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  09.12.15

Inovao em servios


Especialistas falam sobre inovação tecnológica com foco no usuário final em seminário promovido pelo IPT


O seminário ‘Gestão da Inovação em Serviços’, promovido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) no dia 3 de dezembro, contou com gestores e especialistas de entidades inovadoras, que compartilharam suas experiências e debateram as melhores formas de promover e gerir a inovação no mercado brasileiro. A maioria dos palestrantes destacou o impacto que as novas tecnologias devem produzir na sociedade, a fim de que sejam úteis aos usuários finais e vantajosas às instituições que as desenvolverem. 


Mesa de abertura do evento (da esq. para dir.), com Maurício Juvenal (SDECTI), Fernando Landgraf (IPT) e Juan Quirós (Investe SP)
 
O evento contou com seis palestras e uma apresentação inicial do diretor-presidente do IPT, Fernando Landgraf, que compôs a mesa de abertura com Juan Quirós, presidente da Investe São Paulo, e Maurício Juvenal, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Landgraf lembrou que o Brasil está na 75º posição no ranking de países mais competitivos, pontuando o posicionamento do IPT frente a essa questão: a meta do Instituto é que, até 2018, 40% de suas receitas sejam advindas da inovação. Em seguida, focado na multidisciplinaridade da instituição e dos palestrantes presentes, propôs a discussão: “Como lidar com a gestão da inovação num ambiente com tantas competências diferentes?”.

O QUE É INOVAÇÃO? – Na definição do palestrante Marcos Bruno, professor da FEA/USP e da Universitá Luigi Bocconi, da Itália, inovação é sobretudo aquilo que tem consequência econômica, daí a importância da empresa no processo. O espaço para a inovação, de acordo com o professor, existe; é preciso usar as ferramentas mais adequadas para poder atingi-la. “Uma delas, não há dúvida, é focar no usuário/consumidor”.

Alberto Paradisi, vice-presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Comunicações (CPqD), também destacou o papel do usuário na gestão da inovação de serviços: “A tecnologia não deve ter significado em si própria, ela deve existir para melhorar a experiência do usuário. Nesse contexto, inovação é uma equação complexa de variáveis imaginárias, mas ela começa e termina no mercado. Nós, como instituições de pesquisa, temos que acompanhar o mercado e promover e construir um futuro inovador”.

PAPEL DO GOVERNO – O evento trouxe também o papel das instituições governamentais no incentivo à inovação. Juan Quirós, da Investe São Paulo, citou o momento de crise pelo qual passa a economia brasileira, afirmando que universidades e institutos de pesquisa são fundamentais no desenvolvimento de tecnologias em parcerias com as empresas, principalmente visando a exportação: “Hoje, quando falamos em exportação, acessar mercados passa principalmente pela inovação da aplicação do produto final. O fator determinante para a exportação é a inovação. Se o empresário tiver um produto em que a aplicação tecnológica não esteja no nível global, não adianta o preço: inovação é a essência”.

Maurício Juvenal destacou o papel da secretaria nas parcerias, além de ressaltar que a sociedade não deve apenas se beneficiar das inovações, mas ter consciência da importância dos investimentos feitos nessa área. “Buscamos dar sustentação para que os projetos aconteçam. Queremos traduzir para a população a importância do trabalho desenvolvido pelo pesquisador, e que o investimento governamental será revertido em tal vantagem competitiva do ponto de vista empresarial, ou tal vantagem social, o que vai mudar a vida das pessoas”, salientou.

Flávia Motta, gerente da Coordenadoria de Planejamento e Negócios do IPT, apresentou a atuação do Instituto no âmbito da Embrapii. “A academia é forte e ativa, tem gerado conhecimento, e do outro lado, temos empresas querendo gerar novos produtos e processos a partir da inovação. Aquilo produzido na academia deve chegar à indústria”, explicou. Segundo ela, a parceria entre empresas e instituições de P&D em ciência e tecnologia com o financiamento público da Embrapii facilitou o desenvolvimento de projetos inovadores, uma vez que diminuiu os riscos associados ao investimento privado. Isso também ajudou as instituições de pesquisas com relação à identificação dos nichos de mercado que mais demandam inovação, à transferência de tecnologia e à velocidade com que essa tecnologia pode impactar a sociedade.

Roberto Agune e Álvaro Gregório, da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo, focaram sua apresentação nos esforços da área para estimular nos setores do governo uma nova abordagem para a definição dos serviços públicos, tendo como premissa o design thinking. Essa metodologia facilita a compreensão dos problemas, coloca o foco no usuário e propõe uma ressignificação dos serviços. É preciso repensar, alerta Gregório, o papel de algumas instituições e serviços, a exemplo das escolas, museus e bibliotecas, pois as demandas da sociedade passam por constantes transformações. O design favorece essa reflexão, pois prevê uma cocriação com o público alvo. “A metodologia começa com a empatia, ou seja, colocar o sapato dos outros e ver o caminho que ele faz”, apontou Gregório. A partir do design thinking, a ideia é criar novas interfaces entre governo e usuário, de maneira que a redefinição dos serviços possa oferecer o que ele tem de mais significativo à população: a experiência.
Luiz F. L. Reis, do Hospital Sírio-Libanês: "inovação se dá de fora para dentro"
 


EXPERIÊNCIAS NA SAÚDE – Luiz F. L. Reis, superintendente de pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, e Flávia Helena da Silva, coordenadora de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Fleury, compartilharam suas experiências de gestão da inovação relacionada à saúde.

Reis explicou que a gestão da inovação em qualquer instituição deve partir da visão e iniciativa de seu corpo diretivo mais alto, para que se crie uma cultura da inovação em que os gastos não serão vistos como despesas, e sim como investimentos. Além disso, ressaltou que há uma diferença entre a geração de conhecimento e a geração de inovação, nos quais os papéis da instituição, do mercado e do usuário final são bem definidos. “O processo de geração de conhecimento é a transformação de recursos financeiros em pesquisas. A inovação de fato se dá de fora para dentro: é a transformação do conhecimento produzido em recursos, dando a ele uma aplicabilidade. É o caminho de volta, que só fará sentido se tiver uma utilidade”, ponderou.

Reis citou que o hospital criou uma plataforma em que os colaboradores podem disponibilizar suas ideias. Caso tenham potencial, as ideias podem ser desenvolvidas pela instituição, e mesmo as outras recebem um feedback, a fim de que as propostas sejam aprimoradas ou repensadas. Um procedimento semelhante foi implantado no Laboratório Fleury, no qual a inovação também acontece de fora para dentro. A empresa mantém aberta uma plataforma em que clientes, médicos e colaboradores podem cadastrar ideias. Com mais de oito anos de existência, a plataforma já recebeu 21 mil ideias, das quais 1.143, ou 5,2%, foram implantadas. O Fleury trabalha, assim, com um mapeamento contínuo de oportunidades.

Além dessa central, o laboratório possui uma área institucionalizada de P&D, responsável por três blocos de atuação: gestão de novos produtos, de projetos de pesquisa e de propriedade intelectual. “O P&D pode ser o início da caminhada bastante próximo à bancada científica, mas ele movimenta todas as demais vertentes da empresa. É preciso implantar uma experiência, não um produto”, afirma Flávia. Esse é o grande desafio do Fleury: partindo do pressuposto de que a experiência do cliente, seja ele paciente ou médico, é fundamental, a inovação não se restringe a um produto, mas a uma experiência completa na relação entre usuário e laboratório determinada pela mudança. Como as tendências apontam para uma medicina mais personalizada, participativa, preventiva e preditiva, os cenários exigem rápidas adaptações. “Inovação deve ser disciplina e não uma moda, e tem que gerar sustentabilidade”, defendeu Flávia.

O evento deixou claro que gerir a inovação em serviços envolve muitos desafios. Como finaliza o professor Marcos Bruno, há duas visões predominantes para a gestão da inovação: é possível se inspirar na administração tradicional de uma fábrica, em que são priorizadas a produção em massa, o baixo custo, a padronização, a eficiência e a baixa flexibilidade, mas também é possível operar como um teatro, em que predominam a emoção, a experiência, a customização, a flexibilidade e o relacionamento. Em ambos modelos há indicações às quais se deve atentar. “Se por um lado a questão da experiência e da intimidade com o usuário é fundamental, a padronização é necessária porque está ligada à qualidade do serviço”, concluiu ele.

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