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  07.03.17

Uniforme escolar


IPT lança manual que atenta para exigências de qualidade do vestuário nas redes pública e privada de ensino


Benefício concedido por diversos municípios e estados brasileiros a estudantes da rede pública e empregado por boa parte das instituições particulares de ensino, o uniforme escolar tem inúmeras funções no desenvolvimento da criança e do adolescente, desde a segurança, o conforto e a praticidade até o alívio no orçamento familiar. Porém, para atender às necessidades do estudante durante todo o ano letivo, é imprescindível que seja confeccionado com qualidade.

Foi pensando nisso que o Laboratório de Tecnologia Têxtil do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) elaborou o ‘Manual de especificações técnicas para uniformes escolares’ (disponível abaixo), documento com uma série de orientações para instituições de ensino, prefeituras, governos e fornecedores estabelecerem parâmetros de qualidade para a produção e aquisição das peças do vestuário escolar.

“O objetivo do manual é servir de base para a elaboração de licitações ou processos de compra que atentem mais para a qualidade do produto que será adquirido”, diz Rayana Santiago Queiroz, pesquisadora do laboratório. “A durabilidade e o desempenho do uniforme são fundamentais não só para a segurança e o conforto da criança que vai usá-lo, mas também para mitigar gastos, sobretudo no orçamento já limitado da rede pública”, explica.

O manual destaca os benefícios proporcionados pelo uniforme na educação escolar, tais como a organização, a praticidade, o estímulo ao sentimento de coletividade e a economia (por poupar o uso de roupas cotidianas), é didático com relação à elaboração de especificações técnicas e detalha os principais requisitos a que os uniformes devem atender.

Fique atento ás exigências de qualidade para os uniformes escolares de crianças e adolescentes
 
Baseado sobretudo na norma ABNT NBR 15778, aprovada em 2009, o manual orienta para a realização de ensaios no que se refere à solidez da cor (a fricção, suor, lavagem e ferro), resistência à tração e ao estouro, esgarçamento da costura, alteração dimensional, formação de peeling, resistência ao arrancamento de botões e tamanhos de confecção das peças do uniforme (ver infográfico).

“Os testes de conformidade relacionam-se principalmente com o desempenho. Avaliamos aspectos que influenciam na qualidade e durabilidade do material, levando em conta o uso e os processos de cuidado e manutenção dos uniformes”, esclarece Rayana.

São também apontados no material os principais tecidos utilizados na confecção de uniformes atualmente (ver galeria), sendo estes de escolha livre pela instituição compradora das peças - desde que respeitadas as normas - e apresentadas formas corretas de caracterização do material escolhido, especificação de cores e elaboração de fichas e desenhos técnicos pelo comprador ou fornecedor interessado. Dessa forma, é possível verificar em laboratório se as peças estão em conformidade com os critérios escolhidos, a fim de que não prejudiquem o usuário final.


 
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SEGURANÇA E MODERNIZAÇÃO - Atentos ao contexto atual, os elaboradores do manual ainda integraram à publicação as recomendações da norma ABNT NBR 16375, aprovada em 2015, que não é destinada diretamente a uniformes, mas determina parâmetros de segurança para roupas confeccionadas para o público infantil (de 0 a 14 anos). “Esses requisitos evitam acidentes das crianças com cordões, botões, costuras e outros elementos que podem ser perigosos se aplicados aos uniformes de maneira incorreta”, explica Rayana.

Novas tendências também foram objeto de estudo para a organização do material, com foco no conforto proporcionado pelo uniforme às crianças e adolescentes. A modernização dos uniformes escolares com base no uso de têxteis esportivos, mais confortáveis e duráveis, segundo a pesquisadora, pode ser em breve uma demanda do mercado, que deve seguir as tendências da sociedade com foco em saúde, bem-estar e prática de atividades físicas incentivadas pela escola.

“O conforto têxtil afeta os usuários em vários níveis, inclusive psicológico. É importante que os alunos se sintam bem em qualquer atividade. Por isso, como não há normas técnicas específicas para o conforto, o IPT criou parâmetros e requisitos que servem como orientações e sugestões a compradores e fornecedores, com base na experiência e expertise do laboratório na área têxtil”, diz Rayana.

A pesquisadora lembra que o principal objetivo da publicação é disseminar a importância do consumidor exigir a qualidade do seu produto, regulando o mercado. “Além de as empresas passarem a produzir com mais qualidade, a atenção às especificações promove a conscientização do usuário sobre os requisitos aos quais o uniforme pode e deve atender, principalmente em termos de durabilidade, segurança e conforto, dando a ele poder para questionar se o material não estiver atendendo a alguma necessidade”, finaliza.