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  07.11.16

Corroso em dutos


IPT avalia sistema inovador de alarme de produtos corrosivos para a proteção de dutos da Transpetro


Preocupada com a preservação da integridade dos dutos de distribuição de petróleo e, ao mesmo tempo, envolvida com o desenvolvimento inteligente de sua produção, a Petrobras Transporte – Transpetro e o Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveram um projeto em parceria visando testar um sistema de alarme de produtos corrosivos por meio da instalação de sondas corrosimétricas de alta sensibilidade.

A conclusão do projeto indicou que é possível, por meio das sondas, implantar um sistema que identifique e envie um sinal para a operação quando houver alteração na corrosividade dos produtos que estão passando pelos dutos durante o processo de descarga de petróleo do navio. O principal objetivo para a Transpetro é evitar que, na transferência do petróleo dos navios para os tanques em solo, produtos indesejáveis como a ‘água produzida’ sejam misturados a ele.

Loop de corrosão utilizado pelo Laboratório de Corrosão e Proteção do IPT para testar os dois tipos de sondas da Petrobras
 
A água produzida é gerada no processo de extração de petróleo do fundo do oceano, sendo proveniente da mistura da água do mar com ele. Com o tempo a água se separa, gerando um produto altamente corrosivo, devido à presença de cloretos e de outros contaminantes agressivos. Se for captada pelos dutos nos portos durante a transferência aos tanques, essa água pode provocar corrosão nas tubulações em um tempo relativamente curto.

Segundo o pesquisador Sidney Pagotto, do laboratório do IPT, a ausência de um sistema rápido de verificação da agressividade dos produtos nos dutos permite que, ocasionalmente, quantidades indesejadas da ‘água produzida’ sejam transferidas para os tanques de armazenamento e distribuição: “Até o momento em que os técnicos percebam que não existe apenas petróleo no duto, mas sim uma mistura contendo ‘água produzida’ ou outro produto agressivo, já se passou algum tempo”.

No projeto desenvolvido com a Transpetro, foram avaliados a Sonda de Resistência Elétrica (RE) e a Sonda de Resistência de Polarização Linear (LPR, sigla em inglês para Linear Polarization Resistance). O trabalho foi realizado em duas etapas: inicialmente as sondas foram mergulhadas alternadamente no petróleo e na água produzida. “Percebemos que ambas as sondas apresentavam uma diferença clara de comportamento, dependendo do meio em que elas estavam mergulhadas. Isso nos animou a seguir para a fase seguinte do trabalho”, conta Pagotto. As duas sondas mostraram-se eficazes para identificar a mudança de corrosividade ao se efetuar a troca do meio de ensaio.

A segunda etapa consistiu em simular a tubulação de um terminal da Transpetro no laboratório, construindo um loop de corrosão, ou seja, um equipamento que permitisse a circulação de petróleo e de água produzida, alternadamente. Nesta fase do trabalho, os pesquisadores deixavam uma determinada quantidade de petróleo circular pelos tubos do loop enquanto as duas sondas mediam a corrosividade, enviando os dados de taxa de corrosão para o computador via wireless. Depois de algumas horas de circulação do petróleo, este era bloqueado, sendo liberada a passagem de água produzida, a qual circulava da mesma forma pelo loop. “De repente mudávamos o meio que passava pela tubulação. Com isso, percebemos que as sondas detectavam a alteração da taxa de corrosão do produto rapidamente. Foi um resultado animador”, explica Pagotto.

Ou seja: com as duas sondas utilizadas pelo IPT foi possível perceber com mais rapidez a alteração na corrosividade do produto que estava sendo transportado ou transferido. Pela adequação das sondas a um sistema de alarme eficiente, os pesquisadores concluíram que é possível tomar medidas para desviar o produto indesejado para um tanque de armazenamento e descarte de resíduos.

Pagotto conta ainda que outro ponto de destaque, além dos resultados positivos dos ensaios, foi a utilização, pelo IPT, de um sistema de sondas de corrosão mais moderno. Segundo ele, o grande diferencial, além da precisão, é que estas sondas não precisam de cabos. “Imagine uma grande quantidade de sondas instaladas nos terminais repletas de ligações ou, alternativamente, obrigando os técnicos a irem a cada uma para recolher os dados, periodicamente. Nesse projeto, usamos um sistema em que a sonda, acoplada a um transmissor wireless, enviava os dados diretamente para uma gateway, que por sua vez os repassava para um computador com o software de corrosão instalado. Com essa tecnologia, um único dispositivo pode recolher informações de um grande número de sondas espalhadas pelo terminal, em tempo integral”, explica.

Por parte da Transpetro, a equipe foi formada pelos engenheiros Lorena Cristina, José Álvaro Albertini e Paulo Roberto, que contribuíram no desenvolvimento do sistema, principalmente com sua experiência na área de transferência de petróleo e derivados por dutos. A última fase do projeto será desenvolvida dentro da própria empresa, com a instalação de um piloto montado em campo, analisando a corrosividade dos produtos em bombeios de transferências de navios para um terminal. Esta fase terá o objetivo de validar o sistema e dar subsídios para as futuras implantações.