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  19.11.10

Eroso em barragens


Pesquisadora do IPT apresenta na Nova Zelândia estudo de monitoramento em usina hidroelétrica


Hoje, o monitoramento de erosões à jusante de barragens é considerado “assunto estratégico” entre especialistas. Por isso tornou-se tema de discussão em diversos países, como Estados Unidos, França, Inglaterra e China. No Brasil, o IPT desenvolve atividades de monitoramento de erosão da barragem na usina hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), localizada na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Pioneiro no País, o trabalho conta com o reconhecimento do Ibama, órgão de licenciamento ambiental.

Os resultados do trabalho desenvolvido pelo IPT foram discutidos no “11th International Congress of the Association for Engineering Geology and the Environment (IAEG)”, realizado em Auckland, Nova Zelândia. As atividades desenvolvidas integram projeto conjunto entre o Instituto e a Companhia Energética de São Paulo, a CESP, que compreende o monitoramento de erosões nas encostas marginais do reservatório e o monitoramento das margens e ilhas à jusante da usina, em Porto Primavera.

O início do projeto ocorreu antes do enchimento do lago, em 1998. O monitoramento das encostas compreende cerca de 300 pontos de controle, acompanhados sistematicamente para a avaliação do comportamento das margens frente às condições do lago do reservatório. O monitoramento das margens e ilhas do rio Paraná, à jusante da barragem, teve seus trabalhos iniciados em novembro de 2000, quando foi realizada a primeira avaliação dos efeitos da construção da barragem no local.

A análise e a identificação de modificações à jusante de barragens auxiliam o planejamento de ações e programas de gerenciamento dos impactos devido à construção de grandes obras, além de contribuir com programas de preservação ambiental.
Monitoramento das encostas em Porto Primavera compreende cerca de 300 pontos
 
Outras atividades, como o monitoramento hidrossedimentológico, permitirão análises mais atualizadas da dinâmica do rio Paraná, para elaborar prognósticos quanto à evolução dos processos na área.

INTERNACIONAL – A pesquisadora Alessandra Gonçalves Siqueira, da Seção de Geotecnia do Centro de Tecnologia de Obras de Infraestrutura do IPT, o CT-Obras, foi responsável pela apresentação do trabalho na Nova Zelândia. “É o resultado da análise da dinâmica fluvial do rio Paraná ao longo de um intervalo de tempo compreendido entre 1962 e 2003, divididos em três períodos distintos e sucessivos, com dinâmicas fluviais bastante diferenciadas entre si. O primeiro período compreende a história do rio, quando tinha seu curso em estado natural, com a sua dinâmica ainda não alterada pelas intervenções associadas à construção da obra”, explica ela. “Esta fase estende-se até meados do segundo semestre de 1980, quando ocorreram os trabalhos de desvio do rio. Estes trabalhos caracterizam o início do segundo período da história da dinâmica fluvial do rio Paraná, que compreende a introdução de sucessivas intervenções no seu fluxo. O enchimento final do reservatório, em março de 2001, indica o fim da série de intervenções e o início da última e atual etapa, onde a dinâmica fluvial encontra-se fortemente controlada pela operação da barragem e pelas novas condições de contorno impostas pela sua construção. Os resultados obtidos permitiram identificar diversas modificações na dinâmica fluvial, caracterizadas pela alternância de ciclos de erosão e de sedimentação.”