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  10.03.11

Bisfenol-A ser analisado


IPT desenvolve capacitação para quantificar a presença de contaminantes em produtos de policarbonato


Os níveis de contaminação por Bisfenol-A, composto orgânico fenólico presente em recipientes plásticos (mamadeiras, garrafas de água e outros produtos à base de policarbonato), serão conhecidos com mais propriedade a partir de uma capacitação que está em desenvolvimento no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Helena: substâncias identificadas pela separação de compostos e fragmentação iônica das moléculas
 

A equipe de pesquisadores do Laboratório de Análises Químicas (LAQ), do Centro de Metrologia em Química (CMQ) do Instituto, vai consolidar uma metodologia para quantificar essa substância, que é nociva à saúde, podendo causar obesidade, problemas cardíacos, antecipar ou atrasar o desenvolvimento da puberdade ou ainda gerar problemas hormonais, como a ginecomastia – crescimento das glândulas mamarias dos homens.

A metodologia toma por base a técnica de ‘cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas’, que promove a separação dos compostos e a fragmentação iônica das moléculas de uma determinada substância, “permitindo quantificar as substâncias nocivas”, afirma Helena Lima de Araújo Glória, pesquisadora do LAQ.

Para realizar os testes em mamadeiras, por exemplo, é colocado nesse recipiente um líquido que simula a interação do leite, suco ou alimentos gordurosos. As análises são feitas por períodos de tempos determinados em normas. A dosagem de Bisfenol-A é obtida em partes por milhão (ppm), e esse resultado, por sua vez, é confrontado com regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que define uma tolerância de 0,6 mg/kg para essa substância.

Segundo Helena, a aplicação de produtos de limpeza com propriedades alcalinas nos recipientes de policarbonato, como alguns detergentes e água sanitária, promove a liberação do Bisfenol-A. Além de reações químicas, a liberação do Bisfenol-A ocorre também com o aquecimento e por desgaste dos recipientes. A pesquisadora lembra ainda que resinas epóxi podem conter esse contaminante, que também faz parte da formulação do verniz de proteção usado em latas alimentícias.