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  19.05.11

Paletes para toda carga


Equipe técnica do IPT desenvolve norma para maior segurança na movimentação de cargas


Uma empilhadeira em movimento sacode sem parar a carga que carrega apoiada sobre um palete, um estrado ultrarresistente feito de diversos materiais e capaz de suportar grandes volumes. Para testar a resistência dos diferentes materiais com os quais são fabricados os paletes, técnicos do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do Centro de Integridade e Estruturas, o Cinteq do IPT, realizam testes normalizados visando à segurança dessas estruturas. “Fazemos testes de capacidade de carga com estrutura porta-palete, apoio de garfo de empilhadeira e em roletes de movimentação, carga estática total e distribuída. Para isso tudo utilizamos normas nacionais e internacionais de entidades reconhecidas internacionalmente como a ABNT, ISO (International Organization for Standardization) e ASTM (American Society for Testing and Materials), entre outras”, informa a pesquisadora Mara Dantas, do Cinteq.

Paletes de madeira e de outros materiais integraram o estudo
 
Entretanto, segundo a pesquisadora, essas normas não contemplam testes que simulem os esforços dinâmicos nos paletes com cargas movimentadas pelas empilhadeiras, uma situação comum e que coloca em cheque essas peças fundamentais para a infraestrutura logística. “Com essa movimentação o palete pode sofrer deformações e avarias como trincas, comprometendo o desempenho eficiente e seguro. Por isso desenvolvemos uma metodologia inovadora e específica para isso, aplicada com todo o rigor necessário”. Só na área de embalagens o IPT já desenvolveu 77 normas próprias, sendo esta a de número 78. Muitas delas já viraram normas ABNT. “Esses testes são fundamentais para garantir eficiência e segurança na movimentação de cargas, seja para o mercado interno, seja para as exportações. Por isso a preocupação com paletes é crescente no Brasil”, completa ela.

O IPT formata os testes de paletes conforme a logística do usuário. O repertório de ensaios inclui testes estáticos como os das estruturas porta-paletes, e dinâmicos como os de impacto de garfo de empilhadeira, os de flexão, que são as simulações de movimento, ou os de queda livre. “O IPT – afirma Mara – avalia paletes usados nas mais diversas condições, determina sua capacidade segura, faz recomendações de consertos obedecendo às normas existentes e orienta para o momento do descarte das peças”.

Paletes podem ser feitos de diversos materiais – madeira, plástico, metais, polpa moldada, papelão ondulado ou materiais combinados – e movimentar qualquer tipo de carga, desde que sejam respeitados seus limites e as condições de trabalho. Mara exemplifica: madeira tem ótimo desempenho físico e mecânico mas, sem tratamento adequado e em ambientes externos, pode ficar sujeita a ataques de insetos; plástico sofre fadiga na movimentação e deformação em armazéns sob temperaturas mais elevadas, da ordem de 40°C, por longos períodos, ou fragiliza em temperaturas baixas; polpa e papelão sofrem com a umidade.

Há cerca de 20 anos o IPT desenvolveu para a Associação Brasileira de Supermercados, a Abras, o modelo de palete PBR, o Padrão Brasileiro. Equipes do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do IPT apoiaram este projeto que optou pelo uso de madeiras de espécies reflorestadas, como pinus e eucalipto. “Alem de levar em conta o aspecto ambiental, o IPT detalhou todos os requisitos técnicos para produção e testes desses paletes, estabelecendo medidas-padrão, limite de nós na madeira e fixadores, entre outros itens. O PBR atende tão bem à cadeia nacional de supermercados que está em pleno uso até hoje”, afirma Mara.