Pgina inicial do IPT   >  Notícias

Notcias


compartilhe


  05.12.14

Apoio em Capo Bonito


Estudo multidisciplinar do IPT envolveu avaliações geológica, geotécnica e de engenharia no município paulista


Quatro áreas do município paulista de Capão Bonito, localizado na Região Administrativa de Itapeva, foram objeto de um estudo feito entre os meses de agosto e novembro de 2014 pela Seção de Investigações, Riscos e Desastres Naturais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O levantamento, o mapeamento e a concepção de soluções para a cidade de 46 mil habitantes envolveu uma série de avaliações geológica, geotécnica e de engenharia em um projeto financiado pelo Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios (Patem) da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo.

Problemas em um tubo metálico usado como galeria de passagem, no cruzamento entre uma via e um afluente do Ribeirão do Poço no bairro Vila São Judas Tadeu, estavam no escopo do primeiro atendimento da equipe. A estrutura do tubo encontrada pelos pesquisadores estava degradada pela corrosão e não suportava mais a vazão das águas em chuvas de média e alta intensidade, o que acarretava inundações e afetava algumas moradias – além disso, a prefeitura municipal manifestou preocupação por conta da construção de um conjunto habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região, o que aumentaria o aporte de água.
Estrutura do tubo metálico usado como galeria de passagem foi o primeiro estudo realizado pelos pesquisadores do IPT...
 
A equipe do IPT avaliou a capacidade de vazão tanto nas indicações do projeto da prefeitura para a substituição do tubo metálico por duas aduelas (peças) de concreto de 2,5 x 2,5 metros de extensão, como medida para erradicar os problemas de inundações, quanto a recomendação da CDHU para instalação de três aduelas de três metros.

O segundo estudo foi a avaliação das condições de uma ponte de concreto no bairro Vila Jardim São Francisco. Como o tabuleiro da estrutura apresentava uma altura máxima em relação à lâmina d’água do Ribeirão do Poço na faixa de meio a um metro, os períodos de chuvas mais intensas acabavam por transformar a ponte em uma verdadeira ‘barragem’, um problema agravado pelo assoreamento e que trazia como consequência inundações em duas moradias na área. “Fizemos uma comparação dos valores que seriam necessários para o desassoreamento do ribeirão, a construção de uma nova ponte de concreto com dimensionamento para não prejudicar a vazão e a remoção definitiva das duas moradias – das três sugestões, a última foi a escolhida pela prefeitura municipal pois apresentou a melhor relação custo x benefício e um menor tempo de execução”, explica Fabricio Araújo Mirandola, pesquisador do IPT e coordenador do projeto.

DESLIZAMENTOS E INUNDAÇÕES – Uma avaliação de estabilidade de um talude no bairro Vila Aparecidinha foi solicitada ao IPT pela prefeitura, em uma área situada às margens de um canal de drenagem próximo à passarela de pedestres que dá acesso a um conjunto habitacional.
...e a avaliação em uma ocorrência frequente de alagamentos no bairro Nova Capão Bonito o quarto estudo realizado.
 
O sistema de drenagem é de aproximadamente cinco metros de altura, com taludes marginais de inclinação média a alta, e a preocupação da administração municipal era o risco de deslizamentos por conta da distância reduzida em relação às moradias.

Um perfil da área próxima à passarela dos pedestres para a elaboração da análise de equilíbrio-limite foi elaborado usando um programa computacional desenvolvido no IPT, o IPT-Estab1. Os pesquisadores consideraram a geometria do talude, o perfil geológico-geotécnico e os parâmetros de resistência ao cisalhamento admitidos para os materiais envolvidos, e os resultados mostraram fatores de segurança (FS) superiores a 2 (índices abaixo de 1 são considerados de risco para deslizamentos), o que apontou a estabilidade da área.

O quarto e último estudo foi em uma ocorrência frequente de alagamentos no bairro Nova Capão Bonito, o qual afetava somente o sistema viário. A prefeitura apresentou ao IPT a proposta de construção de um canal em substituição ao córrego natural existente e, após visitas em campo, os pesquisadores formularam uma série de sugestões para a redução dos riscos, como o dimensionamento do sistema de microdrenagem e a execução da estabilização das margens do canal em execução. Além dos quatro estudos, a equipe de geólogos e engenheiros do IPT ministrou um curso de gestão de riscos para os profissionais locais da Defesa Civil, uma apresentação sobre atendimentos de emergência e uma palestra aos alunos da Etec Dr. Celso Charuri sobre gestão de riscos/emergências.