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  04.07.11

Gesto de sorteios


Metodologia criada pelo IPT ajuda instituições públicas e privadas na distribuição de prêmios e casas populares


Os órgãos públicos e instituições privadas que precisam fazer a gestão de sorteios com mais de 300 contemplados podem adotar soluções informatizadas para proporcionar confiabilidade e agilidade a esses processos, evitando o transtorno do recurso tradicional de globo e bolinhas numeradas, que são exaustivos de serem realizados e com dificuldade operacional para sorteios em grande escala.

Uma metodologia para realização de sorteios eletrônicos desenvolvida pelo Centro de Tecnologia da Informação, Automação e Mobilidade (CIAM), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que incluí definição de processos e o desenvolvimento de softwares com um algoritmo para distribuição aleatória de números, foi adotado com sucesso pela Secretaria da Fazenda de São Paulo nos sorteios de prêmios da Nota Fiscal Paulista, e pelo Estado de Mato Grosso, no sorteio de casas populares, para a distribuição de 6 mil casas a famílias de até três salários mínimos, inscritas no programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, do Governo Federal.

Sorteio realizado no Mato Grosso para distribuir casas em programa do governo federal: agilidade na apuração de resultados
 
 “O sorteio no Mato Grosso foi resolvido em 40 minutos em praça pública”, afirma Alessandro Santiago, pesquisador do IPT, explicando que o tempo que o computador levou para distribuir os números foi de apenas cinco segundos. Santiago estima que pelo modelo antigo seriam necessárias seis horas, em média, para o sorteio de cada grupo de 300 casas. No caso da Nota Fiscal Paulista, o computador sorteia 1,5 milhão de prêmios em apenas seis segundos, diz o pesquisador.

O sistema criado no IPT conta com algoritmos de diferentes qualidades para gerar os números. Não há a possibilidade de resultados viciados porque o sistema trabalha com uma chave com 16 dígitos, chamada de ‘semente’, que é inserida no software antes da distribuição aleatória dos dados. Essa chave garante a segurança do sistema, impedindo a previsibilidade de resultados, em diferentes processos.

Segundo o pesquisador Antonio Carlos Oliveira Amorim, o software tem capacidade para distribuir até 8 milhões de contemplados em um universo máximo de 100 milhões de inscritos. “Nesse caso, o computador levaria dois minutos para rodar esse sorteio”, afirma. Amorim também diz que essa capacidade considera a plataforma de 32 bits e que ela pode ser ampliada com um computador de 64 bits. “Em medições feitas em laboratório, concluímos que esse sistema é pelo menos oito vezes mais eficiente do que sistemas com algoritmos comuns”, afirma.

Além disso, a interface do software deve ser apropriada ao cenário em que se aplica o sorteio. Esse caso é o foco do pesquisador Renato Curto que, por exemplo, teve de trabalhar na interface, de forma que as 2 mil pessoas que estavam na Praça das Bandeiras, em Cuiabá, conseguissem ver o resultado dos sorteios das casas populares no telão de forma confortável, utilizando técnicas de usabilidade e interfaces com o usuário.

Outro destaque do algoritmo é uniformidade na distribuição das informações, característica importante para que o software possa sempre atender aos requisitos do processo de sorteio. Não há privilégios entre os sorteados; o sistema analisa todo o universo de inscritos e distribui os resultados de forma balanceada entre os subgrupos. O sistema criado pelo IPT utiliza base cientifica de chancela do National Institute of Standards and Technology (Nist), dos Estados Unidos, adotado em criptografia avançada, o mesmo utilizado pelo governo norte-americano em questões de segurança digital.

Os pesquisadores do CIAM planejam agora expandir o uso da ferramenta entre prefeituras e governos estaduais que vão promover a distribuição de casas populares do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ – para este ano o governo federal pretende entregar 500 mil habitações à população – e também oferecer o recurso à iniciativa privada.