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  04.11.11

Julgamento pelas realizaes


Faleceu em 23 de outubro Luiz Carlos Martins Bonilha, ex-diretor superintendente do IPT de 1989 a 1991


No penúltimo domingo do mês de outubro, dia 23, faleceu em São Paulo aos 67 anos Luiz Carlos Martins Bonilha. O engenheiro civil foi diretor-superintendente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) entre junho de 1989 e julho de 1991, cargo que ocupou com a disposição de imprimir uma nova linha de ação e conduta ao posto executivo mais importante da instituição.
Gestão de Luiz Carlos Martins Bonilha concentrou esforços no setor industrial
 
Bonilha procurou em sua gestão uma reorientação das atividades do IPT que, para ele, deveriam estar concentradas no setor industrial, e afirmou logo após a sua posse: “Não esperem de mim atos heróicos; quero que me julguem pelas minhas realizações, não pelos meus discursos”. A diretoria executiva do IPT manifesta solidariedade à família em nome de toda a comunidade ipeteana.

Bonilha nasceu em São Paulo em 21 de junho de 1944, filho de Benedito Martins Bonilha e Sunilda Irma Chimondegue. Graduado pela Faculdade de Engenharia da USP em São Carlos em 1970, Bonilha ingressou no IPT em 1971 como estagiário e, no ano seguinte, começou a trabalhar na então Divisão de Engenharia Civil. Em 1982, foi escolhido como diretor da Divisão de Edificações do Instituto.

Em um curto período, entre julho de 1985 e maio de 1987, deixou o IPT para trabalhar como diretor de planejamento e controle na Secretaria do Interior do Estado de São Paulo e posteriormente como superintendente da Fundação Faria Lima. Retornou ao Instituto como diretor técnico indicado pelo então diretor-superintendente Henrique Silveira de Almeida em 1987, e dois anos depois, assumiu o cargo de diretor-superintendente.

Contrato pioneiro de transferência de tecnologia foi assinado com a Japan International Cooperation Agency, a Jica, em sua gestão
 
Em seus dois anos de mandato, as principais realizações de Bonilha foram a criação do Centro de Análise Expeditas do IPT, para entrega de resultados à indústria em até 24 horas, e o prosseguimento às relações com o Japão por meio da Japan International Cooperation Agency, a Jica, para obtenção de recursos materiais e humanos e um contrato pioneiro de transferência de tecnologia nas áreas de cerâmicas finas e metalurgia.

INDÚSTRIA NACIONAL – Enquanto o setor de obras do IPT detinha na época uma capacitação técnica já estabelecida, com uma área civil bastante forte, Bonilha chamava a atenção para a fase de pré-sucateamento e perda de potencial de competição no exterior do setor industrial no Brasil, que poderiam contar com o auxílio do Instituto. “Para a indústria brasileira há dois tipos de solução: a primeira é comprar tecnologia no exterior e a outra é investir em pesquisa tecnológica no País. Tenho certeza de que a segunda alternativa é melhor, e é neste ponto que o IPT deve concentrar esforços”, afirmou logo após a sua posse.

Sobre as diferenças entre pesquisas científicas e tecnológicas, Bonilha colocava a discussão do tema e a participação do IPT com argumentos referentes à prestação de serviços. Para ele, a pesquisa científica era de responsabilidade da universidade e a tecnológica estava ligada necessariamente à rentabilidade do resultado empresarial: “Se há venda do trabalho do Instituto, é porque ele foi bem aceito, pois ninguém compra o que não tem utilidade”.

DEPOIMENTO – A pesquisadora Ros Mari Zenha, do Centro Tecnológico do Ambiente Construído, trabalhou com o engenheiro Bonilha e relembra o seu interesse pelas construções de edifícios habitacionais: “Ele foi um entusiasta dos primeiros trabalhos que o IPT realizou sobre avaliação pós-ocupação em conjuntos habitacionais de interesse social, de projetos sobre alternativas habitacionais para a população de baixa renda na cidade de São Paulo e sobre a participação do usuário na produção de moradias, antecipando linhas de investigação desenvolvidas para o Departamento de Pesquisas Aplicadas do então BNH, o Banco Nacional de Habitação”.