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  16.04.14

Projeto cooperativo


Novo modelo de negócio reúne IPT e empresas do setor de cosméticos em pesquisa de ponta em nanotecnologia


Talvez esteja muito além dos processos de engenharia a grande novidade em um projeto cooperativo em pesquisa tecnológica de ponta, que envolve segredos industriais de nanoencapsulação e partículas nano, menores do que uma bactéria. Na verdade, todo o desenvolvimento está conectado à qualidade dos parceiros. O interesse mútuo em desenvolver plataformas tecnológicas básicas, a custos competitivos, reuniu no Núcleo de Bionanomanufatura do IPT quatro grandes fabricantes nacionais de produtos cosméticos – Grupo Boticário, Natura, Theraskin e Yamá.

É relevante o fato de as empresas atenderem o mesmo mercado e tornarem-se parceiras em P&D&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) para alavancar um mesmo projeto. Previsto para ser desenvolvido em 21 meses, dos quais cinco já foram trabalhados, o projeto conta com investimento da ordem de R$ 2,3 milhões e apoio da Embrapii, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A participação efetiva da Abihpec, a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, contribuiu na aproximação entre o IPT e as empresas e, também, é parceira relevante no âmbito do trabalho junto à Embrapii. Este caso foi apresentado à Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, a Anpei, como um modelo de negócio de sucesso.

MODELO DE NEGÓCIO – Segundo a pesquisadora Natalia Neto Pereira Cerize, o projeto prevê o desenvolvimento de duas plataformas para nanoencapsulação de produtos cosméticos. “A maior estabilidade dos princípios ativos, o controle na sua liberação e o efeito sensorial diferenciado estão entre as vantagens deste desenvolvimento.
Natalia: promoção de um ambiente de inovação nas empresas com foco em nanotecnologia aplicada na área de cosméticos
 
A ideia de promover as duas plataformas terá impacto positivo na promoção de um ambiente de inovação nas empresas com foco em nanotecnologia aplicada na área de cosméticos.”

O modelo de desenvolvimento tecnológico colocado em prática inova ao basear-se na geração e no compartilhamento de conhecimento tecnológico, de modo igualitário entre os parceiros, tendo por meta a inovação. “O estímulo ao ambiente inovador nas empresas e a cooperação ao longo da cadeia produtiva poderão gerar novas soluções tecnológicas e novos produtos para o setor. Para dar sequência a este trabalho temos na agenda a realização de um workshop no mês de maio no IPT, para compartilhar conhecimento no tema da nanoencapsulação e apresentar às empresas parceiras os resultados mais recentes. Agregamos valor aos estudos com a aquisição de documentos técnicos contendo o estado-da-arte de produtos desta categoria na Europa e nos Estados Unidos, além de um panorama de mercado e perspectivas futuras sobre nanotecnologia. É uma informação estratégica para o posicionamento dos fabricantes de cosméticos nacionais”, avalia Natalia.

A Coordenadoria de Planejamento e Negócios do IPT dá suporte negocial, inclusive na área de patentes, às diversas áreas técnicas do Instituto. No caso específico deste projeto cooperativo, a coordenadora Flavia Motta identificou algumas peculiaridades que a colocam em destaque no portfólio do IPT: “O modelo de negócio que o IPT conseguiu viabilizar, com grande apoio do Itehpec, é a junção de esforços de empresas do mesmo setor para desenvolvimento e troca de conhecimentos tecnológicos na área de nanoencapsulação.
Flavia: empresas estão juntando esforços, dividindo riscos e compartilhando conhecimento para dominar tecnologias
 
Estas empresas estão juntando esforços, dividindo riscos, custos e, principalmente, conhecimento para dominar tecnologias que têm se mostrado extremamente importantes para o desenvolvimento de produtos”.

PALAVRA DE PARCEIRO – Na avaliação de profissionais das empresas envolvidas neste projeto cooperativo com o IPT, responsáveis pelo monitoramento das pesquisas, os resultados deverão ter impacto positivo no desenvolvimento de produtos. Confira a seguir suas opiniões:

• “O projeto é importante porque gera inovação por meio da integração e da sinergia entre as empresas do setor. Com isso, há uma maior disseminação da nanociência no segmento e do conhecimento para aplicação de produtos contendo nanotecnologia.” Gustavo de Campos Dieamant, gerente de Pesquisa Científica e Tecnológica do Grupo Boticário.

• “O projeto cooperativo irá beneficiar todas as empresas do projeto por meio do intercâmbio de informações e da troca de ideias, além da questão financeira que possibilita o acesso a uma tecnologia nascente e muito promissora.” Fabio M. Yamamora, Yamá;

• “O projeto tem um papel fundamental no estabelecimento de diretrizes para a inovação e o desenvolvimento tecnológico do setor, atuando como facilitador no processo de desenvolvimento das empresas. E esse é o papel do ITEHPEC no projeto cooperativo de nanoencapsulação de ativos, atuando na articulação com as empresas para viabilizar as negociações, estimulando a inovação aberta e a cooperação entre empresas do segmento. É o único, no âmbito da Embrapii, com essa característica envolvendo a participação de quatro empresas do setor, a nossa instituição setorial e o IPT, e um dos grandes desafios encontrados até o momento foi o de estimular a cooperação entre os diversos atores. Esse modelo de negócio pode se tornar uma importante referência para projetos cooperativos no nosso setor e em outros segmentos.” Marina Kobayashi, gerente de Inovação do Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Itehpec).