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  26.09.17

Construo sustentvel


IPT assina acordo internacional multilateral para incentivar construção civil em altura em madeira


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) participou do Woodrise Bordeaux 2017 - 1º Congresso Mundial de Construção Civil em Madeira em Altura, ocorrido na França entre os dias 10 e 15 de setembro, e assinou um acordo de cooperação multilateral com quatro países cujo objetivo é promover o uso da madeira em edificações de alto desempenho de forma econômica, responsável e sustentável.

Evento contou com apresentações e palestras relacionadas à construção em madeira em altura
 
O evento contou com apresentações, palestras técnicas, mesas redondas e workshops, além de uma feira relacionada à construção de madeira, na qual estiveram presentes os principais atores da cadeia com produtos e soluções de ponta no mercado mundial. Segundo Fulvio Vittorino, diretor do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT e um dos participantes do congresso, o ganho ambiental é um dos principais motes para a realização do evento e a assinatura do acordo.

“O termo foi assinado com França, Suíça, Finlândia e Canadá, países de tradição em construção em madeira, e tem como foco o fato de este ser um material que faz captura de carbono do ambiente, diminuindo a presença de gases que contribuem para o efeito estufa”, explica ele. “O incentivo ao uso da madeira faz parte do que chamamos de mercado de economia verde”.

Segundo Ligia Ferrari T. di Romagnano, diretora do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais, um dos primeiros frutos do acordo deve ser encampar a ideia da construção sustentável em madeira na 23ª Conferência das Partes (COP 23) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, que ocorrerá em novembro, na Alemanha, tendo como propósito o desenvolvimento de tecnologias para redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa e o atingimento de metas de redução de emissões no setor da construção civil.

A viagem ainda rendeu o contato junto ao l'Institut Technologique Forêt Cellulose Bois-construction Ameublement (FCBA), instituição francesa voltada a estudos tecnológicos relacionados ao uso da madeira na construção civil, conta a pesquisadora. “A ideia é que, nos próximos anos, possamos amadurecer nosso mercado através de estudos e parcerias com os demais países pois, além do lado sustentável, a construção de edifícios multipavimentos em madeira é muito mais rápida, o que pode torná-la mais barata também”, pontua ela.

UM CAMINHO A SER TRILHADO - Maior pluralidade de alternativas construtivas, alta disponibilidade e diversidade de matérias-primas (madeira de reflorestamento), alta demanda por habitações, incentivo à sustentabilidade e agilidade na hora de construir: muitas são as razões para que a construção em madeira se torne um mercado interessante e cresça no Brasil, convivendo e se mesclando a outras soluções construtivas. Contudo, uma série de desafios devem ser superados a fim de desenvolvê-lo.

A participação dos pesquisadores do IPT no evento contou com o apoio da empresa florestal Amata Brasil, que possui um projeto de construção de um edifício em madeira 100% certificada em São Paulo. Com 13 pavimentos, o projeto será um marco na construção em madeira no Brasil, que não possui edificações de alto desempenho baseadas no uso da matéria-prima.

“Os demais países que assinaram o acordo possuem algumas soluções construtivas em madeira bastante maduras. Porém, são países de clima temperado, com outras espécies de árvores, outras regulamentações, costumes e culturas” avalia Vittorino. “O grande desafio do Brasil, e do qual o IPT pretende ser um braço tecnológico e porta-voz, é a adaptação e criação de soluções que atendam ao nosso contexto e a contextos semelhantes ao nosso”, explica o pesquisador.

Nas palavras de Ligia, o Instituto uma grande oportunidade de desenvolvimento no contato com outras instituições de pesquisa, em especial o FCBA, que possui linhas de pesquisa complementares às do IPT. “E temos também a ensinar: a construção em madeira desses países baseia-se muito no uso de coníferas, em um número de espécies muito limitado. Nossa diversidade de espécies de árvores e a disponibilidade de áreas para plantio são maiores, o que pode ampliar o leque de possibilidades na hora de construir”, avalia.

Os pesquisadores contam ainda que um dos principais temas levantados durante o evento foi a questão da tropicalização das tecnologias, que deve contar com amplos estudos para garantir construções de qualidade no Brasil e países de clima semelhante. “Precisamos não só conhecer a fundo a matéria-prima, como também o comportamento dela às condições a que está exposta. A exposição à umidade e ao calor são muito mais relevantes aqui do que nos países citados, por exemplo, e precisamos entender como esse material reage e como deve ser feita a manutenção, antes, durante e no pós-obra”, discorre Vittorino.

Segundo o pesquisador, o Brasil já avançou bastante com a criação da NBR 15.575 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que abriu a possibilidade do uso de sistemas construtivos alternativos, desde que atendam a critérios mínimos de qualidade e desempenho nas edificações: “Para materiais como o aço e o concreto, já temos referências de como a construção deve ser feita para atender aos requisitos. Para a madeira, precisaremos criar essas referências através de estudos e da prática”.

Vittorino coloca que o IPT tem competências e expertise para apoiar toda a cadeia de construção em madeira. “Podemos apoiar todo o caminho, da árvore à edificação. Isso inclui a exploração sustentável, a transformação da madeira serrada em processada, a proteção das peças, a elaboração de projeto de arquitetura e engenharia e as visitas às obras para fazer especificações e testes, além da manutenção. Todo o conhecimento ainda pode ser revertido na criação de normas técnicas para orientar o mercado”, afirma ele.

Para finalizar, os pesquisadores ressaltam que o foco não é defender o uso da madeira como a melhor solução construtiva, e sim oferecer alternativas ao mercado. “Todo material tem vantagens e desvantagens, e seu uso depende das condições em que se realiza uma obra e da viabilidade financeira de cada solução. Talvez a resposta para o futuro seja justamente a combinação de materiais, visando sustentabilidade e desempenho, além de economia. E é aí que buscamos oferecer mais uma possibilidade ao mercado brasileiro”, conclui Ligia.