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  22.01.16

Museu da Lngua Portuguesa


IPT realizou trabalho emergencial pós-incêndio, auxiliando na liberação das plataformas da CPTM


Instalado no histórico prédio da Estação da Luz, no centro de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006 e está entre os espaços culturais mais visitados da capital. Instância de celebração e valorização da língua, o museu sofreu um incêndio de grandes proporções no dia 21 de dezembro de 2015. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) esteve no local antes mesmo do fogo ser totalmente controlado, com o objetivo de avaliar os riscos estruturais e as providências a serem tomadas para garantir a segurança dos usuários das plataformas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que foram interditadas depois do acidente. Duas equipes do IPT estiveram envolvidas na assessoria técnica contratada pela CPTM: a Seção de Engenharia de Estruturas e a Seção de Geotecnia.
Equipe do IPT chega ao local do incêndio para vistorias técnicas
 


O trabalho da Seção de Engenharia de Estruturas foi dividido em duas etapas: primeiramente, enfocando a edificação como um todo, foi feita a identificação das condições estruturais do prédio do museu, contíguo às quatro plataformas de operação da CPTM. O intuito era verificar o status das estruturas que suportam os esforços previstos na vida útil do edifício e a existência de patologias nas partes mais afetadas do prédio, localizadas no 3º andar, o que poderia interferir na sustentação da edificação. Na sequência, o trabalho do IPT foi o de fornecer orientações para que a CPTM executasse medidas de reforço estrutural que garantiriam a estabilidade das partes construtivas mais atingidas e, com isso, a segurança dos passageiros que transitam pelo local.

Depois de quase 24 horas de trabalho, o IPT apresentou o primeiro relatório, no dia 22 de dezembro, que foi entregue à CPTM e também às secretarias estaduais de Cultura e de Transportes Metropolitanos, à Defesa Civil do Estado de São Paulo e à Defesa Civil do Município. De acordo com o pesquisador José Theophilo Leme de Moraes, as inspeções visuais mostraram que as partes mais prejudicadas foram as tesouras da cobertura. “Nossa maior preocupação foi com as tesouras da parte superior, que ficaram totalmente destruídas. Além de fazerem parte da cobertura, elas cumpriam o papel de travar os painéis localizados nas laterais extremas do edifício, que por isso tiveram sua condição de estabilidade prejudicada. Essas paredes, outro componente estrutural importante, eram constituídas por alvenaria de tijolos de barro cozido e apresentavam boas condições.”
Vista geral aérea do 3º pavimento do museu logo após incêndio, com destruição total das tesouras da cobertura
 


Feito esse levantamento, as principais recomendações do IPT que constaram do primeiro relatório foram para garantir a estabilidade das paredes laterais. “Orientamos a substituição das tesouras danificadas por cabos de aço, fazendo o atirantamento dos painéis, e a instalação de grades de escoras como complemento dos cabos de aço, compostas por malhas de peças metálicas e apoiadas no piso da laje de cobertura, com o intuito de travar qualquer movimentação diferencial entre as paredes”, explicou o pesquisador. Outras orientações foram a limpeza da área, assim como a criação de um sistema de drenagem para evitar o acúmulo de água da chuva e a consequente sobrecarga atuante sobre a laje. Ações para mitigar a ação do vento, como manter as janelas abertas para diminuir o impacto às estruturas, também estavam entre as recomendações.

Execução das recomendações feitas pelo IPT: painel reforçado com tirantes (cabos de aço) e escoras da grade metálica
 
A equipe do IPT, integrada também pelo pesquisador Ciro Villela Araujo e pelos técnicos Edivan Nogueira Batista e Sebastião Carlos Crispin, voltou ao museu nos dias que se seguiram para avaliar a execução das orientações, realizada pela Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia, e oferecer novas recomendações. Na inspeção final, realizada no dia 30 de dezembro, os trabalhos mostraram-se satisfatórios, de maneira que a CPTM liberou as plataformas 1, 2 e 3 no dia 31 de dezembro para uso da população.




ENSAIO SÍSMICO - No dia 2 de janeiro outro procedimento foi realizado pelo IPT, a fim de complementar as inspeções feitas até então: um ensaio do efeito dinâmico (sísmico) sobre a construção provocado pela passagem dos trens de carga na Estação da Luz, conduzido pelo pesquisador Luis Carlos Ribotta, da Seção de Geotecnia. Para determinar os níveis de vibração sísmica que atingem o prédio com a passagem de trens na Luz, foram instalados na parede do museu ao lado da estação e na parede oposta (Parque da Luz), no 3º piso da edificação, sismógrafos de engenharia digitais triaxiais, com transdutores de velocidade de partícula, dispostos triortogonalmente.

No monitoramento sísmico foram auscultadas as passagens de composições de carga nas plataformas 1 e 4. Nos testes circularam trens nas linhas individualmente e também nas duas plataformas, concomitantemente com trens de passageiros.
Detalhe da instalação do sismógrafo de engenharia, fixado na soleira da janela com uso de gesso
 
As composições circularam com cargas e velocidades variadas, a partir de informações fornecidas pela CPTM e considerando as condições dos carregamentos mais desfavoráveis.

Como resultados destes testes verificou-se que a passagem dos trens de passageiros não gerava vibrações nas estruturas do 3º piso e as geradas pelos trens de carga ficaram muito abaixo dos limites de danos especificados pelas normas que se aplicam aos painéis analisados, de maneira que foi também liberada a passagem dos trens de carga pela Estação da Luz.

Finalizado o trabalho emergencial, o IPT possui uma série de competências que podem contribuir nas fases posteriores de reconstrução da edificação, que foi anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo. A recomendação principal do relatório do IPT é que os órgãos competentes priorizem “a rápida reconstrução do Museu da Língua Portuguesa nas mesmas condições, ou melhores, em que se encontrava o prédio da Estação da Luz antes do sinistro, sobretudo pelo valor histórico e cultural do equipamento”, reitera Theophilo de Moraes.