Pgina inicial do IPT   >  Notícias

Notcias


compartilhe


  05.12.16

Parceria para o conhecimento


IPT, USP e Butantan comemoram 25 anos de pós-graduação em biotecnologia dada pelos institutos


O Instituto Butantan comemorou recentemente os 25 anos do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Biotecnologia, projeto desenvolvido em uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Universidade de São Paulo (USP). O evento contou com a presença de um dos primeiros professores do curso, Willibaldo Schmidell Netto, que colaborou com o IPT durante quase 20 anos. Participaram também pesquisadores do Núcleo de Bionanomanufatura e o diretor-presidente do IPT, Fernando Landgraf.

Ao longo do programa, mais de 20 mestres e doutores foram formados apenas no IPT, entre farmacêuticos, biólogos, químicos e engenheiros. Atualmente, o programa recebe duas turmas por ano, cujas disciplinas são oferecidas também nas dependências do Instituto para aulas nos laboratórios em que os processos são ensinados pelos pesquisadores, a exemplo de Maria Filomena de Andrade Rodrigues, do Laboratório de Biotecnologia Industrial do IPT. Para ela, a interdisciplinaridade do programa é o seu maior trunfo.

Pesquisadores e professores falam aos alunos durante comemoração no Instituto Butantan
 
"Os alunos que vêm para o IPT querem uma expertise mais tecnológica, que foge um pouco do contexto básico que eles têm da universidade. Quando chegam aqui, entram em contato com aspectos mais profundos que talvez só pudessem ser exibidos em um instituto de pesquisa. Como temos alunos dos cursos de Farmácia, Biologia, Engenharia e Química, há uma disposição muito grande em aprender, o que é muito bom também para quem ensina", conta.

De acordo com a última avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação brasileiro, o mestrado profissional da USP/IPT/Butantan tem média 5, em uma escala que vai até a nota 7.

"O IPT está contribuindo para a formação de novos mestres e doutores e, mais do que isso, está fazendo isso com qualidade", comemora Filomena.

Landgraf lembrou que o próprio IPT ganha ao integrar este projeto. "É muito importante nossa participação, pelo fato de um programa de pós-graduação altamente qualificado, como este, credenciar pesquisadores do Instituto", disse.

PROGRAMA - O Programa de Pós-Graduação Interunidades em Biotecnologia teve início em 1991 por meio de uma ideia anterior do então superintendente do IPT, Alberto Pereira de Castro, de apostar na área de biodigestão de lixo e lodo de esgoto. À época ainda incipientes no Brasil, os estudos envolvendo formas de captação desse material e seu uso posterior seriam a alavanca das pesquisas em biotecnologia no País e, no caso do Instituto, culminariam na construção do Núcleo de Bionanomanufatura, em 2012.

Para tocar a ideia, Alberto pediu ao então professor do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP (Poli), Willibaldo Schmidell Netto, para montar um grupo de pesquisa dentro do Instituto para estudar o material. 


“Através do professor Walter Borzani, da Poli, o doutor Alberto me convidou para uma discussão a respeito da montagem de um grupo de pesquisa em fermentações, mas assim que iniciamos a conversa ele me mostrou um paper e me perguntou se eu gostaria de trabalhar naquele assunto. Li ali mesmo e respondi que nunca tinha lido nada a respeito. 'Volte aqui na semana que vem e conversamos melhor', retornou ele. Me enfiei na biblioteca da Politécnica, lendo artigos, papers, fazendo a pesquisa bibliográfica e achei a ideia interessantíssima. Na semana seguinte, quando voltei à sala do doutor Alberto, foi apenas para avisá-lo que eu estava dentro", conta Willibaldo.

Para formar o grupo, o pesquisador colocou em prática uma ideia que estava na sua cabeça há algum tempo: formar uma equipe multidisciplinar que permitisse uma junção de conhecimentos de diversas áreas em torno do projeto. Assim, além de ter sido contratado como consultor, sugeriu a contratação de um químico, um bioquímico e dois engenheiros químicos, que deram início às primeiras pesquisas em biodigestão. Como o grupo continuou crescendo ao longo dos anos – chegando a ter 70 profissionais –, e os avanços nas análises foram notáveis, Willibaldo percebeu que poderia fazer mais: criar um programa de pós-graduação nesta área dentro da USP, onde lecionava.

Com a colaboração de outros professores da Poli, do Instituto de Ciências Biomédicas e do Instituto de Química da USP, além do auxílio do próprio reitor da universidade à época, professor José Goldemberg, o programa foi criado naquele ano em uma parceria envolvendo a USP, o IPT e o Instituto Butantan. Willibaldo, que se dividia entre a universidade e o Instituto, foi orientador das primeiras turmas.

"Desde cedo nós entendemos a necessidade de um conjunto de pessoas que viesse de distintas formações. Gente com conhecimentos variados que ajudasse nos processos em biotecnologia. Foi um projeto estabelecido desde o início."