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  05.08.13

Fogo cruzado


Incêndios em áreas densamente habitadas afetam entorno e contaminam ambiente. IPT recomenda prevenção


Na quarta-feira, dia 31 de julho, um grande incêndio atingiu um depósito da loja Armarinhos Fernando localizado na Mooca, zona leste de São Paulo. No sábado, dia 3 de agosto, outro grande incêndio irrompeu em uma empresa recicladora de matérias-primas em Guarulhos. Para o pesquisador Antonio Berto, responsável pelo Laboratório de Segurança ao Fogo do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT, o risco de incêndio em grandes áreas como depósitos está sempre presente, trazendo consequências que podem ir muito além das instalações atingidas pelas chamas.

Incêndio no depósito da Armarinhos Fernando, na zona leste da capital paulista. Crédito foto: Marcelo Gramani/IPT
 
Para o pesquisador, além dos possíveis transtornos há risco de contaminação ambiental; prevenção e melhores condições de proteção tornam-se medidas fundamentais: “Todo o entorno pode ser afetado por um incêndio de grandes proporções. O trânsito precisa ser desviado provocando engarrafamentos, prédios que muitas vezes abrigam moradores têm de ser evacuados se estiverem sob risco. Até o ar, normalmente poluído por chaminés e escapamentos nas cidades, fica pior com a formação das densas e tóxicas colunas de fumaça”.

Na avaliação de Berto, para ser considerado seguro quanto à possível propagação de incêndio ou fumaça, um prédio não pode representar ameaça à vizinhança. Em um prédio protegido o risco de incêndio pode ser reduzido, nunca zerado. No caso de edificações comerciais é necessário obter o chamado AVCB, que é o Atestado de Vistoria do Corpo de Bombeiros. O tempo necessário para sua renovação varia conforme a atividade do local. No caso de depósitos industriais a validade é de três anos, para locais de reuniões dois anos ou menos para realização de eventos pontuais.

“Em qualquer desses lapsos de tempo podem ocorrer mudanças no local vistoriado originalmente, como alterações nos leiautes, nos processos implantados e equipamentos, alterando as condições iniciais de risco e deixando as proteções contra incêndios adotadas incompatíveis sob as novas condições”, explica ele. “Isto sem falar na possibilidade de deterioração dos sistemas de proteção ao longo do tempo. Cabe aos responsáveis pelo uso da edificação atenção à manutenção e à adequação operacional permanente desses sistemas. Para isso é necessário que contem permanentemente com profissionais capacitados tecnicamente.”

Segundo Berto, grandes incêndios são normalmente tratados como fatalidades. “Na verdade eles deveriam ser sempre investigados em detalhes para desvendar as condições em que ocorreram e atribuir possíveis responsabilidades. Para que uma investigação dessa envergadura tenha resultados confiáveis, é fundamental contar com equipes capacitadas e experientes, além de recursos técnicos e laboratoriais modernos e adequados.”

Mas antes de investigar, o mais é importante na opinião de Berto é prevenir. “Uma cuidadosa avaliação preventiva dos equipamentos, do seu desempenho e, principalmente, da abordagem de segurança como um todo, para verificar se está adequada aos possíveis riscos em determinada situação de ocupação”. O IPT atende normalmente a empresas e setor público e, para isso, disponibiliza laboratórios modernos para testes e aferição do desempenho de equipamentos e sistemas de proteção contra incêndios

A análise do processo de segurança ao fogo é especialmente importante no trabalho das seguradoras. Quando existem vários sistemas, é fundamental que haja coordenação e integração entre eles para que tudo funcione direito. “Projetos eficazes de segurança a incêndios dependem de detalhamento profundo e acompanhamento técnico na sua implantação”, afirma ele.