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  25.06.18

Proteo de aquferos


IPT faz estudo para identificar e mitigar impactos na qualidade das águas subterrâneas na cidade de Bastos


O município de Bastos, no interior de São Paulo, é o maior produtor nacional de ovos – são mais de 10 bilhões de unidades por ano, ou aproximadamente um quarto de toda a produção em solo brasileiro. Apesar de ser uma atividade econômica rentável, a avicultura gera resíduos que, se dispostos de forma inadequada, são uma fonte potencial de contaminação das águas do Sistema Aquífero Bauru, sobre o qual o município está localizado.

Com o objetivo de estudar a qualidade das águas subterrâneas na área do município, identificar as principais fontes de contaminação e propor soluções, o Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com pesquisadores do Núcleo de Hidrogeologia do Instituto Geológico (IG), desenvolveram um projeto na região com foco na avaliação de contaminação por nitrato nas águas subterrâneas, substância diretamente ligada a atividades agropecuárias.

“Um dos aspectos importantes do projeto é a correta identificação das fontes potenciais de contaminação”, começa Tatiana Tavares, coordenadora geral do projeto e pesquisadora do IPT. “Além da avicultura, o uso de fertilizantes na atividade agropecuária e a presença de fossas na área rural que não contam com sistema de esgoto também são fontes potenciais. Identificá-las é importante para propor soluções”, explica.

Equipe do IPT faz análises no município de Bastos, em São Paulo
 
Além da identificação das fontes, foram coletadas amostras das águas subterrâneas, permitindo a caracterização da ocorrência de nitrato na região, e propostas soluções de mitigação para o problema. Entre as principais estão o gerenciamento e o monitoramento dos poços em que foi identificada alteração de qualidade, a possibilidade do uso de águas com concentração elevada de nitrato como fertilizante na agropecuária, a correção de problemas construtivos dos poços com instalação de proteção sanitária adequada, e melhores práticas de gerenciamento dos resíduos das atividades da região.

O projeto se iniciou em 2014 e contou com recursos financeiros do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), atendendo à solicitação do Comitê de Bacias do Aguapeí-Peixe. Os resultados finais, incluindo boas práticas de avicultura e de proteção dos recursos hídricos subterrâneos, foram apresentados ao Sindicato Rural de Bastos no mês de maio e serão entregues ao Comitê em reunião a ser agendada no final de junho. As ações relacionadas com melhores práticas para gerenciamento dos resíduos da produção serão discutidas ainda em conjunto com a Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb).

“A Cetesb ainda não possui um regramento específico para a avicultura. Esperamos que os resultados desse projeto ajudem no estabelecimento de normas futuras, sempre com a preocupação de que elas sejam viáveis do ponto de vista operacional e financeiro. Trata-se de preservar a qualidade natural das águas subterrâneas do município”, finaliza a pesquisadora.