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  22.02.11

Combate ao passivo de PCBs


IPT amplia capacitação em análises químicas para colaborar com o cumprimento da Convenção de Estocolmo 


O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) ampliará neste ano a capacitação laboratorial do Centro de Metrologia Química (CMQ) para executar ensaios e testes que darão suporte ao projeto do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para elaborar um plano nacional de gerenciamento e eliminação de bifenilas policloradas (do inglês, Polychlorinated Biphenyls - PCBs).

Helena Lima, do Laboratório de Análises Químicas: preparo para o processo de acreditação dos ensaios
 
 
Essas substâncias são definidas como compostos organoclorados com 209 possibilidades de estruturas congêneres, das quais 130 tiveram uso comercial no passado. Os PCBs também são conhecidos como ‘ascaréis’ e foram fabricados no século 20, entre as décadas de 20 e 80, para conferir, principalmente, propriedades dielétricas a líquidos condutores, como os fluidos de transformadores.

Esses contaminantes são encontrados também em capacitores elétricos, bombas de vácuo, turbinas de transmissão a gás, fluidos hidráulicos, plastificantes para borrachas, pesticidas, papel carbono, entre outros sistemas e materiais.

O MMA representa o compromisso do país com a Convenção de Estocolmo, que está em vigor desde 2004 e prevê a eliminação dos passivos ambientais de substâncias tóxicas, classificadas como ‘POPs’, até 2025. Os PCBs estão entre as substâncias dessa categoria, que abriga também agrotóxicos, insumos da indústria química e resíduos industriais – todos são nocivos à saúde humana e extremamente estáveis, podendo migrar de um meio para outro, como do solo para a água, com facilidade e permanecer no ambiente por muito tempo.

O ministério espera colher os primeiros frutos dos trabalhos de descontaminação no prazo de cinco a seis anos. As empresas responsáveis pelos passivos ambientais também estão envolvidas no processo. A pesquisadora Helena Lima de Araújo Glória, do Laboratório de Análises Químicas (LAQ), do CMQ, que participa das Oficinas sobre Gerenciamento e Eliminação de Bifenilas Policloradas junto ao MMA, afirma que no caso do IPT “já foram adquiridos os padrões para a realização da implantação da metodologia analítica; depois, teremos de passar pelo processo de acreditação do Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial] que é uma exigência do MMA para aceitação do relatório do ensaio”.

Para a implantação da metodologia analítica será utilizada a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas para identificação dos vários congêneres das Bifenilas e a cromatografia gasosa com detector de captura de elétrons para separação e quantificação desses compostos. O detector de captura de elétrons é o mais seletivo para os organoclorados, sendo capaz de detectar teores em níveis de partes por bilhão (ppb). Segundo a pesquisadora Sandra Souza de Oliveira, do LAQ, “é preciso usar detectores específicos, dependendo das características do contaminante”.

Estima-se que a produção mundial de PCBs seja de 1,2 milhão de toneladas, sendo que 40% devem ter migrado para a natureza por meio de descartes indevidos, enquanto o restante ainda está em uso em equipamentos antigos.

Os problemas de saúde associados à intoxicação por PCB podem ocorrer no sistema reprodutivo, revelaram estudos em cobaias feitos a partir dos anos 60, quando houve maior conscientização dos efeitos nocivos dessa substância. Nos seres humanos, os sintomas são problemas de circulação, complicações renais, câncer no fígado e vesícula biliar, hiperpigmentação, problemas oculares, entre outros.