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  26.06.15

Radares de inovao


Método desenvolvido no IPT para calibrar radares de velocidade contribui em lançamento de novos veículos


Um dos grandes vilões do ruído urbano é o tráfego de veículos. Pesquisas apontam que, além dos danos à audição, a poluição sonora também afeta a qualidade de vida. Para a obtenção de dados confiáveis que permitam avaliar o nível de ruído, é indispensável a medição precisa da velocidade do veículo. “A medição da velocidade de cada modelo é fundamental porque, quanto maior a velocidade de um automóvel, por exemplo, em uma via, mais intenso será o ruído. Para que se possa comparar o desempenho de diferentes modelos, deve-se assegurar que as medições do ruído sejam feitas na mesma velocidade”, explica o pesquisador Fabrício Torres, do Laboratório de Metrologia Elétrica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Segundo Torres, a calibração de radares não era um serviço oferecido no mercado brasileiro até 2013 e a alternativa de enviar os instrumentos para calibração no exterior tornava o processo custoso e demorado.
Emissão do ruído de automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus foi objeto de estudos da Cetesb, que estabeleceu as bases do Programa Nacional de Controle de Ruído Veicular
 
“Algumas montadoras, que já eram clientes do IPT, solicitaram apoio do nosso laboratório. Tomamos conhecimento da dificuldade que as montadoras nacionais enfrentavam na obtenção das licenças para os novos modelos de veículos em função das emissões de ruídos.”

Existem normas internacionais especificando métodos para a medição do ruído e parâmetros de teste para cada categoria de veículo. No Brasil, a emissão do ruído de automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus foi objeto de estudos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que estabeleceu as bases do Programa Nacional de Controle de Ruído Veicular. O programa estabelece limites máximos de ruído para veículos novos comercializados no Brasil, prevendo ainda critérios para serem utilizados em futuras ações de inspeção e fiscalização da frota.

COMO FUNCIONA – Um tipo de radar muito utilizado para a medição de velocidade, do mesmo tipo utilizado nos testes do IPT, baseia-se no efeito Doppler. O radar transmite um sinal de alta frequência, da ordem de 24 GHz, na direção do objeto cuja velocidade se deseja determinar. Após contato com o objeto, o sinal é refletido com uma pequena diferença na frequência transmitida.

Analisador de sinal de radiofrequência de alta precisão possibilitou maior agilidade na calibração dos radares
 
Esta diferença é proporcional à velocidade do material refletor, podendo então ser determinada. O desenvolvimento da calibração deste tipo de radar exigiu uma atuação multidisciplinar da equipe do laboratório do IPT, que culminou na elaboração de um procedimento inovador para o atendimento a esta demanda, alcançando uma incerteza muito inferior à tolerância exigida para o ensaio.

O laboratório adquiriu recentemente um analisador de sinal de radiofrequência de alta precisão, com apoio do projeto Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), sob coordenação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o que possibilitou maior agilidade na calibração dos radares de velocidade. “Nos últimos dois anos, o IPT ofereceu rastreabilidade metrológica para ao menos 10 radares de velocidade de diversas montadoras brasileiras”, afirma o pesquisador. O laboratório do Instituto é acreditado pela Coordenação Geral de Acreditação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e está capacitado para serviços de calibração nas áreas de eletricidade, tempo e frequência, temperatura (sinal elétrico), magnetismo, radiofrequência, telecomunicações e equipamentos médico-hospitalares.

O controle dos veículos novos é realizado a partir da análise dos relatórios dos testes de ruído executados conforme a norma ABNT NBR 15145:2004 ‘Acústica – Medição de ruído emitido por veículos rodoviários automotores em aceleração – Método de engenharia’. Os resultados são analisados pela Cetesb durante o processo de homologação dos veículos com a análise dos resultados de emissão de escapamento, e o parecer é encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Estando abaixo dos limites estabelecidos, o órgão autoriza a comercialização.

Os ensaios de emissão são testemunhados pelo Ibama e/ou por engenheiro da Cetesb, e todos os instrumentos necessários para a realização dos ensaios devem estar calibrados por laboratórios acreditados segundo a norma ABNT NBR ISO/IEC 17025 e pertencentes à Rede Brasileira de Calibração (RBC), incluindo o medidor de velocidade (radar), que deve ter incerteza menor ou igual a 2%.