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  09.09.11

Aquecimento global


Meta de redução dos Gases do Efeito Estufa cria oportunidades de desenvolvimento tecnológico no estado de São Paulo


O compromisso do estado de São Paulo com a meta de reduzir em 20% as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) até 2020 vai acirrar nos próximos anos uma corrida tecnológica, criando oportunidades de aplicação de pesquisas nas áreas relacionadas às fontes de emissões, como os setores de energia, agropecuário, processos industriais, tratamento de resíduos sólidos e efluentes líquidos. Além disso, pesquisas sobre quantificação do carbono retido no solo e nas coberturas vegetais, associado à mudança de uso da terra e florestas, serão fundamentais para a correta quantificação do resultado de ações para uma economia de baixo de carbono.

Trânsito em São Paulo: veículos precisarão adotar o etanol em 90% da frota para ajudar no sequestro de Gases do Efeito Estufa (GEE)
 
Um projeto para detalhar as ações e metodologias de medição das emissões necessárias ao cumprimento das metas de redução está sendo desenvolvido por meio de uma sinergia entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo.

O projeto representa uma das frentes para efetivar as compensações de GEE no estado, trabalho que se tornou possível graças ao primeiro inventário de emissões apresentado pela CETESB em abril deste ano, em cumprimento à lei estadual 13.978, de 2009, que versa sobre a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) e estabelece os níveis de emissões de dióxido de carbono (CO2) de 2005 como base para as metas de redução.

Desenvolvido ao longo de três anos segundo a metodologia do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o inventário analisa o quadro de emissões no estado entre 1990 e 2008, indicando que São Paulo produziu 88,8 mil gigagramas de CO2 em 2005. Esse é o principal gás do efeito estufa, que se compõe também de metano (CH4), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs), perfluorcarbonetos (PFCs), hexafluoreto de enxofre (SF6) e óxido nitroso (N2O).

Todas as iniciativas de remoção desses gases devem ser convertidas em equivalência de CO2 para que a contagem dos níveis de mitigação possa se consolidar. “É preciso apurar os critérios de quantificação e alocação para não haver dupla contagem”, afirma Francisco Nigro, ex-pesquisador do IPT e atualmente na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

Além da questão metodológica, há os desafios práticos que precisam ser encarados para que as emissões sejam reduzidas. No setor de transportes, por exemplo, será preciso elevar a 90% a presença de veículos flex na frota brasileira. “Mais do que isso, será necessário que esses veículos adotem o etanol em 90% do tempo de rodagem”, afirma o pesquisador.

Considerando o fator dos veículos flex e mais o desenvolvimento de novas tecnologias com benefícios ambientais, como a dos veículos híbridos, a frota do estado tem potencial para mitigar as emissões de GEE em 19,7 milhões de toneladas por ano de CO2. A conta de redução no setor de transportes vai ainda se beneficiar da expansão do sistema sobre trilhos na região metropolitana e da presença de combustíveis renováveis nas frotas de ônibus. Cada uma dessas frentes tem potencial para mitigar cerca de 1,5 milhão de toneladas equivalentes de CO2 por ano.

“Se deixar como está, se nada for feito, as emissões no estado de São Paulo vão dobrar até 2030”, afirma o pesquisador Oswaldo Poffo, do IPT, que coordena o projeto. Ele acredita as empresas precisam promover uma mudança de cultura para poder inventariar as emissões de GEE. Essas informações ainda são pouco conhecidas no meio empresarial, mas têm um caráter fundamental para mapear as ações a serem adotadas.

A promoção de inventários na indústria conta com respaldo do Protocolo de Gases do Efeito Estufa (também conhecido como ‘GHG Protocol’, nome oriundo de ‘The Greenhouse Gas Protocol’), que é atualmente a ferramenta mais apropriada para administrações públicas e empresas realizarem seus inventários.

O pesquisador Francisco Nigro acentua a diversidade de soluções e frentes de trabalho que estarão relacionadas para o cumprimento das metas de redução. Um dos exemplos que ele cita é o processo captura, injeção e estocagem de CO2 no subsolo, técnica que vem sendo desenvolvida pela Petrobras. “Essa tecnologia ainda não está dominada”, afirma, ressaltando que as metas devem acelerar a consolidação de processos tecnológicos como esse.