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  08.02.13

Portas de madeira


Associação e fabricantes reúnem-se no IPT para dar início a processo de avaliação de produtos padronizados


A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e mais 11 empresas fabricantes de portas de madeira participaram no dia 31 de janeiro de uma reunião no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para dar início ao processo de qualificação e certificação desses produtos, coroando um trabalho que começou há mais de cinco anos com o estudo e revisão de normas apoiados na realização de ensaios de desempenho para subsidiar a caracterização e especificação de produtos.

Participantes do evento no IPT visitam o laboratório de testes acústicos, que verifica o desempenho das portas e outros componentes construtivos em relação a ruídos
 
A revisão da norma brasileira foi concluída no fim de 2011. No ano passado, o programa alcançou 12 empresas, ampliando seu espectro inicial de seis participantes. A reunião no IPT contou com empresas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Alagoas e São Paulo. Essas empresas representam cerca de 80% do mercado formal no País. Ficaram fora, ainda, quatro empresas que podem elevar a 95% o volume de representatividade do mercado.

Os participantes conheceram os ensaios realizados nos laboratórios do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT (Cetac). Para qualificar uma porta são feitos pelo menos nove ensaios, dos quais seis são mecânicos (torção estática, impacto de corpo mole, carregamento vertical, resistência ao fechamento com presença de obstrução, impacto de corpo duro e resistência ao fechamento brusco), enquanto os outros envolvem análise da variação dimensional, incluindo desvios de forma, planicidade e variação nominal, além das variações higroscópicas, tanto para as folhas de porta quanto para marcos de madeira.

Para portas resistentes à umidade são também previstos ensaios de comportamento sob ação da água e comportamento sob ação do calor e da umidade. Para portas de entrada ainda são previstos requisitos especiais, como resistência ao fogo e isolação a ruídos aéreos. No processo que será adotado, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vai emitir certificação dos produtos considerando os ensaios realizados pelo IPT.

As portas que são alvo do programa são produtos padronizados, que representam o maior volume de negócios da indústria e chegam ao consumidor por meio de grandes compradores, como construtoras e lojas. Ao adquirir o produto no varejo, o consumidor poderá conferir o certificado, mas segundo Roberto Pimentel Lopes, diretor técnico de portas de madeira da Abimci, ainda será feita uma campanha para difundir esse trabalho na ponta do mercado.

A conformidade da portas é dada pela norma NBR 15.930, que classifica esses componentes quanto ao uso e desempenho e tem caráter complementar à norma NBR 15.575 – esta trata do desempenho geral de edificações habitacionais e deve ser adotada por todos os projetos de construções residenciais no País.

O mercado brasileiro de portas é de oito milhões de unidades por ano, na média, o que representa mais de 600 mil portas por mês, segundo o superintendente da Abimci, Paulo Roberto Pupo. Dessa produção, o índice de exportação é baixo e praticamente todo o volume destina-se a suprir o mercado interno.

A realização dos ensaios do programa de certificação deve começar em abril e a ABNT já está fazendo avaliação prévia nas empresas, afirmam Pupo e Pimentel. Cada produto a ser certificado é identificado pela ABNT antes de ser enviado ao IPT para a execução dos ensaios de desempenho.

“É importante destacar o caráter de associativismo desse projeto, porque foi um esforço da Abimci para alcançar essa mobilização, com apoio de seu superintendente, Pupo, e de seu presidente de portas, Antonio Rubens Camilotti”, diz Pimentel. Ele destaca também que todo o processo é transparente, e que para participar do programa cada empresa investe algo da ordem de R$ 50 mil por ano, totalizando R$ 150 mil em três anos. “O processo de auditoria é semestral, deve avaliar o sistema de gestão da empresa para validar o produto; os ensaios também são periódicos”, afirma.

Pimentel considera o programa importante na cadeia de construção: “Isso pela complexidade e pela seriedade com que está sendo tocado; ele vai trazer um novo paradigma para o mercado, afinal, as referências no Brasil ainda são baixas”.