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  30.01.17

Reciclagem de papel


Capacitação de pesquisador na Espanha aumenta competências do IPT com foco na caracterização de papelão


O engenheiro químico e pesquisador assistente Renato Rodrigues Fioritti, do Laboratório de Celulose e Papel do IPT, participou do Programa de Desenvolvimento e Capacitação no Exterior (PDCE) do Instituto com o objetivo de aprimorar os conhecimentos em reciclagem com foco no comportamento dos papéis destinados à fabricação de papelão ondulado. O estágio foi realizado na Espanha no Centro de Investigación Forestal (Cifor), que faz parte do Instituto Nacional de Investigación y Tecnología Agraria y Alimentaria (Inia), organismo público de pesquisa, de caráter autônomo, vinculado à Secretaria do Estado de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Ministério da Economia e Competitividade da Espanha.

Com financiamento da Fundação de Apoio ao IPT (Fipt), o estágio de quatro meses foi feito na cidade de Madri entre os meses de abril e agosto de 2016.
Estágio de quatro meses foi realizado no do Instituto Nacional de Investigación y Tecnología Agraria y Alimentaria, o Inia, localizado em Madri
 
Graduado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com especialização na área de tecnologia de celulose e papel pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Fioritti teve o primeiro contato com a instituição espanhola no ano de 2015, ainda no Brasil, durante o Congresso Internacional de Celulose e Papel, que é promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP). Os pesquisadores do Inia estiveram presentes para a apresentação de um trabalho e discutiu-se uma proposta de cooperação em função da semelhança das linhas de atuação das duas instituições.

“A ideia do estágio era me capacitar para poder oferecer soluções tecnológicas nesta área de reciclagem de papel, porque no Brasil ainda estamos engatinhando nesta área, ao contrário da Europa”, afirma ele. Em relação aos papéis que podem ser destinados à reciclagem, o Brasil tem uma taxa de recolhimento de 45%, enquanto na Espanha ela chega a 70%, ou seja, 70% de todo o papel consumido que pode ser reciclado é coletado. Em relação à taxa de utilização do papel para reciclar como matéria-prima, o índice é de 83% da produção total de papel na Espanha, mas no Brasil é de apenas 43%, segundo dados de 2013 levantados pela Asociación Española de Fabricantes de Pasta, Papel y Cartón (Aspapel).

As conversas entre as equipes dos dois países definiram como escopo de estudo a reciclagem dos papéis destinados à produção de papelão ondulado. O papelão é constituído basicamente de dois elementos: as ‘capas’, que são o revestimento externo, e o ‘miolo’ – tanto um quanto o outro podem ser obtidos a partir de fibras virgens de celulose ou de papel reciclado. O objetivo de Fioritti era estudar o comportamento do papelão usado na fabricação de embalagens por meio da simulação de condições ambientais como baixas temperaturas e umidade relativa alta, que são comuns no transporte de hortaliças e frutas.

“Esse tipo de embalagem é comumente usado para o transporte em países europeus, enquanto no Brasil é mais frequente o uso de caixas de madeira. As embalagens de papelão são mais versáteis, permitindo configurações em diversas medidas e formatos mais apropriados para o fim ao qual se destinam”, explica ele.

O pesquisador lembra ainda que, nesses países, as embalagens são descartáveis, ou seja, não são reaproveitadas para o mesmo uso – no entanto, o material é reciclado, ou seja, é transformado em aparas para a fabricação de outros produtos. “Estudei o comportamento do papel que é usado para a produção das caixas, principalmente as suas propriedades físicas, e também o efeito que se alcança ao adicionar fibras virgens à pasta celulósica reciclada”, afirma ele. As fibras virgens são aquelas provenientes de uma pasta celulósica produzida a partir de material que não foi reciclado, enquanto as fibras recicladas são aquelas que já foram aproveitadas pelo menos uma vez – na Comunidade Europeia, estas últimas são mais comumente usadas do que no Brasil e elas têm propriedades de resistência menores do que as fibras virgens.

A indústria papeleira espanhola é a segunda mais recicladora de Europa, somente atrás da Alemanha. Os serviços de recolhimento de papel e papelão para reciclagem coletaram no país em 2016 quase 4,8 milhões de toneladas, o que foi o terceiro melhor resultado na história espanhola e muito próximo ao recorde de cinco milhões de toneladas em 2008, de acordo com dados da Aspapel, que estimava ainda recolher no período de festas de final de ano um volume 6% superior em comparação ao de 2015.

TEMPERATURA E UMIDADE – As atividades executadas pelo pesquisador na Espanha eram basicamente a fabricação das folhas para a execução dos ensaios em laboratório, o qual contava com uma câmara climatizada que permitia fazer a simulação de transporte em períodos que variavam de quatro horas a sete dias em determinadas condições climáticas.
Elaboração da pasta celulósica, usada na fabricação das folhas que eram posteriormente submetidas aos ensaios, incluiu amostras de pinus e eucalipto
 
A maior parte dos testes era executada em equipamentos semelhantes aos presentes no IPT, com exceção da câmara e de um equipamento de resistência à compressão denominado short-span.

Para a elaboração da pasta celulósica usada na fabricação das folhas que eram posteriormente submetidas aos ensaios, Fioritti preparava uma mistura em uma proporção de dois quilos de aparas de caixas de papelão ondulado para um quilo de aparas de papel para embalagem. O pesquisador também usou para a produção das folhas amostras de duas pastas celulósicas virgens do Brasil, no caso pinus e eucalipto.

Além dos ensaios executados no laboratório do Inia, Fioritti visitou a fábrica da multinacional Holmen Paper, localizada na região metropolitana de Madri, para realizar testes em algumas amostras usando um analisador de fibras, que fornece um ‘mapa’ das fibras celulósicas presentes na pasta e permite levantar informações como comprimento médio e ângulo de inclinação – o equipamento não estava disponível nem no Inia, tampouco no IPT. Outra visita técnica foi feita à Universidade de Girona na área de estudo de celulose e papel.