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  03.01.17

Cadeia de superms


Após produção do didímio metálico, parceria entre IPT e CBMM visa obtenção de liga didímio-ferro-boro 


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) deu mais um passo para a criação de uma cadeia produtiva de superímãs no Brasil. Após obter os primeiros 100 gramas de didímio metálico no País, uma nova parceria entre o Instituto e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) visa a produção da liga didímio-ferro-boro, essência da constituição dos chamados ímãs permanentes, criados com elementos de terras raras.

Primeiros 100 gramas de didímio no Brasil foram obtidos em projeto anterior entre o Instituto e a CBMM, no âmbito da Embrapii
 
O projeto, realizado no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), tem duração prevista de um ano e terá um aporte de cerca de R$ 2,7 milhões, além de um investimento adicional de R$ 500 mil por parte da CBMM, para compra de um equipamento necessário ao resfriamento controlado e criação de microestruturas na liga.

“A cadeia de produção dos superímãs se inicia na extração dos minérios, que é feita em Araxá [MG] pela CBMM. Depois, ocorre a concentração das terras raras, a produção dos óxidos e a obtenção do didímio, realizada na etapa anterior”, explica João Batista Ferreira Neto, pesquisador do Laboratório de Processos Metalúrgicos do IPT. “Nessa segunda etapa, o objetivo é obter a liga de didímio, ferro e boro, para então passarmos à terceira fase, em que poderemos produzir o pó da liga e o superímã em escala laboratorial”.

A produção dos pós de ligas metálicas, dos superímãs em pequena escala e o estudo de revestimentos que possam protegê-los da corrosão, que integram uma terceira fase da cadeia, comporiam um posterior projeto que está em fase de avaliação.

“O que estamos desenvolvendo aqui é know-how, é capacitação para que o Brasil possa produzir esses ímãs. É um passo fundamental na cadeira produtiva e necessário para que, após estudos de viabilidade técnico-econômica, seja possível unir as empresas que produzem e as empresas que consomem os ímãs, na outra ponta da cadeia”, detalha.

Com aplicações em turbinas eólicas, carros elétricos e motores de alto de desempenho, como os utilizados em eletroeletrônicos, os superímãs são produtos importantes para o fornecimento a indústrias de alto valor agregado. Em um mercado atual quase completamente controlado pela China, que possui mais de 55 milhões de toneladas de reservas em terras raras e domina toda a cadeia de produção dos ímãs, Ferreira Neto defende que o avanço se faz necessário diante de algumas vantagens de que o Brasil pode se utilizar.

“Depois da China, temos a maior reserva de terras raras do mundo, com 22 milhões de toneladas, e ainda temos uma vantagem produtiva: as terras raras estão no rejeito da extração do minério de nióbio explorado pela CBMM, de maneira que o custo de extração seria abatido do custo total de produção”, esclarece o pesquisador. “Além disso, os países da Europa, os EUA e o Japão, grandes consumidores dos superímãs, procuram alternativas de fornecimento que, por ser exclusivo, os tornam dependentes do mercado chinês”, finaliza.