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  08.10.10

Estudo no canal de Santos


IPT faz levantamento geofísico subaquático para identificar peças de naufrágios que interferem em dragagem


Equipe do Laboratório de Riscos Ambientais, do Centro de Tecnologias Ambientais e Energéticas do IPT, realizou estudo intitulado “Levantamento geofísico (sonar de varredura lateral e perfilagem sísmica contínua) no canal de Santos”. O objetivo era gerar subsídios para o consórcio DragaBrasil, contratado pela Secretaria Especial de Portos, para realizar obra de dragagem no canal do porto de Santos que permitirá o trânsito de navios de maior calado. Concluído, o relatório foi apresentado no último dia 26 de agosto aos clientes em Brasília.
Equipe do IPT realizou levantamento geofísico no canal de Santos
 

Segundo o pesquisador responsável pelo projeto, Luiz Antonio Pereira de Souza, o Laps, a dragagem nesse local estava com o cronograma comprometido devido a barreiras físicas que dificultavam e até impediam o avanço das máquinas. “Mapeamos as características do assoalho marinho (fundo e subfundo), na porção externa do canal de Santos em locais onde as dragas não avançavam em ritmo adequado. Cerca de 110 quilômetros lineares de perfis foram executados. Com instrumentos modernos, a geofísica permite a varredura de grandes extensões subaquáticas em curto intervalo de tempo, oferecendo uma excelente relação custo/benefício em projetos de dragagem. O IPT seria os olhos do consórcio embaixo d’água. Trabalhamos com duas possibilidades, a da existência de estruturas artificiais na superfície de fundo, ainda não identificadas, como embarcações naufragadas, fragmentos de correntes e âncoras, entre outros, ou formações rochosas subsuperficiais com características impróprias ao processo de dragagem adotado.”

Foram empregados três métodos geofísicos de investigação, contando com recursos informatizados de última geração, de georreferenciamento e equipamentos emissores de ondas acústicas instalados nas embarcações. “Como no fundo de mares, rios ou reservatórios não há luminosidade suficiente para filmagens ou para fotografia, utilizamos fontes acústicas de alta frequência para gerar imagens. No imageamento da superfície sob a água empregamos o ‘peixinho’, um sonar de varredura lateral de alta frequência, modelo Klein 3000, que opera na faixa de 500kHz.”. O produto final foi um mapa-mosaico onde se pode visualizar uma embarcação naufragada e objetos de grande porte como correntes e âncoras que são empecilhos à dragagem. Para enxergar abaixo da superfície de fundo do canal, os pesquisadores realizaram uma perfilagem com prioridade de resolução e penetração, empregando fontes acústicas de baixa frequência (500Hz-20kHz). Laps afirma que não há formações rochosas próximas à superfície de fundo na área estudada, mas sob a lama existe uma camada sedimentar mais compacta cuja características físicas, ainda não identificadas em detalhe, podem também dificultar o processo de dragagem.
Exemplo de registro do sonar de varredura lateral
 

As fontes acústicas utilizadas na perfilagem, denominadas “Boomer” e “Chirp”, são arrastadas pelo barco na superfície da água. Mais distante, um sensor capta o som refletido no fundo. “Dispomos de softwares capazes de lidar com todos os parâmetros de perfilagem e imageamento, simultaneamente, e este é um diferencial importante do trabalho do IPT em todo o País. Esta é uma tecnologia indispensável para o desenvolvimento da infraestrutura portuária em qualquer lugar do mundo, pois permite identificar , com rapidez e segurança, os problemas geológicos e geotécnicos na fase de planejamento de uma obra subaquática.”

Confira aqui a coluna técnica escrita pelo pesquisador Laps, que traz mais informações sobre o trabalho do IPT em investigação de áreas submersas.