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  15.03.11

Geologia de Engenharia


Pesquisador participa de treinamento em Londres e amplia capacitação do IPT em obras subterrâneas


Em treinamento no Imperial College of Science, Technology and Medicine - voltado ao desenvolvimento de soluções tecnológicas para a indústria - em Londres - Inglaterra, Pedro Refinetti, pesquisador do Centro de Tecnologias de Obras e Infraestrutura do IPT, especializou-se em geologia de engenharia com ênfase em análise de estabilidade de escavações subterrâneas em maciços rochosos.
Refinetti durante trabalho em campo na Inglaterra
 

A viagem, que terminou no segundo semestre de 2010, fez parte do Programa de Desenvolvimento e Capacitação no Exterior do IPT, que envia pesquisadores ao exterior para aperfeiçoamento profissional, financiado pela Fundação de Apoio ao IPT (FIPT). O objetivo foi ampliar a capacitação da Seção de Geotecnia em métodos de análise de estabilidade de obras subterrâneas em maciços rochosos. Foram adquiridos conhecimentos sobre os diferentes mecanismos que condicionam as instabilizações subterrâneas, os métodos para analisá-las corretamente e as técnicas de reforço e suporte de maciços rochosos que eventualmente podem ser necessárias.

A pesquisa foi focada em dois mecanismos de instabilização que podem afetar a obra: os condicionados por estruturas geológicas e os condicionados por tensões que ocorrem naturalmente nos maciços. “Frequentemente, o maciço rochoso possui planos de fraqueza, denominados descontinuidades, que podem fazer com que haja desestabilização da escavação”, afirma Refinetti. Segundo o pesquisador, as tensões existentes são modificadas pela criação de um vazio no maciço, podendo causar uma ruptura na escavação. Sua expertise já está sendo usada no projeto Gastau da Petrobras, que inclui um túnel na Serra do Mar, na região de Caraguatatuba.

A influência de tensões em maciços foi estudada por Refinetti em uma mina de carvão no Reino Unido, com 800 metros de profundidade. Foi estudada a redistribuição das tensões devido à escavação e comparada com a resistência das rochas. “O maciço não foi considerado resistente frente à magnitude das tensões, ocasionando deformações severas no piso das galerias de transporte de minério”, ressalta. Como essas deformações impediam o correto funcionamento das esteiras transportadoras de carvão, tinham impacto direto na produção da mina. Foi constatado que o piso sofre deformações acentuadas somente em áreas onde o maciço possui características geológicas específicas, o que mostrou que são necessários mapeamentos sistemáticos das escavações.

Em virtude de metas rígidas estabelecidas pela União Europeia para a redução de emissões de gás carbônico até 2020, o governo do Reino Unido está implantando uma drástica mudança em sua matriz energética, investindo recursos significativos em fontes renováveis de energia e, em particular, em energia eólica. Devido às condições mais favoráveis de vento no mar, a principal estratégia tecnológica está sendo a construção de parques eólicos marinhos constituídos de dezenas (ou até centenas, dependendo da região) de turbinas eólicas. O Imperial College, terceira maior universidade britânica, em virtude de sua experiência em geotecnia marinha acumulada ao longo de anos de parceria com a indústria de exploração de petróleo em mar, está contribuindo significativamente com este ambicioso projeto energético do governo.

O Reino Unido é considerado um país de tradição em geologia de engenharia. O mestrado do Imperial College nesta área foi criado em 1964, e é o primeiro curso de pós-graduação sobre o tema no mundo.

 
  • Pesquisador visitou obras na Grécia e no Reino Unido