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  17.11.15

Maior avio em Guarulhos


A380, maior avião de passageiros do mundo, pousa pela 1ª vez no Brasil; IPT atua no apoio tecnológico às pistas


O Aeroporto Internacional de Guarulhos recebeu no último final de semana o A380, maior avião de passageiros do mundo. A autorização foi dada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a uma operação da aeronave da Emirates na rota Dubai – São Paulo – Dubai, que pousou às 19h09 do dia 14 de novembro, com 350 passageiros a bordo, e partiu na manhã seguinte, com 268 viajantes. 
A380 da Emirates em Guarulhos: pistas do aeroporto contaram com apoio tecnológico do IPT - Foto: GRU Airport / Divulgação
 


Com capacidade total de 555 passageiros, o A380 é conhecido por suas suítes privativas da primeira classe, por espaços de sociabilidade e por seus shower spas. Para receber uma aeronave desse porte – são 72,7 metros de comprimento e 24,1 de altura –, os investimentos nos sistemas de pistas e pátios do aeroporto, assim como a construção do Terminal 3, que foi concebido com cinco posições para o estacionamento de aeronaves A380, foram fundamentais. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) esteve envolvido em diversos trabalhos de apoio tecnológico às obras já entregues, e mantém ainda um contrato para as atuais melhorias que estão sendo feitas no aeroporto.

As pistas do aeroporto e os pátios do TPS 3 que receberam o A380 contaram com o trabalho de equipes do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura do IPT, que participaram das avaliações das misturas mais adequadas para o uso nas obras de pavimentação, em projeto iniciado em 2013 e finalizado no primeiro semestre de 2014.

Um dado relevante na formulação da mistura são os requisitos de aderência para pista de pouso e decolagem, de acordo com a resolução número 236 da Anac. Segundo Rubens Vieira, da Seção de Geotecnia, o contato pneu-pavimento é essencial nas operações de decolagem e de aterrisagem das aeronaves, e a agência exige o monitoramento de índices como coeficiente de atrito e profundidade da macrotextura.
Necessidade do controle de atrito é uma das principais diferenças consideradas na formulação das misturas asfálticas destinadas às pistas de aeroportos em comparação às de vias urbanas
 


Esse controle de atrito é uma das principais características que diferencia a formulação das misturas asfálticas destinadas às pistas de aeroportos e aquelas utilizadas em vias urbanas. “O revestimento da pista é fabricado com materiais pétreos retirados de pedreiras, que são britados e dosados, e em seguida esta combinação de agregados é misturada a um cimento asfáltico do petróleo de fórmula mais resistente do que a usual”, explica Vieira.

A aderência dos pneus da aeronave às pistas é em muito determinada pelo pavimento, e suas propriedades são estabelecidas em avaliações de macro e microtextura. Uma característica das misturas escolhidas para as obras em Guarulhos é a presença de cal na fórmula, uma alternativa de custo mais baixo e menor toxicidade em relação aos tradicionais aditivos químicos dopantes empregados para aumentar a aderência dos agregados ao cimento asfáltico.

Nas análises das misturas mais adequadas para o uso nas obras de pavimentação, o trabalho do IPT avaliou as especificações em relação à granulometria, ao teor de ligante e à densidade da mistura, ensaiando em laboratório seus comportamentos. Os resultados do relatório indicaram qual mistura estava adequada para a produção em usina. Uma equipe do Laboratório de Materiais de Construção Civil também ofereceu apoio tecnológico na avaliação dos pátios, em que algumas áreas previam o uso de pavimento de cimento Portland.

Finalizada a pista, o IPT fez o acompanhamento dos ensaios realizados pela empresa responsável pelo controle tecnológico, a fim de avaliar a condição estrutural da pista especificada em projeto, por meio de ensaios com equipamento de viga Benkelman.

Os pesquisadores acompanharam ainda a análise dos resultados do controle tecnológico dos concretos nas pistas e nos pátios feito por laboratório contratado pela construtora, auxiliando nos procedimentos de correção de problemas ocorridos durante a execução do pavimento no local. “O objetivo do trabalho foi apoiar a construtora e a concessionária quanto à qualidade do pavimento, de modo a garantir o desempenho especificado em projeto e minimizar a possibilidade de aparecimento de patologias durante sua vida útil”, finaliza Vieira.