Pgina inicial do IPT   >  Notícias

Notcias


compartilhe


  06.12.18

Gesto da arborizao


IPT trabalha no diagnóstico das árvores do campus da capital e em plano de manejo para o Instituto


Duas mil e quinhentas: esse é o número aproximado de árvores que existem no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na capital, e que serão analisadas até o primeiro semestre de 2019 pela equipe do Laboratório de Árvores, Madeiras e Móveis do Instituto. A análise faz parte de um projeto que visa à gestão adequada das árvores para prevenção relacionada ao risco de queda, assunto que será abordado também pelo projeto do IPT Cidades Inteligentes, e a elaboração de um plano de manejo e plantio.

Desde o final de 2017, quando o projeto foi iniciado, mais de 800 árvores foram diagnosticadas, sendo priorizadas as localizadas em áreas com circulação de pessoas (restaurante), na via principal, estacionamentos, redes e equipamentos de energia críticos para o funcionamento da instituição.

Até o momento, cerca de 80 laudos já foram encaminhados à Coordenadoria de Infraestrutura de Manutenção do IPT, referentes aos exemplares que precisam de manejo, como supressão ou poda. Eles terão de contar com a autorização dasubprefeitura do Butantã/Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de São Paulo, já que a as árvores pertencem à vegetação da cidade.

Equipe do IPT realiza diagnóstico em árvore do campus do Instituto na capital
 
O trabalho consiste em uma análise externa inspecionando-se a árvore 360º, em que são observadas as características da espécie e os processos de biodeterioração do lenho, além de condições do entorno que possam interferir no desenvolvimento da árvore. Após a análise externa, foram definidos os exemplares arbóreos que necessitavam da análise interna, com equipamentos não destrutivos do tipo penetrógrafo ou tomógrafo, para quantificação dos processos de deterioração interna do lenho.

A gestão das árvores do IPT está sendo realizada a partir da utilização do software Arbio, desenvolvido pelo Instituto, que permite o cadastro das árvores e o planejamento da arborização por meio de diversos recursos. Todo o trabalho realizado no IPT – diagnóstico e análise de risco, utilização do software e planejamento da arborização – é uma metodologia que pode ser aplicada para análises em bairros, condomínios, escolas e clubes, como o Instituto já vem realizando.

Segundo Raquel Amaral, coordenadora do projeto, o uso do software também será de fundamental importância para a conexão do trabalho com o projeto Cidades Inteligentes. “O projeto prevê a instalação de sensores para a coleta de dados da velocidade do vento para predição do risco de queda das árvores, a partir da utilização do software Arbio. Neste software, as simulações do risco de queda serão calculadas a partir da ocorrência de 12 diferentes velocidades de vento para acionamento de um alerta para risco alto de ruptura”, explica a pesquisadora.

Raquel conta que o software disponibilizará o acesso às informações por meio de visualização gráfica em mapas, e que também serão feitos testes para identificação das árvores por radiofrequência (RFID), com avaliação do desempenho de alguns tipos de etiquetas.

PRÓXIMOS PASSOS E PAPEL DA COMUNIDADE – Os próximos passos do projeto de gestão das árvores do IPT, segundo Raquel, têm dois focos diferentes. O primeiro é a análise dos cerca de 1.700 exemplares restantes, nos mesmos moldes dos anteriores. Já o segundo envolve o estudo de novas oportunidades de plantio no Instituto, que serão necessários tanto pela supressão de alguns exemplares quanto pela manutenção de um ambiente mais agradável no Instituto, com a possibilidade da criação de espaços comuns de convivência e contemplação, além da ampliação da biodiversidade e maximização dos serviços ambientais prestados.

“Estão comprovados cientificamente os benefícios das árvores para a saúde e o ambiente urbano. O contato com a natureza melhora a saúde psicológica, reduzindo os níveis de estresse pré-existentes, melhorando o humor, permitindo a recuperação de habilidades cognitivas como atenção direcionada, apoiando processos restaurativos e protegendo-os dos efeitos do estresse. Nosso objetivo com esse projeto não é só prevenir acidentes com quedas de árvores, mas garantir um plano de manejo e um incremento de novos plantios no IPT, pensando técnica e esteticamente nos espaços”, aponta Raquel.

A pesquisadora ressalta que, ainda que a escolha das espécies a plantar seja estritamente técnica, devido às características da própria árvore ou do ambiente em que será inserida, é possível e necessário abrir à comunidade opções previamente selecionadas, para que as pessoas possam escolher.

“Dessa forma, a comunidade participará ativamente do processo de revitalização dos espaços através da arborização, que é uma tendência mundial. Esses espaços serão apreciados daqui a 20 ou 30 anos. É a construção conjunta de um IPT para o futuro”, ressalta a pesquisadora.