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  21.02.11

Amarrao de navios


Equipe técnica do IPT estuda os métodos de cálculo de forças para segurança na amarração de navios ao cais do porto


Em todo o mundo circulam navios cada vez maiores, em portos a cada dia mais movimentados. A preocupação existente em diversos países, em relação à segurança dos navios de grande porte atracados e sua movimentação, é recente no Brasil. Mas num horizonte não muito distante, ela deverá estar no dia-a-dia dos grandes portos brasileiros. Esta é a avaliação do pesquisador James Weiss, do Centro de Engenharia Naval e Oceânica do IPT, que coordena um estudo de modelagem física em tanque de provas para estimativa de forças de atracação de navios aos cais.

O projeto deverá ajudar o Brasil a conectar-se com o conhecimento internacional nesta área, beneficiando futuramente tanto projetistas de portos brasileiros quanto os de outros países. A pesquisa do IPT conta com recursos do CNPq, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do MCT. Integram a equipe do Instituto os pesquisadores Adriano Pereira, Marco Carmignotto, Marcos Araújo e Maria A. Gândara.

Segundo Weiss, a falta de segurança na atracação de grandes embarcações, como os navios graneleiros mais modernos, pode provocar graves acidentes. Problemas de amarração podem causar desde a interrupção das operações, até avarias, incêndios e naufrágio de navios com impactos ambientais importantes. “A preocupação com este tipo de problema deve chegar com mais força ao Brasil até por conta das necessidades de atualização da infraestrutura portuária nacional”, afirma ele. “O porto de Santos, por exemplo, está em obras para ter sua profundidade aumentada de 12 para 15 metros, o que permitirá a circulação de grandes navios.
Condições limites, como navios trafegando próximo ao cais e folgas limitadas entre a quilha e o fundo do canal, estão em estudo pelo CNaval
 
Por isso procuramos a combinação de formulações teórica e testes com modelos em tanque de provas.”

Os estudos de problemas relacionados à amarração, ou ancoragem, de grandes navios têm registros desde 1969. Porém, o interesse pelo tema ganhou impulso a partir de um acidente de grandes proporções com o petroleiro Júpiter, ocorrido em 1990 perto da localidade de Bay City, em Michigan, Estados Unidos. “Em nossos testes, estamos checando algumas condições limites, tais como: navios trafegando muito perto do cais e folgas muito limitadas entre a quilha (parte inferior do casco do navio) e o fundo do canal. Desenvolvemos dispositivos instrumentados que reproduzem a ancoragem do navio, com uso de barras articuladas que permitem sua movimentação”, explica Weiss.

Os pesquisadores trabalharam com a formulação de Kriebel e o com modelo Pass-Moor. “A partir dos dados obtidos nos ensaios em tanque de provas, estimamos e ajustamos aos modelos as forças longitudinal, lateral e de momento que incidem no navio ancorado”, afirma Weiss. Para que os benefícios do conhecimento que está sendo gerado no IPT sejam de fato agregadores e se estendam aos projetistas de portos nacionais e internacionais, Weiss informa que os progressos obtidos serão divulgados em fóruns e publicações especializadas nacionais e internacionais.