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  29.04.13

Formol em anlise


IPT completa um ano em novas capacitações para ensaios de composto de larga aplicação na indústria de cosméticos


Atualizado em 5 de novembro de 2013

As novas competências do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em análises de formaldeído – ou formol, como é mais conhecido – acabam de completar um ano com um cenário promissor de crescimento. Um levantamento feito pelo Instituto aponta os segmentos têxteis e de cosméticos como os principais clientes nos 12 primeiros meses de ensaios, com 47% e 29,4% do total dos pedidos, respectivamente, e logo em seguida a indústria automobilística e a de papel, cada uma com 11,8% das solicitações.

O formol tem uso permitido pela legislação brasileira na fabricação de resinas e como conservante em itens de higiene pessoal e cosméticos, mas pode causar problemas à saúde em caso de dosagem excessiva e manipulação inadequada. Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou uma resolução para controlar a utilização do composto, restringindo-o a uma concentração de até 0,2% em cosméticos; em 2009, uma nova resolução foi baixada, desta vez proibindo a exposição, venda e entrega ao consumo do formol em drogarias, farmácias, supermercados, armazéns e lojas de conveniência. A medida foi tomada para coibir o uso indiscriminado em salões de beleza do composto, que estava sendo adicionado às fórmulas de alisamento de cabelo em concentrações excessivas a fim de melhorar o resultado dos tratamentos.

Os ensaios no IPT são executados não apenas para identificar e quantificar a presença do composto em amostras, mas também analisar a possibilidade de substâncias presentes em produtos acabados se degradarem e darem origem ao formol,
Cromatógrafo líquido de alta eficiência é o principal equipamento usado para os ensaios de determinação dos teores de formol, afirma o pesquisador Diego Zulkiewicz Gomes
 
explica o pesquisador e químico Diego Zulkiewicz Gomes, do Laboratório de Análises Químicas do Instituto: “Compostos como o glutaraldeído passaram a ser usados em salões de beleza após a proibição da Anvisa e, ao serem submetidos às altas temperaturas da ‘chapinha’, convertem-se facilmente em formol”.

As amostras mais comuns enviadas ao laboratório do IPT são de produtos de beleza & higiene pessoal, como sabonetes, cremes e xampus, e tecidos – aqui, o objetivo é atender às normas técnicas internacionais de regulamentação das características de produtos, do processo ou do método de produção, além da presença de substâncias químicas restritivas, entre elas o formol.

INFRAESTRUTURA – Todas as amostras recebidas pelo laboratório são submetidas a um processo de extração pela necessidade de os materiais a serem analisados estarem no estado líquido, solubilizados e filtrados. “As soluções passam por um processo de derivatização, técnica comumente empregada para adição de um grupo químico no composto a ser analisado, de modo a viabilizar sua separação, identificação e quantificação em uma matriz complexa”, afirma a farmacêutica Amanda Marcante.

As soluções são analisadas no cromatógrafo líquido de alta eficiência (HPLC, de High Performance Liquid Chromatography) ou no cromatógrafo líquido acoplado a espectrômetro de massas com analisador Q-TOF (LC/MS), adquiridos recentemente dentro do projeto de modernização do IPT. Um terceiro equipamento, o espectrofotômetro no UV-visível, também está disponível para os ensaios.

Os ensaios são mais comumente executados no cromatógrafo líquido de alta eficiência pelos recursos de maior exatidão oferecidos pelo equipamento, explica a pesquisadora-visitante Ana Carolina de Souza Miranda Teixeira:
Tecidos e produtos de beleza & higiene pessoal foram os principais produtos analisados no primeiro ano de oferta de análises de formaldeído
 
“Uma das principais vantagens do HPLC é a melhoria dos níveis de detecção de substâncias por conta do recurso de separação, o que reduz as interferências provenientes de outros compostos que podem estar presentes”. Em caso de dúvida por conta de suspeitas de concentrações extremamente baixas na solução, a equipe do laboratório recorre ao cromatógrafo líquido acoplado a espectrômetro de massas.

O equipamento é ainda mais sensível, pois dispõe de um analisador de alta resolução do tipo quadrupolo-tempo de voo (Q-TOF, de quadrupole time-of-flight). “É possível detectar a massa molecular de uma substância com uma precisão de até cinco casas decimais”, explica Gomes.

A equipe de pesquisadores do laboratório acaba de consolidar a metodologia para quantificação do formaldeído por espectrofotometria no UV-visível e está trabalhando agora para a implantação das normas no HPLC. O laboratório passará por uma auditoria do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) no mês de agosto e a expectativa é de acreditação dos novos ensaios.

Clique aqui e veja a reportagem transmitida pelo Fantástico em 3 de novembro sobre produtos para alisar cabelos que ainda liberam formol