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  24.02.17

Estruturas seguras


Monitoramento remoto de fachada de prédio aumenta segurança na execução de obras e amplia serviços do IPT


Para garantir a segurança estrutural de uma fachada durante a execução da reforma de seu laboratório localizado na capital paulista, a Apsen Farmacêutica contratou a Seção de Engenharia de Estruturas do IPT para realizar o monitoramento remoto na edificação. Os sistemas foram instalados em dezembro do ano, ocorrendo em seguida a outro serviço de avaliação do desempenho estrutural de lajes e vigas do pavimento, feita pela própria Seção do IPT, em uma das edificações da empresa em 2015.

“Eles tinham a intenção de fazer uma reforma no prédio e uma das fachadas da edificação era muito antiga. Em razão disso, eles estavam preocupados em saber se alguma atividade durante as obras poderia causar abalos ou traumas, principalmente porque as operações da empresa não teriam interrupção”, explica o engenheiro civil e pesquisador do IPT, Diego Lapolli Bressan.
Monitoramento da fachada é executado remotamente, sem a necessidade de a equipe técnica do IPT se deslocar para a obra; caso ocorra uma mudança significativa, um alerta é disparado ao cliente
 
A solução proposta foi fazer um monitoramento em tempo real para que, caso alguma irregularidade fosse detectada ao longo da execução da reforma, uma ação imediata pudesse ser tomada.

Foi então instalada uma série de equipamentos para medir a inclinação das paredes. O primeiro deles foi um aparelho destinado a medir a rotação, o clinômetro, que é usado para avaliar se uma parede está inclinando ou não, ou seja, para medir o ângulo ou declividade de um plano ou linha inclinada em relação ao horizonte. Como as paredes apresentavam algumas fissuras, a equipe do IPT montou também cinco medidores de deslocamento linear (LVDTs, de Linear Variable Differential Transformers), que permitem medir deslocamentos não apenas em baixas frequencias, mas também dinamicamente, ao contrário dos instrumentos analógicos.

Além disso, a equipe instalou medidores de temperatura para que seja possível correlacionar temperaturas mais altas/mais baixas com o comportamento das fissuras. Parte dos equipamentos foi adquirida durante o processo de modernização do IPT iniciado em 2009. “Instalamos os equipamentos na fachada da edificação e monitoramos o comportamento remotamente, sem precisar se deslocar do IPT. Caso se perceba algum movimento significativo, como uma tendência de inclinação, um alerta ao cliente para a tomada de alguma ação será gerado em tempo real, por e-mail ou para o celular”, completa Fabio Ioveni Lavandoscki, também pesquisador da Seção.

O projeto de monitoramento teve início em dezembro de 2016 e terá a duração de 12 meses. A longa duração do projeto é explicada porque serão consideradas todas as fases do ano na avaliação do comportamento da estrutura, passando por todas as estações do ano e variações de temperatura – além disso, os pesquisadores do IPT irão estender o monitoramento mesmo após a conclusão da reforma a fim de correlacionar o comportamento da estrutura e as intempéries, por exemplo.

CAPACITAÇÃO – O primeiro projeto de monitoramento remoto realizado pela equipe do IPT teve início em 2012 durante as obras de reforma da Ponte Pênsil, em São Vicente, e durou até 2015, ano de liberação da passagem de veículos, o que permitiu a capacitação dos profissionais para a prestação dos novos serviços e o atendimento a diversos clientes. “Fachadas e pontes são, no fundo, estruturas. Em princípio, os objetos de análise são diferentes, mas a preocupação é mesma, ou seja, avaliar a estabilidade de ambos”, explica Bressan. No caso de São Vicente, explica ele, o monitoramento foi necessário para avaliar a inclinação das torres e saber se elas haviam ultrapassado um determinado limite; no caso de uma fachada, a mesma tem uma certa estabilidade e, caso comece a inclinar, existe o risco de entrar em colapso.

Monitoramentos remotos no segmento da construção civil são mais comuns hoje na Europa e nos Estados Unidos, principalmente para obras de maior magnitude, como túneis e pontes estaiadas, mas ainda se trata de um sistema pouco solicitado no Brasil, o que explica a reduzida oferta de prestadores de serviços, mas com grande chance de crescimento pela facilidade das operações. “Esses equipamentos permitem a coleta de dados sem precisar da presença de um técnico in loco, o que elimina as idas e vindas das equipes e diminui custos, principalmente no caso de clientes situados em localidades distantes dos prestadores”, completa Lavandoscki.