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  16.12.15

gua no currculo escolar


Alunos do ensino fundamental de S.Paulo apresentam trabalhos de conclusão de curso; manual de água de chuva do IPT foi fonte


Consciência ambiental se constrói desde a infância e a adolescência: os alunos do nono ano do ensino fundamental da Escola Municipal Nilce Cruz Figueiredo, localizada no bairro paulistano de Lauzane Paulista, acabam de apresentar os trabalhos de conclusão de curso que tiveram como tema a água. Para a elaboração dos projetos, eles contaram não somente com dados coletados em livros e na Internet, mas também com atividades em campo como a visita feita ao IPT no dia 24 de setembro para conversar com o pesquisador Luciano Zanella, do Centro Tecnológico do Ambiente Construído, responsável pela elaboração do manual de uso de água de chuva.

Os dados coletados durante a visita feita ao IPT no mês de setembro auxiliaram o grupo na elaboração de um dos projetos de Trabalho Colaborativo de Autoria (TCA), que é bastante semelhante aos trabalhos de conclusão de curso do nível superior e tem como objetivo desenvolver a construção de conhecimento contextualizado para estudantes de ensino fundamental.
Modelo de reservatório para captação direta de água de chuva com abertura automática foi um dos projetos dos alunos
 
Os professores definiram o tema ‘Água’ para a elaboração do TCA em razão da crise hídrica, os alunos das classes se dividiram em grupos e cada um tratou de um determinado subtema.

O professor de História abordou os rios da cidade de São Paulo, a professora de Geografia coordenou a produção de um jornal e o professor de Matemática trabalhou com dados coletados a partir das contas de água residenciais e da escola para elaborar gráficos de consumo. A professora de Português discutiu com os alunos a importância de economizar água e a busca por soluções – um dos resultados foi a idealização de um modelo de reservatório para captação direta de água de chuva com abertura automática, montado a partir das peças de um ventilador e equipado com um sensor DHT11 de umidade e temperatura, pelo grupo coordenado pelos alunos Mathaus Oliveira Gomes e Michael Silva de Araújo.

“Os desdobramentos alcançados pelo manual de aproveitamento de água de chuva têm sido enriquecedores e demostram uma forma nova de colaboração do IPT diretamente com a população. É uma forma de comunicação inovadora para a instituição com potencial de se perpetuar”, afirma Zanella.

LIÇÃO DE CASA – Os alunos elaboraram trabalhos escritos, fizeram apresentações orais para uma banca composta pelos professores e, o mais importante, levaram as informações adquiridas para dentro de casa: uma comparação da redução no consumo de água foi feita entre os estudantes e a ‘vencedora’ foi Kaline Souza. Moradora de um conjunto de três casas, em um total de 11 pessoas, as novas práticas de uso consciente que foram colocadas em prática resultaram em uma queda no consumo de 38 metros cúbicos para 24 metros cúbicos.

Os exemplos não param aí: o aluno Rafael Luís da Silva conta que, em sua casa, “moramos em cinco pessoas e conseguimos reduzir os valores da conta mensal de água que girava em torno de R$ 200 para R$ 75 a partir da instalação de torneiras automáticas na cozinha e no banheiro e também da diminuição do tempo de banho”. As águas cinzas, denominação que recebe a água residual gerada a partir de processos domésticos como lavar roupa, também passaram a ser aproveitadas nas casas dos alunos Wagner Rodrigues Rufino e Thauany Martins para a limpeza de quintais.

E a consciência política também fez parte da educação dos alunos durante o desenrolar do projeto: um abaixo-assinado para a implantação de um sistema de captação de água de chuva foi entregue pelos alunos para a Diretoria Regional de Educação da Subprefeitura Jaçanã-Tremembé. “É gratificante observar que um trabalho desenvolvido para informar o cidadão tem o poder de despertar o interesse pela preservação ambiental, ciência e tecnologia. A informação tecnológica colocada de maneira acessível e o empenho de educadores são importantes para despertar a criatividade e a consciência ambiental dos alunos, além de colaborar na formação de uma geração preparada para observar e entender o mundo que a cerca e inovar”, afirma Zanella.