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29.04.11
Desmaterialização do produto
Pesquisadora do IPT explica tendência ao Sistema Produto-Serviço, PSS na sigla em inglês, no rumo da sustentabilidade
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| Cláudia Teixeira, pesquisadora e especialista em engenharia ambiental: “O apelo ambiental deve ter por base dados técnicos e científicos sólidos e não simples peças publicitárias” |
Um sistema produtivo que valoriza a função, a utilidade e nem tanto o produto em si, em que produto e serviço estão associados. Por exemplo, paga-se hoje pelo sinal digital da TV a cabo, independentemente do modelo de televisor. Isto é o que se chama tecnicamente de “desmaterialização do produto”.
Para Cláudia Echevenguá Teixeira, doutora em Engenharia Ambiental e pesquisadora do Centro de Tecnologias Ambientais e Energéticas do IPT, o foco é vender a utilidade, a funcionalidade, e não necessariamente o produto em si. “A associação de produtos e serviços não é nova, como exemplos temos o caso das máquinas de fotocópias, serviço inicialmente implementado pela empresa Xerox, as lavanderias e os leasings, entre outros. O que mudou, então? Mudou o eixo da discussão sobre como as estratégias para minimização de impactos ambientais, por meio do chamado ecodesign, podem contribuir para a sustentabilidade do planeta.”
A desmaterialização do produto pressupõe menos energia e matéria-prima agregada.
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| Leasing de automóveis é um exemplo do Sistema Produto-Serviço. Crédito da imagem: "What's Mine Is Yours: The Rise of Collaborative Consumption," Rachel Botsman & Roo Rogers, editora Harper Collins |
Sustentabilidade tornou-se um nicho de mercado crescente e cada vez mais importante, mas Claudia alerta para o apelo ambiental como uma tendência que vai muito além das estratégias comerciais e de marketing das empresas. “O consumidor consciente e exigente é um elo importante, mas o pano de fundo na cadeia produtiva são as estratégias empresariais ambientalmente equilibradas", afirma ela. "A base para avanços no sentido da desmaterialização de produtos está nas pesquisas, novos processos e novos métodos, mas dependem de aferições e avaliações do ciclo de vida que permitem chegar a conclusões consistentes. Ou seja, o apelo ambiental deve ter por base dados técnicos e científicos sólidos e não simples peças publicitárias".
Há exemplos práticos como a Diretiva RoHS europeia, que permitiu diminuir a concentração de substâncias perigosas em produtos industriais. A pesquisa tecnológica para um sistema como o PSS deve contemplar, além da redução de substâncias tóxicas, a reciclagem e o aumento da eficiência energética, entre outros aspectos relevantes.
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