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  30.05.11

Parcerias com empresas


Diretor de inovação do IPT mostra desafios e benefícios nos projetos colaborativos em palestra na Poli-USP


O projeto de gaseificação de biomassa, o estímulo à inovação dentro do próprio Instituto de Pesquisas Tecnológicas e as metas do aumento de receita em P&D&I e da integração com a academia e a indústria foram os desafios colocados em pauta pelo diretor de inovação do IPT, Fernando Landgraf, em palestra realizada na manhã de hoje no Departamento de Engenharia da Produção da Poli-USP. A palestra “As Ações da Diretoria de Inovação do IPT: Principais Desafios para Projetos Colaborativos com Empresas” foi parte da programação de ciclo de seminários do Observatório da Inovação e Competitividade.

Landgraf iniciou a sua apresentação com um pequeno histórico da diretoria de inovação do IPT, que foi criada em julho de 2009 para aumentar o peso dos projetos de pesquisa e desenvolvimento no Instituto, incrementar a fração de receita oriunda de tais projetos e articular um grande projeto de P&D, no caso a gaseificação do bagaço de cana-de-açúcar. Cinco parceiros empresariais e quatro centros de pesquisas estão envolvidos neste projeto, com o objetivo de obter os conhecimentos necessários para construir uma planta industrial de gaseificação de biomassa, com despesas de capital de até US$ 2,5 mil por kW/ano.

“Para a viabilidade econômica deste processo de aproveitamento do bagaço da cana, o grande desafio é o custo do investimento, que é muito caro. A matéria-prima é barata e não há necessidade de muita mão-de-obra”, afirmou Landgraf. “O desafio é desenvolver esta tecnologia no Brasil e torná-la economicamente viável, estabelecendo os conhecimentos necessários para construir uma planta industrial”.

ESTÍMULO – O estímulo à inovação no IPT também foi colocado em discussão pelo diretor de inovação. Landgraf explicou que é possível classificar as receitas do Instituto em três grandes grupos, no caso serviços tecnológicos, metrologia e P&D&I. Os dados consolidados de 2010 mostraram que 45% dos recursos obtidos no portfólio do Instituto foram provenientes de serviços tecnológicos (projetos de consultoria, por exemplo), 40% de metrologia (ensaios, análises e calibrações) e 15% de pesquisa e desenvolvimento.

“Não queremos mudar muito esse perfil, pois existe uma forte demanda para serviços tecnológicos e metrologia. O IPT precisa continuar a fazer estas atividades, mas a ideia é de aumentar a nossa contribuição em um momento importante para o Brasil de incrementar a inovação”, afirmou o diretor. “O futuro do país depende da capacidade de agregar valor ao que produzimos, e isso só ocorre por meio da inovação”.

Dois casos bem-sucedidos foram colocados na palestra para confirmar a contribuição de transferência de tecnologia do IPT em P&D no setor da metalurgia. No primeiro deles, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que é a maior produtora de nióbio do mundo, enfrentava um gargalo em seu processo de desfosforação, e o IPT trabalhou junto à empresa durante dez anos no desenvolvimento de um processo pirometalúrgico de remoção de fósforo. Os estudos foram feitos em escala laboratorial, depois em escala-piloto e levaram à implantação industrial – hoje, 100% das ligas de ferro-nióbio da CBMM são produzidas a partir de processos desenvolvidos com o auxílio do IPT. O segundo caso foi a criação de um centro de desenvolvimento de cilindros de laminação para a Aços Villares, feito pelo IPT em parceria com a Poli-USP. “Este projeto chegou ao ponto mais elegante de trabalhar com a indústria que é participar do planejamento estratégico da empresa. Este é nosso sonho: não queremos apenas atender a uma demanda de consultoria”, completou Landgraf.