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  25.05.16

Argila calcinada no cimento


IPT mostra possibilidade de alterar cor de argilas na calcinação e obter pozolanas cinza para adição ao cimento


A tonalidade avermelhada de muitas argilas pode comprometer a percepção do mercado quanto à qualidade dos cimentos Portland, mas um estudo do IPT trouxe uma solução para a manutenção da tradicional cor cinza dos cimentos pozolânicos por meio da adição de argila calcinada. A explicação é do pesquisador Fabiano Ferreira Chotoli, do Laboratório de Materiais de Construção Civil, responsável pelo trabalho que estudou o cimento Portland composto com pozolana (CP II-Z) e o cimento Portland pozolânico (CP IV) que atendem, respectivamente, às normas técnicas NBR 11578 e NBR 5736.

Segundo Chotoli, alguns tipos de argilas podem tecnicamente ser calcinados e aplicados para a fabricação do cimento,
Argila alimentada no forno (à esquerda) e argila calcinada em ambiente redutor (à direita)
 
mas o fato de muitas delas possuírem cor com tonalidade tendendo ao vermelho pode resultar em cimentos Portland roseados ou avermelhados. Isto não atenderia comercialmente aos consumidores acostumados a utilizar cimentos de tom cinza ou branco em suas obras.

“O concreto aparente é uma realidade arquitetônica das construções modernas que, na grande maioria das vezes, não aceita cores quentes em sua concepção", explica o pesquisador. “O segundo aspecto a ser considerado é a possível geração de desconfiança no consumidor de que o cimento Portland foi adulterado pela adição de terra. Seria uma propaganda negativa para o produto, associando baixa qualidade à marca do fabricante.”

O estudo realizado pelo IPT, juntamente com a empresa Dynamis Mecânica Aplicada e com colaboração da empresa Cimento Planalto (Ciplan) na fase industrial, traz benefícios para o mercado da construção. "Nossos resultados permitirão que as cimenteiras calcinem argilas em condições de processo adequadas, para a obtenção da tonalidade cinza”, afirma Chotoli. A modificação do processo de calcinação não altera o desempenho da argila calcinada, nem do cimento Portland com ela produzido. Com isso, o consumidor final continuará a receber um cimento de cor tradicional e com a mesma qualidade, dentro dos parâmetros normativos.

O estudo permitirá ainda a ampliação da disponibilidade de argilas candidatas a serem utilizadas como pozolana, uma vez que a cor não será mais um impeditivo. “A indústria cimenteira contará com maior oferta de matéria-prima, reduzindo custos de produção em regiões onde a disponibilidade de argilas calcinadas pelo processo tradicional, e que geram cor cinza, é mais escassa”, completa ele.