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  28.03.11

Desenvolvimento cientfico


Experiência da Vallée S.A. em pesquisas que geram avanços tecnológicos e socioambientais foi discutida no IPT


A empresa Vallée S.A., empresa brasileira do setor farmacêutico produtora de vacinas e insumos para saúde animal, tem sua planta industrial na cidade de Montes Claros, região de baixo Índice de Desenvolvimento Humano no norte de Minas Gerais. O representante da empresa, Otto Mozzer, fez apresentação no painel “Experiência de cooperação entre indústria e instituto de pesquisa” na “1ª Jornada IPT-Fraunhofer” no dia 23 de março.

Segundo Mozzer, o Brasil tem hoje um desenvolvimento científico importante, que é capaz de gerar crescimento e reverter em benefícios para a população nas diversas regiões. “O País produz ciência em bom nível, mas gera poucas patentes e menos ainda chegam ao mercado na forma de produtos. Por isso, de maneira geral, o Brasil ainda é pouco competitivo no mundo em matéria de alta tecnologia. Mas a Vallée escreveu em décadas uma história de capacitação científica e tecnológica em seu relacionamento com o IPT. Por isso a empresa detém, por exemplo, a patente de vacina contra febre aftosa da Pfizer e está em negociação avançada com a Bayer.”
Otto Mozzer, fez apresentação no painel “Experiência de cooperação entre indústria e instituto de pesquisa” na “1ª Jornada IPT-Fraunhofer”
 

Citando a revista britânica “The Economist”, Mozzer coloca em questão como o mundo conseguirá alimentar nove bilhões de pessoas em 2050. “O Brasil certamente terá um papel importante, já que uma das vocações do País é justamente a produção de alimentos. Em 2010 o agronegócio brasileiro movimentou 972 bilhões de dólares. Podemos expandir este setor sem agredir o meio ambiente estimulando parceiras com universidades e institutos de pesquisa, além de oportunidades que surgirão de ações como esta (IPT-Fraunhofer). O mercado brasileiro de saúde animal, da ordem de 1,7 bilhão de dólares ao ano, é muito competitivo. Empresas nacionais detêm 28,7% dele e a Vallée sozinha 23,6%.”

Para conquistar espaço entre gigantes multinacionais do setor farmacêutico global, a Vallée iniciou parceria tecnológica com o IPT nos anos 90. “Identificamos então a necessidade de dominar tecnologias que eram chave no setor. Investimos numa infraestrutura laboratorial de ponta em Montes Claros, criamos competências internas para produzir vacinas virais e bacterianas. O IPT constituiu-se no fórum para as discussões e o amadurecimento tecnológico. Em 2009 recebemos a visita do economista-chefe do Banco Mundial e fomos convidados para uma apresentação internacional da experiência em políticas de incentivo à inovação. Demonstramos que é possível construir riqueza em qualquer lugar a partir de investimentos consistentes em alta tecnologia. Criamos internamente nossa pesquisa e desenvolvimento, laboratórios, entre outras coisas. Mas o mercado é muito dinâmico.”

Recentemente, grandes multinacionais farmacêuticas retraíram seus investimentos e fecharam unidades em diversos países. “Na primeira década do século XXI a Vallée também revisou sua capacidade interna de P&D sob as pressões regulatórias. O novo paradigma do setor é de menores custos para novos desenvolvimentos. Colocamos o foco em nichos negligenciados pelas grandes empresas como o surto de dengue no Brasil. É uma oportunidade de mercado muito importante. Ganhamos maturidade e contamos sempre com o apoio de universidades e institutos nacionais. Precisamos acelerar nossos desenvolvimentos e as parcerias de qualidade tornam-se fundamentais. O País precisa incentivar a criação de pequenas empresas de base tecnológica e trocar informações sobre sistemas de inovação com outros países. A área científica e tecnológica é estratégica na estruturação do crescimento nacional. Instituições de pesquisa devem estar preparadas, por exemplo, validando laboratórios junto à ANVISA e investindo em unidades GMP (Good Manufacturing Practice) para testes de novos produtos. A pesquisa precisa conhecer melhor as pressões de mercado e as empresas – que têm muita dificuldade de sozinhas fazerem ciência – ficarem mais próximas das pesquisas.”