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  08.11.12

As faces da cincia


Diretor da FAPESP realiza seminário para discutir classificação de projetos de pesquisa e inovação


As diferentes formas de classificar projetos de pesquisas foram abordadas por Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, que esteve no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) no dia 1º de novembro para realizar o seminário ‘As faces da ciência’, que tratou do tema para os profissionais do Instituto. O evento foi promovido pela Diretoria Executiva do IPT e o Conselho de Representantes dos Empregados (CRE).

Brito Cruz: cuidado para evitar a visão utilitarista do universo das pesquisas; ‘isso restringe o desenvolvimento do conhecimento’
 
Com uma exposição rica em exemplos de casos de sucesso em desenvolvimento científico no mundo, Cruz analisou os conceitos de pesquisa básica, aplicada e de desenvolvimento tecnológico, comentando as particularidades de cada um. O cientista, que também é membro do Conselho de Orientação do IPT, definiu a pesquisa básica, por exemplo, como “um estudo sistemático para o conhecimento mais completo de aspectos fundamentais em certos fenômenos sem ter aplicações em mente”.

Já para a modalidade de pesquisa aplicada, Cruz disse que sua importância se relaciona com a solução de problemas específicos e que o desenvolvimento tecnológico, que culmina, por exemplo, na criação de novos materiais, entre outras frentes, é a interface que pode aproximar a indústria da universidade. Mas ele ressaltou que “a universidade faz mais pesquisa básica porque é voltada ao aprendizado”.

O diretor científico da FAPESP falou também do perfil demográfico da comunidade de pesquisadores no País, que tem 230 mil profissionais, dos quais 79% estão concentrados nas universidades, 18% em empresas e 3% no governo, números que contrastam com as características de outros países.

Nos Estados Unidos, por exemplo, de 1,4 milhão de pesquisadores, 80% estão nas empresas, e apenas 13% e 7% trabalham para universidades e governo, respectivamente. Uma situação relativamente próxima a essa, de concentração nas empresas, é encontrada no estado de São Paulo, que tem 54% nas empresas, enquanto 40% estão nas universidades e 6% no governo.

Brito Cruz afirmou que outro modo de classificar as pesquisas científicas poderia ser do ponto de vista do benefício proporcionado, como aumentar a competitividade das empresas, curar doenças, distribuir renda ou aprimorar o conhecimento. Mas tanto nessa classificação, como em outra possível, é preciso tomar cuidado para não cair em uma visão utilitarista do universo das pesquisas. “Isso restringe o desenvolvimento do conhecimento”, afirmou.

‘Quadrante de Pasteur’, criado por Stokes: relações entre relevância de aplicação e de produção do conhecimento em projetos de pesquisa
 
O pesquisador também apresentou um gráfico chamado ‘Quadrante de Pasteur’, criado por Donald Stokes, da Universidade de Princeton (EUA), que foi publicado originalmente em livro homônimo, de 1997. O gráfico ajuda a compreender as relações entre relevância de aplicação e de produção do conhecimento em um projeto de pesquisa que tenha um caráter inovador, apresentando áreas que representam as pesquisas que exploram questões fundamentais do conhecimento com vistas às suas aplicações (quadrante de Pasteur); as que buscam aprofundar o conhecimento sem considerar as aplicações (Bohr); e as que têm em vista somente as aplicações (Edison).

No debate que se seguiu à exposição, o diretor presidente do IPT, Fernando Landgraf, afirmou que a comunidade do Instituto está preocupada em desenvolver uma metodologia que possa mostrar o impacto de seu trabalho, que revele “o que a sociedade recebe de retorno do investimento em pesquisa”. Brito Cruz disse que a criação desse método é um desafio, mas também que há exemplos consolidados desse retorno, como é o caso da Embraer, atualmente terceira fabricante de aeronaves do mundo, que foi inspirada no trabalho de pesquisa do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

O diretor da FAPESP afirmou que a avaliação de benefício deve passar por três eixos – social, econômico e intelectual – e que ela pode contemplar diferentes critérios, lembrando que na Unicamp foi feito um levantamento com 210 empresas criadas a partir de ideias geradas dentro da universidade.