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  04.03.16

Negcios em biotecnologia


Quatro novas unidades Embrapii apresentam suas linhas de atuação às indústrias em evento no IPT


A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), promoveu ontem, três de março, a 1° Rodada de Oportunidade de Negócios em Biotecnologia com o objetivo de apresentar ao grupo de 85 empresários e pesquisadores presentes ao evento o modelo de financiamento não reembolsável da organização para pesquisas da nova competência tecnológica, que foi incluída no rol da entidade em dezembro de 2015. O evento foi realizado no campus do IPT, em São Paulo.

As quatro unidades Embrapii recém-credenciadas para pesquisas em biotecnologia apresentaram seus laboratórios e linhas de atuação. É a primeira vez que se destinam recursos à área, prevendo investimentos totais de R$ 87,7 milhões. São R$ 29 milhões oriundos da Embrapii, enquanto o restante é rateado entre o centro de pesquisa e o interessado no projeto.

O IPT vai atuar como unidade Embrapii no desenvolvimento e escalonamento de processos biotecnológicos, o que inclui biofármacos, farmoquímicos, biomateriais, bioquímica de renováveis, biotecnologia ambiental, biodispositivos e biossenssores. Estão à disposição das indústrias soluções tecnológicas aplicadas como o desenvolvimento de processo de produção de intermediários químicos, o aproveitamento de resíduos agroindustriais, o tratamento de resíduos sólidos urbanos e a produção de biofármacos e bioinseticidas.

A pesquisadora Natalia Cerize lembrou que o Instituto atua na área de biotecnologia desde a década de 1970.
Representantes das quatro unidades e da Embrapii responderam às dúvidas da plateia: da esq. para dir, Murakami, Natalia, Pereira, Corseuil e Brasil
 
Como grande diferencial, está o fato de ser multidisciplinar, reunindo 12 centros tecnológicos, com capacitações variadas. “No IPT é possível contar com diversas competências no mesmo projeto, em uma atuação combinada que pode favorecer a indústria”, afirma ela.

A Embrapa Agroenergia foi apresentada pelo coordenador geral da unidade, Bruno Brasil. Ela vai atuar na área de bioquímica de renováveis, com foco em biocombustíveis. Entre suas soluções tecnológicas estão o desenvolvimento de microrganismos para produção de biocombustíveis e geração de energia, enzimas de origem microbiana para uso industrial e processos enzimáticos para transformação de biomassa e derivados.

Biotecnologias ambientais são a área de competência do Núcleo Ressacada de Pesquisas em Meio Ambiente (Rema/UFSC). O professor Henry Xavier Corseuil apresentou a unidade relatando casos de sucesso, como o software Solução Corretiva Baseada no Risco, único simulador de risco no mundo a considerar o efeito do etanol em derramamentos de gasolina. O Rema atuará com biorremediação, tratamento de resíduos, modelagem matemática de áreas contaminadas e biomonitoramento.

Mario Murakami, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), mostrou a abrangência da organização, que reúne laboratórios de luz síncrotron, de biociências, de nanotecnologia e de tecnologia de bioetanol. O centro vai oferecer soluções em processamento de biomassa, tanto no desenvolvimento de materiais avançados oriundos de biomassa como no processamento e aproveitamento energético de biomassas, como unidade Embrapii.

INVESTIMENTO EM INOVAÇÃO X CRISE – Fernando Landgraf, diretor-presidente do IPT, ressaltou na abertura do evento a importância da parceria com a Embrapii nos últimos três anos para o crescimento significativo de atividades técnicas associadas à inovação, que responderam em 2015 por 30% da receita total do Instituto:
Jorge Almeida Guimarães (à esq.) e Fernando Landgraf, diretores-presidentes da Embrapii e do IPT, respectivamente, formaram a mesa de abertura da 1° Rodada de Oportunidade de Negócios em Biotecnologia
 
“Estamos conseguindo atravessar a crise graças ao crescimento da relação com as empresas associadas à Embrapii, cuja linha de atuação estava anteriormente dedicada ao tema de novos materiais e, desde dezembro de 2015, também em biotecnologia”.

Ele lembrou ainda o investimento feito pelo governo de São Paulo na instalação do prédio do Núcleo de Bionanomanufatura, que abriga os laboratórios dedicados às pesquisas em biotecnologia, nanotecnologia, microtecnologia e metrologia de ultraprecisão, e irá oferecer a infraestrutura necessária para a nova linha de atuação: “Podermos aplicar este investimento feito pelo estado na execução das pesquisas para as empresas e para a sociedade brasileira, que é no final a grande beneficiária dos investimentos, é muito importante para o IPT”.

Crise também esteve presente no discurso de Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da Embrapii, mas em uma abordagem positiva lembrando que a palavra crise para os chineses também significa oportunidade. A presença reduzida de centros de P&D no País, tanto nas indústrias nacionais quanto em aquelas instaladas no Brasil com matriz no exterior, é um entrave para alavancar a inovação, mas a presença de mão de obra qualificada no País pode ser a saída para reverter esse quadro, acredita ele.

“As agências federais e estaduais financiaram substancialmente a formação de quadros de pesquisadores nas seis últimas décadas. Temos áreas em que o País tem atuação destacada no mundo. Se as empresas não têm centros de P&D, elas precisam buscar os pesquisadores em outros locais e a maioria deles está nas universidades e nos institutos de pesquisas”, afirma ele. “A crise pode impulsionar os avanços em inovação por meio do uso desses recursos humanos, e a Embrapii foi criada para desempenhar este papel, começando a atuação pela academia e identificando grupos com experiência ou missão em determinados temas. Tudo no Brasil é muito recente e a cooperação entre empresas, institutos de pesquisa e universidades precisa de um plano de longo prazo”.

Grupo de 85 empresários e pesquisadores conheceu as competências das quatro unidades Embrapii e teve a oportunidade de discutir projetos com as instituições
 
O diretor de operações da Embrapii, Carlos Eduardo Pereira, apresentou o modelo de apoio à inovação da entidade e fez um balanço dos projetos em desenvolvimento, ou finalizados, no período de 2014 e 2015, excluindo a etapa do projeto-piloto: foram 72 projetos (20% dos quais nos segmentos de eletroeletrônica/informática e 18% em metalmecânica) em contratos assinados com 50 empresas, em um investimento total de R$ 126 milhões, dos quais 23% destinados ao setor aeronáutico e 13% ao segmento de metalmecânica. Guimarães acredita que esses segmentos foram os destaques porque são áreas em que havia competências estabelecidas e possuíam experiência em parcerias com institutos de pesquisas e universidades, além da maior facilidade para assinatura de contratos em comparação às agências de fomento: “A Embraer, por exemplo, está com diversos projetos em andamento na Embrapii em diferentes linhas de atuação: isso é um sinal positivo porque comprova que a empresa gostou da experiência. Quando os resultados são positivos, as indústrias voltam a investir”, afirma ele.

Ao final das apresentações, os participantes conheceram as instalações do Núcleo de Bionanomanufatura, e as equipes das quatro novas unidades Embrapii ofereceram atendimento aos interessados para a discussão de projetos.