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  16.08.16

Bolas olmpicas


IPT faz testes e desvenda curiosidades que fazem as redondinhas – e a oval – serem estrelas nas Olimpíadas


Ensaio de absorção de água foi um dos realizados pelo IPT
 
Pequenas ou grandes. Velozes ou menos ligeiras. Compostas de couro, plástico ou borracha. Feitas para serem conduzidas, chutadas, quicadas ou arremessadas. As bolas, caprichosas que são, apresentam diferentes características para atender às exigências de cada esporte – e os pesquisadores do Laboratório de Tecnologia Têxtil do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) testaram todas elas para entender como elas influenciam na prática das modalidades olímpicas que estão em disputa no Rio 2016.

“Todas as características da bola, tais como material do revestimento externo, rugosidade da superfície, tamanho e peso influenciam diretamente na dinâmica do jogo, já que podem alterar principalmente a resistência do atrito entre bola, ar e jogador”, explica a pesquisadora Gabriele de Paula Oliveira, responsável pelos ensaios. “Assim, é importante realizar análises para que todas as bolas sejam padronizadas e tornem-se elementos imparciais no resultado do jogo, sem favorecer ou atrapalhar os atletas”.

Confira abaixo os resultados e algumas curiosidades sobre cada uma das bolas utilizadas nos esportes olímpicos do Rio 2016.

Tênis de mesa

Completamente impermeável, a bolinha de tênis de mesa é a menor e também a mais leve das Olimpíadas. Até os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, ela era fabricada em acetato de celulose, um material mais pesado, e também era dois milímetros menor. Para tornar o jogo mais lento e, assim, mais interessante ao espectador, seu tamanho aumentou e ela passou a ser fabricada em um material plástico rígido e resistente, o PVC, o que dá a ela uma característica mais “flutuante”.

Diâmetro: 4 cm
Peso: 2,7 gramas
Material: Policloreto de polvinila (PVC)
Repique: 1,12 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Golfe

Essa bolinha pode ser considerada a estrela não só do golfe, mas de todas as bolas olímpicas. Isso não é só porque, diferente das outras que são ocas, ela possui um núcleo interno sólido composto de borracha. É porque esse material, revestido de um plástico extremamente rígido que absorve pouco impacto ao cair no chão, faz com que a bola de golfe seja a que mais quique entre todas – sim, mais do que as de tênis, tênis de mesa e de basquete, em que essa característica é fundamental. Além disso, a construção externa da bola é marcada pela presença de inúmeros chanfros – cavidades pequeninas – necessários para aumentar o controle dos jogadores sobre a bola que, se fosse lisa, teria uma resistência menor ao atrito com o ar.

Diâmetro: no mínimo 42,67 mm
Peso: 45,5 gramas
Material externo: Polietileno
Repique: 1,58 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Tênis

A bolinha de tênis é outra especial por sua composição externa. Os famosos pelinhos de feltro que a recobrem têm a mesma função que os chanfros da bola de golfe – torná-la mais lenta e controlável do ponto de vista aerodinâmico. Eles também são uma das razões para que ela seja trocada a cada sete games durante os jogos oficiais, já que, com o atrito com o solo, os pelinhos se desgastam muito rápido. Não só isso: a troca também é exigida porque a bola de tênis é porosa, o que faz ela perder pressão muito rapidamente ao longo das partidas. Essa característica também faz ela absorver água – o que em quadra não é um problema, já que é um dos motivos de o tênis não poder ser disputado na chuva, por exemplo.

Diâmetro: de 6,35 a 6,37 cm
Peso: de 56 a 59,4 gramas
Material externo: Nylon e lã
Repique: 1,16 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Hóquei sobre a grama

A bola de hóquei sobre a grama é revestida externamente por um tipo de plástico rígido e é a bola que menos quica entre as utilizadas nos esportes que estão no Rio 2016 – é pesada e, diferente da bola de golfe, não possui material interno em borracha que lhe dê propulsão. A ideia é que elas corram sobre a grama sintética com velocidade e, também por essa razão, possuem sulcos por toda a sua superfície. Por ser muito resistente, é preciso cuidado para a bola não atingir nenhum jogador, situação que poderia provocar hematomas ou machucados mais sérios.

Diâmetro: 7 cm
Peso oficial: 160 g
Material externo: Plástico
Repique: 0,42 metro, quando solta de uma altura de dois metros

Ginástica rítmica

A bola da ginástica rítmica é lisa e maleável – ideal para ser quicada no chão ou ser passada com perfeição pelos ombros, braços, pernas e pés das ginastas, que não podem segurá-las.

Diâmetro: 15,6 cm
Peso oficial: no mínimo 400 g
Material externo: Policloreto de polvinila (PVC)
Repique: 1,33 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Handebol

Curiosamente, essa é umas das bolas que menos quicam entre todas as bolas olímpicas, por ser composta de um material plástico que absorve o impacto após a queda. Certamente, isso exige maior força dos atletas em passes ou arremessos pelo chão, já que a bola precisa quicar um pouco mais alto para chegar às mãos do companheiro ou escapar do goleiro adversário com mais facilidade.

Diâmetro: cerca de 17,8 cm (masculino)
Peso oficial: de 445 g a 475 g (masculino)
Material externo: Policloreto de polvinila (PVC)
Repique: 0,91 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Vôlei de praia

A bola do vôlei de praia é pensada de forma diferente da do vôlei de quadra – primeiro por integrar uma modalidade outdoor e, segundo, por ser manuseada por apenas dois jogadores de cada lado, ao invés de seis. A sua pressão interna é mais baixa, a fim de tornar a dinâmica de jogo mais lenta. Além disso, fabricada em poliuretano, ela é preparada para absorver pouca água, já que as partidas devem continuar mesmo com chuva.

Diâmetro: cerca de 21 cm
Peso oficial: de 260 g a 280 g
Material externo: Poliuretano
Repique: 1,07 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Voleibol

Em uma superfície neutra, a bola de vôlei quica menos que a bola de vôlei de praia. A pressão interna é maior, pois a ideia é que o jogo seja veloz e bastante dinâmico, e a composição é em policroreto de polvinila (PVC), mesmo material utilizado nas bolas de handebol e tênis de mesa. Diferente da do vôlei de praia, esta bola possui costuras e tem certa absorção de água – o que, em um esporte indoor, em geral, não influencia a dinâmica de jogo.

Diâmetro: cerca de 21,3 cm
Peso oficial: de 260 g a 280 g
Material externo: Poliuretano
Repique: 1 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Polo Aquático

Também faz parte do rol de bolas especiais das Olimpíadas: composta externamente por borracha, o que mais chama a atenção na bola de polo aquático são as ranhuras em sua superfície, construção que proporciona aderência à mão dos atletas, sempre molhadas. Relativamente grande em comparação à maioria das bolas, outra característica que chama a atenção é a absorção de água, que deveria ser a menor possível num esporte aquático, em que a bola não pode ficar mais pesada. No entanto, ela gira em torno de 1 %, um valor muito baixo, mas ainda maior do que o da bola de futebol, por exemplo. A razão disso também são as ranhuras, que criam sulcos nas áreas em que a água fica armazenada.

Diâmetro: cerca de 21,3 cm
Peso oficial: de 400 a 450 gramas (masculino)
Material externo: Borracha
Repique: 0,94 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Futebol

A queridinha dos brasileiros costuma não ter muito destaque entre as bolas olímpicas. Construída em poliuretano termoplástico, a Errejota foi projetada com seis painéis idênticos selados por calor, e não costuras, o que torna a absorção de água extremamente baixa. Depois da Jabulani, os fabricantes estão atentos à aerodinâmica da redondinha, que é influenciada pela disposição e simetria dos gomos (chamados agora de painéis) e pela rugosidade do material utilizado. Semelhante à Brazuca, bola equilibrada em termos de velocidade e controle do jogador e uma das responsáveis pelo recorde de gols em 2014, deve proporcionar um bom espetáculo nos jogos do Rio.

Diâmetro: 22 cm
Peso oficial: 437 gramas
Material externo: Poliuretano termoplástico
Repique: 1,11 metro, quando solta de uma altura de 2 metros

Rúgbi

Não tem como não notar a característica mais óbvia da bola de rúgbi – ela é ovalada. Fabricada em borracha, é adaptada a lançamentos longos, mas um dos aspectos mais importantes de seu desempenho não reside no formato, e sim na pressão interna da bola. Bolas com pressões maiores ou menores (mais murchas) que as definidas como oficiais, entre 65,71 kPa e 68,75 kPa, podem alterar lançamentos e recepções ao longo das partidas, devido à forma como o jogador passará a segurá-la e a seu comportamento aerodinâmico.

Diâmetro: cerca de 24 cm
Peso oficial: de 410 a 460 gramas
Material externo: Borracha
Repique: 1,30 quando solta de uma altura de 2 metros

Basquete

A mais pesada e a maior entre todas as bolas olímpicas, a bola de basquete é constituída externamente por um material emborrachado e possui padrões a serem atendidos em termos de repique, característica intrínseca à modalidade – soltas de uma altura de 1,8 m, devem atingir uma altura entre 1,2 m e 1,4 m ao subir de volta. A superfície dessa bola também é trabalhada, conferindo um aspecto áspero cujo objetivo é melhorar o controle do atleta ao manuseá-la.

Diâmetro: cerca de 24,4 cm
Peso oficial: de 600 a 650 gramas (masculino)
Material externo: Borracha
Repique: 1,24 metro, quando solta de uma altura de 2 metros