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  26.07.16

Conexo Brasil-Alemanha


Pesquisadora do IPT participa da Cúpula de Líderes Regionais e visita empresa de tratamento de resíduos de Munique


O vice-governador do estado de São Paulo e secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio França, e a pesquisadora Cláudia Echevenguá Teixeira, do Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas do IPT, participaram de 14 a 15 de julho da 8ª edição da Cúpula de Líderes Regionais (Regional Leaders Summit). Este ano, o evento bienal foi realizado na cidade de Munique, capital do estado da Baviera (Alemanha).

Oitava edição da Cúpula de Líderes Regionais foi realizada este ano na cidade de Munique - da esq. para dir, Quirós, França e Claudia
 
O evento foi uma oportunidade para Cláudia, que coordena no IPT o projeto RSU Energia, conhecer as instalações da empresa responsável pelo gerenciamento dos resíduos gerados na cidade de Munique, a AWM – Abfallwirtschaftsbetrieb München, que atende uma população de 1,5 milhão de habitantes e emprega 1,5 mil funcionários. A empresa possui um volume anual de negócios de € 202 milhões, oferecendo os serviços de coleta, reciclagem, tratamento biológico e térmico, com aproveitamento energético.

Os resíduos são destinados pela população em três contêineres: um para os resíduos orgânicos (restos de frutas e vegetais, cascas de ovos, filtros de café, sacos de chá, resíduos de jardim etc.), outro para resíduos de papéis e o terceiro para os rejeitos (fraldas, papel higiênico, restos orgânicos de origem animal, filmes plásticos e resíduos de varrição doméstica, entre outros). Os demais resíduos recicláveis (além do papel) como vidro, metais e plásticos são destinados pela população (entrega voluntária) aos 1.200 contêineres espalhados pela cidade, os quais são posteriormente destinados pela AWM aos 12 parques de reciclagem existentes em Munique.

Os resíduos orgânicos são destinados às plantas de tratamento biológico (compostagem e digestão anaeróbia com recuperação de energia) e os rejeitos são enviados diretamente a uma planta de incineração, com aproveitamento da energia. Segundo a AWM, o balanço final aponta que 55 % dos resíduos são reciclados, 44% utilizados para fins de recuperação de energia e 1 % aterrados.

Os números de 2014 mostram o sucesso da política adotada: em relação aos materiais orgânicos coletados, 14,2 mil toneladas foram tratadas em biodigestor e 27,9 mil toneladas em plantas de compostagem de prestadores de serviços particulares,
Cláudia conheceu as instalações da empresa responsável pelo gerenciamento dos resíduos gerados na cidade de Munique, a AWM - ao lado, o chefe do escritório da gerência de fábrica, Günther Langer
 
enquanto 9,7 mil toneladas de resíduos de jardinagem foram tratadas em plantas de compostagem e três mil toneladas usadas como material auxiliar para compostagem por digestão anaeróbica.

Uma planta de incineração de resíduos está instalada na cidade, com capacidade para processar 680 mil toneladas por ano. Em 2014, a unidade chegou perto de seu limite, com 659 mil toneladas incineradas de resíduos, que foram responsáveis pela geração de 70,185 MWh de energia elétrica e 767,018 MWh de calor para aquecimento residencial.

Cláudia foi recebida pelo chefe do escritório da gerência de fábrica da AWM, Günther Langer: “A partir desse primeiro encontro, estamos discutindo a possibilidade de colaboração com o projeto do IPT. O objetivo é encontrar uma solução da destinação de resíduos com uma tecnologia de recuperação de energia que seja viável técnica e economicamente. Para isso, acredita-se que a associação desta tecnologia com outras intermediárias seja possível, atendendo também aos requisitos legais instituídos pelas atuais legislações estadual e federal”, diz ela. Um comentário de Langer faz a pesquisadora acreditar estar com a interlocução adequada para o projeto: segundo ele, as trocas de informações e colaborações são importantes não para reproduzir o resultado alcançado pelo modelo, mas para entender os erros ao longo do percurso e, pela experiência do outro, tentar evitá-los.

“Solicitei ainda a Martin Langewellpott, representante do estado da Baviera no Brasil, a possibilidade de viabilizar o intercâmbio entre IPT e AWM para aprimorar o processo de definição do modelo tecnológico”, afirma Cláudia. O escritório informou à pesquisadora que pode oferecer a base do último protocolo deles na área de energias renováveis, e discutiu-se no encontro a retomada de uma recente tentativa de parceria: “A iniciativa de recuperação de energia foi pauta de colaboração entre o estado de São Paulo e a Baviera na década de 2000, com visitas a incineradores e realização de estudos que foram coordenados na época pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia, a EMAE. Por uma série de razões, como o custo final da tecnologia pretendida, não foi possível implantar o sistema proposto na época”, completa Cláudia.

CÚPULA – O vice-governador e Juan Quirós, presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade – Investe São Paulo, assinaram durante o evento um protocolo de intenções com Wolfgang Hübschle, diretor-geral da Invest in Bavaria, que é a agência de investimentos da região. O documento tem por objetivo aprofundar o intercâmbio de investimentos, as relações comerciais e o intercâmbio de conhecimento entre as duas regiões.

A organização Cúpula de Líderes Regionais, criada em 2002 e composta por sete governos estatais, tem como objetivo estreitar as relações políticas, econômicas e culturais entre seus membros em políticas de desenvolvimento sustentável, incentivo à inovação tecnológica, educação, saúde e meio ambiente, entre outros.

O evento reúne lideranças de estados e províncias da África do Sul, Alemanha, Áustria, Brasil, Canadá, China e Estados Unidos. O estado de São Paulo passou a integrar o grupo em 2005. “Participei de todas as reuniões bilaterais. O tema ‘resíduos e recuperação de energia’ foi inserido pelo vice-governador para discussão em todas elas, e reverberou mais objetivamente nas comitivas do Canadá, da África do Sul e da Baviera. Nos dois primeiros casos, darei continuidade às conversas iniciadas e tentarei abrir uma linha de diálogo com especialistas e responsáveis por este tema”, conclui ela.