de assentamento plano entre o corpo da mala e a sua tampa, borracha de vedação e fechos distribuídos ao longo do perímetro, com rebites e parafusos dos puxadores, fechos, dobradiças e rodízios fixados de modo a evitarem a passagem de poeira ou água.

Os ensaios foram realizados utilizando-se a norma ABNT NBR IEC 60529, que estabelece parâmetros para a avaliação de invólucros de equipamentos elétricos a fim de verificar a proteção contra a entrada de objetos sólidos e de líquidos e também contra o acesso a partes perigosas. “Foram feitos testes para a verificação dos graus de proteção IP 67: o primeiro digito – 6 – refere-se à proteção contra a entrada de poeira e o segundo digito – 7 – diz respeito à proteção contra imersão temporária em água”, explica o pesquisador Luiz Eduardo Joaquim, do Laboratório de Equipamentos Elétricos e Ópticos do IPT, que foi o responsável pela execução dos ensaios.

O ensaio para a verificação da proteção contra a entrada de poeira foi realizado em uma câmara fechada durante um período de oito horas; o ensaio para verificação da proteção contra a entrada de água foi feito com a imersão das amostras em um período de 30 minutos. “Para a realização deste ensaio foi necessário adicionar lastros no interior de cada mala devido à influência da força de empuxo. A massa foi calculada em função do volume de cada mala, da densidade aproximada da água e da aceleração da gravidade”, completa o pesquisador.

NOVOS MERCADOS – A parceria IPT/Almaco apresenta às filiadas paulistas da associação programas de apoio à P&D&I assim como os serviços do Núcleo de Atendimento Tecnológico à Micro e Pequena Empresa do IPT. A unidade do Instituto tem expertise no atendimento à micro e pequenas empresas com diversos programas, que envolvem gestão da produção, qualificação de produtos para os mercados interno e externo, unidades móveis para atendimento no chão de fábrica e produção mais limpa.

“Para isso, as empresas contam com o apoio financeiro do Programa de Apoio Tecnológico às Micro, Pequenas e Médias Empresas, do governo estadual paulista, e também do Sibratec (Sistema Brasileiro de Tecnologia), do governo federal”, explica Mari Katayama, diretora do núcleo do IPT.

Com a adesão ao programa de apoio, a Maligan obteve uma redução significativa no custo para a realização dos ensaios no IPT, que chegou a um quinto do valor original. A qualificação técnica comprovada pelos testes no laboratório irá permitir uma maior credibilidade à linha de produtos, completa Sartore: “Para o mercado nacional, a demonstração da conformidade dos produtos oferecerá melhores condições de atender ao Exército Brasileiro; internacionalmente, a ideia é ampliar a linha de produtos à prova d’água no cadastro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, o que permitirá oferecer o nosso portfólio às forças armadas de qualquer país”.