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  26.02.15

Diagnstico de eroso


IPT elabora projeto para estabilizar boçoroca urbana de grande porte em duas cidades da região de Campinas


Os processos erosivos são condicionados basicamente por alterações do meio ambiente, provocadas pelo uso do solo desde o desmatamento e as atividades agrícolas até obras urbanas e viárias que, de alguma forma, propiciam a concentração das águas de escoamento superficial.

O processo erosivo ao atingir o lençol freático é denominado do tipo boçoroca, o qual apresenta grande poder evolutivo e, consequentemente, destrutivo. Essa evolução ocorre principalmente pela ação do piping (processo de erosão interna no solo) que instabiliza os taludes provocando o desenvolvimento lateral do processo, o qual gera grande perda de áreas produtivas ou espaços ocupados pela urbanização.

No limite dos municípios de Santa Bárbara d’Oeste e Americana, na cabeceira do córrego Suzigan, afluente do rio Piracicaba, ocorre um processo erosivo que está gerando perdas expressivas de áreas produtivas e assoreamento significativo do rio. O Ministério Público entrou com uma ação contra os municípios visando à imediata estabilização do processo.

Nesse contexto, o município de Santa Barbara d’Oeste procurou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo e, por meio do Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios (Patem), solicitou ao IPT um estudo para identificar a causa do processo e a indicação de soluções de engenharia para sua estabilização.

Segundo o pesquisador Claudio Luiz Ridente Gomes do Centro de Tecnologias Geoambientais do IPT, o processo erosivo do tipo boçoroca está ativo e apresenta grandes dimensões (aproximadamente 900 metros de extensão, largura variando de 20 a 100 metros e taludes com alturas variando entre oito a 20 metros). A evolução lateral do processo encontra-se acelerada em função do expressivo lançamento das águas pluviais no seu interior, principalmente na ocorrência de chuvas intensas, durante o qual o fluxo de água atinge os taludes provocando erosões nas suas bases. Essas erosões associadas aos processos de piping instabilizam os taludes.

Com 12 profissionais envolvidos entre pesquisadores, assistentes e estagiários, os profissionais do IPT realizaram estudos geológicos-geotécnicos para caracterizar o processo erosivo e estudos hidrológicos para a bacia de contribuição dos municípios. Na sequência, foi elaborado um projeto básico de recuperação da erosão, constituído por um canal de drenagem em gabião, drenos para a condução adequada das águas de subsuperficie, estabilização dos taludes por meio de retaludamentos, sistema de drenagem superficial e sistema de proteção superficial vegetal dos taludes.


Evolução lateral do processo erosivo encontra-se acelerada em função do expressivo lançamento das águas pluviais no seu interior, principalmente na ocorrência de chuvas intensas
 
Para o pesquisador, o trabalho foi interessante do ponto de visto geológico-geotécnico devido ao grande volume de solo a ser movimentado para a estabilização dos taludes. “Para estabilizar os taludes seria necessário um movimento de terra muito grande, então fizemos um trabalho de modo que todo o volume mobilizado ficasse dentro da erosão, sem necessidade de exportar solo. Fizemos uma compensação entre corte e aterro a fim de evitar perdas maiores das áreas produtivas. Esse talvez tenha sido nosso maior desafio, principalmente por conta da maioria dos taludes apresentarem alturas elevadas, em torno de 20 metros”.

No final do processo erosivo existe uma drenagem natural de aproximadamente dois quilômetros até chegar ao rio Piracicaba. “Avaliamos esse canal de drenagem do ponto de vista geológico-geotécnico e hidráulico e verificamos que o mesmo encontra-se em uma situação bem mais favorável em relação à cabeceira de drenagem onde ocorreu o processo erosivo. Concluímos que não haveria a necessidade de intervenções de engenharia no interior do canal, respondendo assim um dos quesitos do Ministério Público”, afirma Gomes.

O trabalho foi concluído e o relatório técnico foi entregue em dezembro do ano passado, dentro do prazo de dez meses previsto. Na sequência, as prefeituras de Santa Bárbara d’Oeste e Americana deverão contratar um projeto executivo que vai detalhar o projeto básico do IPT, atendendo às recomendações feitas pelos pesquisadores.