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  16.11.11

Propriedade intelectual


IPT, comunidade acadêmica e empresas discutem os desafios de parcerias para viabilizar projetos de bioenergia


A ideia de que a transformação da inovação em algo útil para as empresas e para a sociedade é alcançada quando são superados os desafios na parceria entre instituições de pesquisa, universidades e o setor industrial foi discutida no workshop ‘Energia, Construindo Parcerias’, realizado hoje no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O evento buscou aproximar a comunidade acadêmica das empresas brasileiras que trabalham no setor da energia, como Vale Soluções em Energia (VSE), Basf e Raízen, que trouxeram suas perspectivas, áreas de interesse e obstáculos para discussão.

O diretor de inovação do IPT, Fernando Landgraf, colocou na abertura do evento a necessidade de reforçar o diálogo entre empresas e instituições de ciência e tecnologia, que ainda passa por dificuldades. Esta busca de entendimento tem andado a passos rápidos, afirmou ele, do ponto de vista do contato entre pesquisadores e de encontrar pontos comuns, mas enfrenta dificuldades na hora de fechar negócios.
Da esq. para a dir.: Patricia Leal, Fernando Landgraf, Glaucia Mendes Souza (Instituto de Química da USP), Alexandre Lima (Agência USP de Inovação) e Andreas Gombert (Poli-USP)
 


“Construir o contrato do negócio e acertar os detalhes da propriedade intelectual são os grandes desafios”, afirmou Landgraf. “Este aprendizado coloca questões que exigem tempo para sua maturação, mas precisamos aprender a fazer isso mais depressa, da mesma maneira que a academia se coloca o desafio de trabalhar mais rapidamente para atender aos prazos mais curtos das empresas”.

As três empresas do setor de energia participantes do evento trouxeram para discussão as suas demandas e necessidades tecnológicas, além dos obstáculos que enfrentam nas parcerias. Para Patricia Leal, coordenadora de propriedade intelectual da Vale Soluções em Energia (VSE), os impasses dentro das empresas acontecem geralmente pela falta de conhecimento das regulamentações e leis, enquanto nas instituições de pesquisa a manutenção da confidencialidade resulta em impasses. “A empresa quer investir dentro de projetos que têm um objetivo estratégico, enquanto as universidades e institutos têm a questão de publicações e participações em eventos. Encontrar este ajuste em que as duas partes saem ganhando é fundamental”.

Empresa do grupo Vale que trabalha principalmente com energias limpas e sustentáveis, a VSE fornece sistemas integrados em equipamentos para geração de energia distribuída e realiza parcerias com empresas nacionais e estrangeiras. Perguntada sobre as diferenças nas negociações entre elas, Patricia falou que as empresas norte-americanas são bastante protecionistas em relação à propriedade intelectual, que deve respeitar questões estaduais e federais de conteúdos diversos. “Já as empresas e universidades no Brasil esquecem que muitas vezes a propriedade intelectual foi gerada em conjunto e, portanto, pertence aos diversos participantes do projeto”, completou.

Sérgio Tsukahara, supervisor de P&D da Raízen, uma joint-venture entre a Cosan e a Shell criada em março de 2011 com ativos de R$ 20 bilhões, disse que sua empresa buscará promover a aplicação de novas soluções tecnológicas na indústria do açúcar e do álcool. Por conta disso, um dos desafios também é viabilizar as parcerias tecnológicas. No curto período de existência da empresa, foram avaliados cerca de 80 projetos ou oportunidades de inovação relacionadas à área de bioenergia. Dessa análise, a Raízen resolveu focar sua atenção em dez projetos e monitorar outros 20. Entre os projetos estratégicos estão a peletização de biomassa e o desenvolvimento de osmose reversa de vinhaça, que atualmente está sendo estudada em escala piloto e em breve entrará no período de escala de demonstração.

A pesquisadora Maria Filomena Rodrigues, diretora do Centro de Tecnologia de Processo e Produtos (CTPP) do IPT, apresentou um panorama dos projetos que o Instituto está desenvolvendo atualmente na área de energia da biomassa. O principal deles refere-se ao desenvolvimento de gaseificação de bagaço de cana, que deverá ter uma planta piloto construída em Piracicaba (SP). O objetivo desse projeto é investigar uma das mais importantes rotas para o aproveitamento de biomassa gerado pelo agribusiness, focado no bagaço e na palha de cana, mas também abordando os resíduos da indústria madeireira. Diferentemente da rota bioquímica (de hidrólise enzimática), que é mais divulgada no Brasil, esse projeto investiga a rota termoquímica, que consiste na reação controlada com oxigênio, gerando uma mistura gasosa de monóxido de carbono e hidrogênio, o gás de síntese, que pode ser usado para gerar energia elétrica, biocombustíveis líquidos e biopolímeros.

O workshop foi encerrado com exposição de Patrícia Tedeschi, da área jurídica da FAPESP, que falou sobre o Programa Bioen, lançado em 2008 para estimular a pesquisa em bioenergia. Esse programa tem áreas de interesse como aplicação de biomassa na geração de energia, fabricação de combustíveis, biorrefinarias, desenvolvimento de motores e impactos ambientais. Patrícia disse que o Bioen já investiu R$ 60 milhões em 50 auxílios, abarcando um universo de 300 pesquisadores. Ela afirmou também que o programa tem uma chamada aberta ainda, que se encerrará em dezembro. Nesse caso, os projetos de interesse são os de práticas agrícolas, como, por exemplo, o manejo varietal da cana-de-açúcar. A chamada tem disponibilidade de R$ 20 milhões, fora a contrapartida das empresas, e os detalhes podem ser consultados no endereço www.fapesp.br/6599.

Organizado pelo IPT e pela Universidade de São Paulo, o workshop fez parte do Pronit, projeto do Governo Federal que reúne instituições de ciência e tecnologia como USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, Universidade Federal de São Carlos, CTA e IPT. A intenção é consolidar as práticas de gestão dos núcleos de inovação tecnológica e comercialização de tecnologias, buscando o embrião de uma rede de propriedade intelectual no Estado de São Paulo.