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  02.03.12

Simulaes em reas de riscos


Projeto interno de pesquisador do IPT estuda modelagens e simulações de processos para avaliação de desastres naturais


Para ampliar a capacitação do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na avaliação de desastres naturais de grande extensão, o geólogo Marcelo Fischer Gramani está coordenando uma análise dos movimentos de massa na Região Serrana do Rio de Janeiro, que são os processos envolvendo desprendimento e transporte de solo (e/ou material rochoso) encosta abaixo. O objetivo do projeto é refinar modelagens computacionais e simulações dos processos por meio do levantamento de dados geológicos, geotécnicos e meteorológicos, e auxiliar os governos com um instrumento de gestão para redução de desastres.

O foco do projeto está nas chamadas corridas de massa, que são movimentos de solos, rochas ou vegetação que ‘caem’ das encostas e chegam aos canais de drenagem, como rios e córregos, em um evento comparável a uma avalanche. O bairro do Vieira, na zona rural do município de Teresópolis, foi o escolhido para os levantamentos de dados, como topografia, drenagem e volume de material, e para a execução da simulação do processo em função da maior quantidade de informações disponíveis e de a região ter sido palco de uma grande corrida, mas de poucos eventos de escorregamento.

Poder de erosão e deposição das corridas de massa quando se desenvolvem em ambientes serranos - à direita, é possível notar alteração significativa das margens e leito do rio
 
“No acidente ocorrido em 11 e 12 de janeiro em Teresópolis, a estimativa é que a massa de materiais tenha se movimentado por cerca de sete quilômetros no bairro do Vieira”, explica Gramani. “Uma população que mora a dois quilômetros das encostas, por exemplo, tem a percepção de que as suas casas não serão atingidas pelos escorregamentos, mas não imagina que o material possa se transformar em uma corrida e causar prejuízos em áreas mais distantes”.

Segundo o pesquisador, os estudos realizados até então no laboratório do IPT baseavam-se em dados estimados de volume e vazão, sem uma ferramenta automatizada que simulasse as corridas de massa para a identificação dos impactos, volume de materiais sólidos gerados e incorporados, velocidade e raio de alcance. “Para aumentar a nossa capacitação técnica e realizar uma classificação de riscos, o estudo dos processos é fundamental para entender as condições de segurança de áreas próximas às regiões serranas, como a Serra do Mar e da Mantiqueira, que são ambientes favoráveis para a ocorrência de corridas”, afirma o pesquisador.
Detalhe dos troncos depositados em meio aos blocos: estes se encontram descascados devido ao atrito com os blocos em meio à corrida
 
Além disso, o estudo fornecerá subsídios para a proposição de metodologias de mapeamento e identificação dos riscos atuais e potenciais, assim como de medidas estruturais e não-estruturais para mitigação de danos.

ETAPAS – Considerando as condições de entorno e o objetivo do estudo, uma análise de natureza qualitativa baseada no levantamento e avaliação de indicadores de risco foi realizada. Foram levantadas as características geológico-geotécnicas do terreno, tipologia dos processos, formas de ocupação da área e histórico de ocorrências no local.

As principais atividades realizadas até agora incluem a vistoria de campo, a pesquisa bibliográfica, a elaboração da base cartográfica e de imagens, a preparação de modelos digitais do terreno e a coleta de dados meteorológicos e pluviométricos. As próximas etapas incluem o treinamento no programa de simulação Titan2D, desenvolvido na University at Buffalo (EUA) para ambiente Linux, a parametrização dos dados, a modelagem do fenômeno de massa e a validação dos processos, para a elaboração do relatório técnico.

Para o treinamento no software, Gramani está contando com o apoio do engenheiro geológico Eymar Lopes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, que usou a ferramenta em seu doutorado para o case de escorregamentos e corridas de massa na Refinaria Presidente Bernardes, ocorrido em fevereiro de 1994. “Como o pesquisador já detinha um conhecimento sobre o programa e também pelo fato de ser gratuito, escolhemos o Titan para o projeto”, explica Gramani. Em razão do seu caráter multidisciplinar, os estudos contam também com a colaboração do Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.