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  08.12.15

Olimpada e tecnologia


Nos jogos, tecnologia é crucial para evolução das modalidades, organização do evento e maior integração com o público


Os Jogos Olímpicos são considerados o maior evento esportivo do planeta, envolvendo cerca de 10 mil atletas, mais de 200 países, 42 modalidades esportivas e quase 1.000 medalhas em disputa. Na última Olimpíada, realizada em Londres em 2012, o Reino Unido investiu 11 bilhões de euros para promover o evento. O Brasil, próxima nação a sediar os jogos, que acontecerão de 5 a 21 de agosto de 2016 no Rio de Janeiro, planeja gastar mais de 38 bilhões de reais, incluindo as obras de infraestrutura. Para além dos recursos, é preciso muita tecnologia para colocar de pé esse megaevento.
Jogos, que serão realizados entre 5 e 21 de agosto de 2016 no Rio de Janeiro, exigem investimentos de 38 bilhões de reais
 


Tecnologia para preparar e vestir o atleta. Para edificar os lugares onde o espetáculo acontece. Para melhorar a performance de alguns esportes. Para medir os resultados. E tecnologia para transmitir de maneira exata, segura e eficiente o que acontece nas arenas a todos os cantos do mundo. Afinal, nos 17 dias em que transcorrem os jogos, a audiência acumulada é de quatro bilhões de espectadores em todo o planeta. Segundo informações oficiais do Portal Rio 2016, cerca de R$ 1,4 bilhão do montante destinado às despesas para a Olimpíada será gasto com tecnologia, sobretudo em TI. Em entrevista ao Computerworld Brasil (portal Terra), Elly Rezende, diretor de tecnologia da informação dos jogos, afirmou que são mais de 130 pessoas trabalhando na área.

Desde a cronometragem e medição que garantem resultados cada vez mais precisos nas modalidades, até a transmissão de pontuação, quadro de medalhas e programação das competições em tempo real para a cobertura dos meios de comunicação, a ideia é fazer dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro um evento de integração e conectividade. Uma das novidades para 2016 é que parte dos sistemas de TI, entre eles o Portal do Voluntário e o sistema de credenciamento que permitirá o acesso ao Parque Olímpico, será hospedado em ‘nuvem’, o que reduz a necessidade de servidores físicos ao oferecer armazenamento remoto aos dados. De acordo com o pesquisador Alessandro Santiago dos Santos, do Centro de Tecnologia da Informação, Automação e Mobilidade do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), essa inovação traz diversos desafios.

“Uma infraestrutura em nuvem pode transparecer um ambiente confiável, escalável e de baixo custo. No entanto, para chegar a esses atributos, muito investimento em P&D deve ser feito, principalmente se associarmos os desafios de segurança da informação em um ambiente de nuvem. Por outro lado, a tecnologia deve possibilitar que um número maior de aplicações possa usufruir de dados abertos disponibilizados, e assim criar um ambiente colaborativo de desenvolvimento para expandir a capacidade do País em fornecer serviços aos turistas, atletas e cidadãos”, ressalta Santos.

Vale lembrar que na Olimpíada de Londres, em 2012, foi possível a entrega de resultados em tempo real para o público graças a uma rede sem fio de alta densidade, que permitia o envio de imagens e informações por meio do site oficial e aplicativos para celulares. Além disso, o sistema INFO (plataforma com resultados, textos sobre as competições e declarações de medalhistas) pôde ser acessado pela primeira vez na história pelo computador dos próprios jornalistas.

IPT realiza ensaios de bola de futebol no túnel de vento; Brazuca também foi testada
 
As evoluções que vão ocorrer em 2016, segundo o diretor de tecnologia dos jogos, dizem respeito a aplicativos móveis, a serviços de apoio aos árbitros para tomadas de decisões em impasses e a entretenimento para o espectador nas instalações esportivas. Para o pesquisador do IPT, a Olimpíada é um momento importante para o desenvolvimento da Tecnologia da Informação: “Hoje observamos que algumas dúvidas de arbitragem são esclarecidas com recursos tecnológicos, como a visão computacional, que ajuda o árbitro a decidir se uma bola foi dentro ou fora em partidas de tênis e voleibol. Por um outro olhar, esta Olimpíada será inundada pela febre dos smartphones, com o uso intensivo de redes sociais ou aplicativos móveis, que deve ser maior que nos jogos anteriores. Tudo isso propicia e alavanca um desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação”, afirma Santos.

TECNOLOGIA PARA ALÉM DA INFORMAÇÃO - A importância da circulação rápida e eficiente da informação durante os Jogos Olímpicos é indiscutível, mas a tecnologia pode ser evidenciada em muitos outros campos do esporte, tanto estruturais quanto instrumentais. Na Olimpíada de Londres, por exemplo, foi utilizada pela primeira vez uma pistola a laser nas provas de pentatlo moderno. Também foi iniciativa original dos ingleses o uso de meias com sensores no taekwondo.

O IPT mostrou que tecnologia e esporte caminham juntos atuando em outro megaevento, a Copa do Mundo de Futebol de 2014. No túnel de vento do Instituto foram testadas as bolas utilizadas no mundial. O objetivo do estudo era verificar se a Brazuca, protagonista da Copa, assim como bolas utilizadas em outros campeonatos brasileiros e de fora do país, estavam de acordo com os requisitos da Fifa, e qual poderia ser o desempenho dos atletas com cada uma delas, a partir de suas características físicas e aerodinâmicas. Até mesmo maquetes do Estádio Castelão, em Fortaleza, e da Arena Pantanal, em Cuiabá, foram ensaiadas no túnel para dar confiabilidade aos projetistas no pré-projeto de coberturas e fachadas das construções.

Testes em gramado sintético avaliam comportamento da bola e desempenho do atleta
 
É o mesmo caso do Laboratório de Tecnologia Têxtil, que realizou testes de impacto vertical dos atletas e de deslizamento da bola na grama sintética em 2014. “O gramado sintético é avaliado em laboratório e em campo, após a instalação, de acordo com requisitos da FIFA. O objetivo principal é analisar o comportamento da bola e o desempenho do atleta no gramado, garantindo qualidade e segurança”, explica a pesquisadora Rayana Santiago de Queiroz.

Além dos ensaios em gramados, o laboratório também realiza testes de conforto termofisiológico em uniformes esportivos. “Para cada modalidade existe uma avaliação diferente, com exigências específicas. Basicamente, avalia-se a qualidade do produto e como ele afeta o desempenho do atleta no esporte”, detalha a pesquisadora. Outra competência do laboratório são os ensaios nas chamadas megacoberturas, lonas utilizadas para a cobertura de estádios e grandes instalações. Segundo Rayana, o foco dos testes está na verificação da resistência, durabilidade e inflamabilidade do material utilizado, a fim de conferir segurança aos presentes no evento.