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  14.08.15

Madeira Legal


WWF-Brasil apresenta o programa Madeira É Legal no Greenbuilding Brasil, contando com participação do IPT 


No período de 11 a 13 de agosto realizou-se em São Paulo a Greenbuilding Brasil 2015, maior evento em construção sustentável da América Latina. O WWF-Brasil, um dos parceiros desta iniciativa, apresentou na ocasião o programa Madeira é Legal. Segundo o analista sênior do WWF-Brasil, Ricardo Russo, o programa tem por objetivo mostrar à sociedade as vantagens e possibilidades do uso da madeira responsável na construção civil, por exemplo, em estruturas de casas, edifícios e estabelecimentos comerciais: “Quem utiliza madeira responsável ou certificada contribui para a conservação das florestas brasileiras, com a geração de renda das comunidades e das empresas extrativistas e com o amadurecimento do mercado de construção sustentável no Brasil.”

A participação do programa na Greenbuilding Brasil Conference é uma realização do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), do Sindicato do Comércio Atacadista de Madeira de São Paulo (Sindimasp), da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do WWF-Brasil, contando ainda com o apoio da Comunidade Europeia.
Estande do Madeira é Legal na Greenbuilding Brasil 2015
 


CONHECIMENTO COMPARTILHADO – Num estande com 40 metros quadrados foram apresentados produtos, ações e atividades das 23 organizações signatárias do Madeira é Legal. Uma das ferramentas apresentadas foi o aplicativo 'Catálogo de Madeiras Brasileiras' para smartphones. Trata-se de um guia de madeiras encontradas no Brasil, suas propriedades e principais aplicações na construção civil. O objetivo é promover o uso sustentável de espécies menos conhecidas, oriundas de florestas certificadas e que apresentem diversos usos potenciais. “O aplicativo – explica Russo – é um guia de madeiras que traz informações úteis para profissionais de engenharia, arquitetura, design e outros que trabalhem com o material.” A ferramenta já está disponível sem custo no Google Play e em breve será lançado para IOS.

Publicações técnicas e downloads gratuitos de livros, apostilas e relatórios do Programa Amazônia do WWF-Brasil foram disponibilizados em um totem interativo. Realizaram-se rodas de discussão e oficinas sobre madeiras, suas propriedades e usos. Na oficina de identificação de madeiras, realizada pela pesquisadora do IPT Maria José de Andrade Casimiro Miranda, os participantes tiveram orientação, com exercícios teóricos e práticos, para identificar espécies de madeira e cuidados na escolha das variedades mais apropriadas para produção de janelas, esquadrias e pisos. A ideia desta oficina, segundo Maria José, foi “apresentar a madeira aos participantes. Não adianta você utilizar a madeira e não ter informações sobre ela. Em algum momento, por conta do clima úmido, do calor ou da chuva, haverá problemas como gavetas que não encaixam, janelas que não abrem, problemas de empeno ou de colagem. É preciso saber as propriedades do material que se está utilizando”, explicou a especialista.

Para a diretora do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais, Ligia Ferrari di Romagnano, a participação do IPT no evento é uma via de mão dupla inerente ao conhecimento tecnológico compartilhado. “O Instituto participa ativamente das ações do Madeira é Legal. A equipe de pesquisadores, particularmente Marcio Nahuz e Maria José, difunde as nossas capacitações para o mercado da construção civil e indústria da madeira, além de arquitetos, engenheiros e demais interessados no uso responsável da madeira. Este evento é totalmente voltado ao mercado da sustentabilidade, em que produtos de madeira têm forte impacto. A expertise do IPT é reconhecida e as oficinas ministradas no estande foram muito produtivas, pois foram discutidos aspectos técnicos das diferentes espécies disponíveis para os mais variados usos no setor da construção civil. Fizemos contatos com produtores e exportadores de madeira, empresas de consultoria, empresários do comércio madeireiro e ONGs.”

IDEIAS GERMINANDO – O diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Raimundo Deusdará Filho, anunciou que o Governo Federal vai disponibilizar 2,11 milhões de hectares para concessões florestais. O executivo afirmou que essa área está prevista no plano anual de outorga do Serviço Florestal Brasileiro para 2016 e faz parte de uma iniciativa mais ampla. A meta é possibilitar a produção, até 2020, de cinco milhões de metros cúbicos de madeira oriundos de concessões florestais: “Nosso objetivo é fazer com que um terço de toda a madeira explorada e comercializada no País venha de concessões.”

Hoje, o Serviço Florestal Brasileiro possui contratos para concessão em cinco Florestas Nacionais, as chamadas Flonas, no Pará e em Rondônia. Já foram disponibilizados cerca de 842 mil hectares de floresta, que serão manejadas de modo sustentável por oito empresas nos próximos 40 anos.

Outro aspecto importante tratado no evento foi a criação de acordos e compromissos corporativos, o ordenamento fundiário e a adequação ambiental das terras amazônicas e a formação de 'blocos' de produção florestal. Foram estas as sugestões do coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Marco Lentini, para diminuir os índices de madeira ilegal disponíveis no mercado e aumentar o uso de madeira responsável no setor nacional da construção civil brasileiro. De acordo com o especialista, o setor da construção civil será, nos próximos anos, um dos grandes indutores do que vai ocorrer com a Floresta Amazônica. Atualmente, boa parte da madeira amazônica explorada comercialmente tem como destino o estado de São Paulo e o segmento da construção civil.

Segundo Lentini, o índice de ilegalidade neste mercado ainda é muito alto, fazendo com que a madeira seja explorada de forma predatória e causando uma série de prejuízos sociais e ambientais como o não recolhimento de tributos, desrespeito às populações tradicionais e trabalhadores do campo, perda de biodiversidade, desmatamento de áreas protegidas e emissão de gases de efeito estufa. “Precisamos adotar critérios que possam garantir rastreabilidade, boa origem e compromisso com o meio ambiente e com a legalidade. Isso é um desafio nosso: precisamos sair da mentalidade de que o governo vai fazer. O Cadastro Ambiental Rural pode ser um instrumento importante para este processo, assim como a restauração florestal. O Brasil tem 21 milhões de hectares passíveis de restauração, principalmente na Amazônia e no Cerrado.”

Na oficina 'Madeira na construção: desafios e experiência em 200 canteiros de obra' a consultora do Forest Stewardship Council Brasil, Carolina Graça, mostrou a importância do selo FSC na exploração madeireira. “Existem vários mitos dando conta de que a madeira certificada é cara, de que esta cadeia produtiva é complexa, mas temos exemplos que mostram que isso não é uma regra geral.”