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  22.09.10

Memria Histrica


IPT e instituições paulistas participam de treinamento que incentiva a preservação de acervos


O Comitê Paulista do Escudo Azul (CPEA) iniciou em maio de 2010 um treinamento para preservação de acervos de renomadas instituições paulistas. O objetivo é familiarizar os membros do CPEA com o congelamento de acervos patrimoniais em suporte de papel que foram danificados por água, e também simular uma ação coordenada e estruturada de salvaguarda em situações de emergência.

Ministrado por Antonio Mirabile, conservador-restaurador de documentos gráficos em museus nacionais franceses e consultor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o treinamento teve continuidade em agosto. O IPT foi uma das instituições participantes, representado pelo Setor Memória Histórica do Departamento de Acervo e Informações Tecnológicas. Museólogos, historiadores, arquivistas, conservadores e restauradores do Senai, MAM, Masp, Instituto Lina Bo Bardi, Centro Cultural São Paulo, Museu de Arte Brasileira da FAAP e Arquivo Histórico Municipal Washington Luís também participaram.

A etapa inicial do treinamento contemplou o planejamento da simulação, organização do grupo, congelamento e descongelamento dos materiais, com as etapas subsequentes de secagem e eliminação da umidade, para evitar infestações por microorganismos. “Se isso for realizado com sucesso, podemos assegurar a preservação dos acervos e posteriormente decidir sobre outros tratamentos curativos se necessários”, diz.

 
  • Preservação de acervos
 

O conservador ressalta que França, Itália, Holanda, Estados Unidos e Reino Unido são os países que mais se preocupam em proteger seus bens culturais. Para ele, a xiloteca do IPT – que possui o maior acervo de madeiras da América Latina e reúne cerca de 17.500 amostras de madeiras brasileiras e estrangeiras – é um grande exemplo de acervo.

Sobre a digitalização de documentos, Mirabile afirma que pode ser um meio de conservação, mas é principalmente um meio de difusão e acesso ao patrimônio cultural. “As condições de conservação das informações digitalizadas são mais complexas, por causa de vulnerabilidade dos suportes digitais e da obsolescência comercial ou tecnológica dos aparelhos de leitura e gravação. Um documento impresso ou manuscrito contém uma série de informações sobre seus materiais constitutivos. Um livro, como exemplo, não é apenas seu conteúdo impresso, mas é também papel, tinta, couro, encadernação, enfim, um testemunho de um período, de uma história, de uma tecnologia. Esta realidade ’material’ deve ser perenizada tanto quanto a informação escrita”.

Segundo Mirabile, o incentivo à preservação pode ser dado com a promoção de cursos de capacitação e de consultorias para o desenvolvimento de programas de avaliação e gestão de riscos, desenvolvimento de planos integrados de prevenção de sinistros e adequação das edificações a normas técnicas, além de simulações de situações de emergência e de salvaguarda. “Deve-se promover uma cultura permanente de proteção, seja à vida humana, seja aos bens culturais e ao patrimônio da sociedade”, afirma o italiano, que também trabalha na França no Musée National d’Art Moderne – Centre Pompidou.

Para concluir, o especialista enfatiza a importância de um acervo organizado, estruturado e protegido. “Sem memória, uma instituição passa a ser como uma árvore sem raízes, descaracterizada e instável”.